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Entrevista Wegener

Por Luiz Michelini HC: Quando você começou a trabalhar com esses modelos de pranchas “soul surf”? Em 2001 percebi que não conseguiria ganhar dinheiro suficiente para sustentar minha família somente fabricando pranchas de espuma. Fora que também não curtia conviver com poeira do bloco e resina. Mas encontrei esta incrível madeira chamada Paulownia. Então descobri que conseguiria fazer uma prancha de surf a partir dessa madeira e que também teria um ambiente de trabalho livre de coisas tóxicas, assim como poderia produzir pranchas mais caras e ganharia mais dinheiro para viver. E isso funcionou. HC: Como surgiu a ideia de shapear a primeira Alaia? Em 2004, minha família e eu fomos para o Hawaii para surfar com nossas pranchas de madeira em Waikiki. Foi um sonho surfar com elas nas mesmas ondas que Tom Blake e Duke surfaram. Eu fui ao Museu Bishop, em Honolulu, para ver umas pranchas antigas e quando vi as alaias de antigamente e as Olos, fui ao delírio. Foi que nem encontrar alienígenas… Vi a incrível arte da madeira e os detalhes que as pranchas tinham, mas não conseguia imaginar como eles conseguiam surfar com aquilo. Voltei para a Austrália com a paixão em aprender sobre o surf de antigamente. HC: Quem são seus pilotos de teste? Tenho muita sorte em ter ótimos pilotos de teste para minhas Alaias, incluindo Tom Carroll, Tom Curren, Rob Machado, David Rastovich, Mike Stewart, Dan Malloy, Chris Del Moro, Harrison Roach… A parte mais difícil é pegá-los para fazer os testes. Porém, uma vez que eles pegam algumas ondas, eles são fisgados. HC: Qual a primeira reação quando se surfa com Alaias ou com a Tuna? É como pegar novamente sua primeira onda em uma prancha de surf. HC: Por quê, como e onde surgiu a ideia da prancha Tuna? O que ela tem de diferente? A Tuna veio a partir de uma jornada longa e intelectual. Não foi fácil. A Alaia é a melhor prancha, uma vez que se está na onda, mas a remada é difícil. Queria fazer uma Alaia que flutuasse, então primeiramente tentei fazê-las menores, mas elas não ficaram boas. Aí as fiz longas e elas acabaram ficando super legais, mas nem um pouco vendáveis. Então vi quão crowd e perigoso está o surf com todas quilhas e bicos pontudos. Daí assisti alguns vídeos do Ryan Birch e do Rob Machado surfando com alguns blocos de EPS sem quilhas. Eles me disseram que eles gostaram dessa experiência, porque era como surfar de Alaia só que com uma remada bem melhor, mas eles também quebravam diversas pranchas nessas sessions e desse jeito o negócio não ia durar. Então parei pra pensar e descobri o que precisava ser feito. Produzi 26 protótipos de pranchas, de espuma, plywood, paulownia e EPS para acertar o shape. Finalmente, com o EPS e coberturas especiais de fibra de vidro e epoxy, consegui uma prancha que era a certa. Isso traduz os principios das pranchas de antigamente e também traz a elas alguns materiais modernos. HC: Alaias podem ser feitas a partir de quais tipos de madeira? Praticamente qualquer madeira pode ser utilizada. Uso Paulownia porque ela é boa em água salgada, e é leve. Mas os povos antigos usavam Breadfruit e Koa. As pranchas deles eram pesadas e devia ser ainda mais difícil para remar nas ondas com elas. HC: Alguma dica para aqueles que estão començando a surfar com Alaias? Simplesmente sinta a madeira e aproveite a experiência de estar conectado com a paixão de andar sobre as ondas, que vêm desde os povos antigos. Não se preocupe em ficar em pé, somente ande agaixado e sinta a energia. HC: Você já está produzindo a prancha Tuna ou ainda é só um teste? Tenho trabalhado com a Global Surf Industries no projeto da Tuna e eles estão finalmente saindo com a primeira leva de 800 pranchas para o mundo. Muitas pessoas estão empolgadas com elas e aqui na Austrália todas foram vendidas logo após chegarem em solo australiano. HC: Você acha que elas funcionariam bem nas ondas brasileiras? Bem, a forma e o estilo de surfar dos antigos havaianos são divertidos. A prancha Tuna capta essa sensação, mas isso não a faz mais fácil que a Alaia. Não que a Tuna seja super fácil de surfar, pois ainda é necessário muita habilidade e prática para deslizar sobre uma onda com uma prancha sem qulhas. Quando estive no Rio anos atrás, encontrei muitas ondas cheias e divertidas. A Tuna adora essas ondas. HC: Você está com algum projeto novo? Qual será seu próximo experimento? Bem, mal posso esperar para me reunir novamente com minhas pranchas de madeira no jardim de casa. Acabei de fazer uma prancha Olo pro David Rastovich e nem posso esperar para fazer mais algumas e surfar com elas. Mas por enquanto estou apenas promovendo as Tunas. Elas são pranchas revolucionárias, realmente queria ter uma dessas pranchas quando era mais jovem e eu acredito que a próxima geração de surfistas, que podem variar entre surfar com as pranchas com quilhas e sem, serão de longe melhores surfistas que os de hoje. Tom Wegener explica a Tuna surfboard http://www.youtube.com/watch?v=zxjeyrIUgqY Teste Tuna surfboard http://www.youtube.com/watch?v=Bkau_qJy1tQ Rob Machado surfando com uma Alaia Tom Wegener http://www.youtube.com/watch?v=0QhTFONJTCU

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