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quarta-feira, 24 julho, 2024
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OWEN NOTA 10

Por Julio Adler No World Tour nunca uma onda com duas manobras tinha merecido um 10. As notas máximas são reservadas para ondas com muitas manobras ou tubos espetaculares. Até essa onda do Owen o máximo que tínhamos alcançado era um nove alto, dez nunca. Em 2010, tivemos apenas 3 notas 10 antes dessa e todas foram com tubos incríveis, Jay Bottle em J-Bay, Kelly no Tahiti e na França. E mesmo no WQS são tão raros que o único que sou capaz de lembrar é o do Pat Gudauskas em Maldivas e mesmo esse foi antecedido por outras manobretas. Desta vez não. Os juízes perderam completamente a vergonha e estamparam um 10 para duas manobras, ou melhor, para uma manobra só – ou ainda, um manobraço. Não me canso de escrever que Owen Wright será campeão mundial em breve. Nessa terça-feira ele mudou a história do surfe profissional ao acertar um aéreo absurdo com a prancha trincada e tirar um 10, o primeiro 10 da história do World Tour sem ser para um tubo. “Na verdade eu tava saindo da água, já sabia que minha prancha tava trincada e queria apenas surfar uma ondinha até a beira e trocar de prancha. Quando fui pra junção, não dava a impressão que seria tão boa. Quando comecei a voar, a prancha projetou muito bem e acho que o fato da prancha ter uma flexibilidade extra por estar trincada ajudou. Eu tive sorte”, explicou Owen Wright na entrevista depois da bateria. As notas 10 são reservadas para ondas que não devem ser esquecidas jamais. Travis Logie, último colocado do circuito até agora, tirou Mick Fanning da disputa numa bateria quente e fria. Fanning abriu com um 8.5 que logo pareceu excessivo, e em dez minutos ninguém apostava um centavo num apagado Travis. Foi quando, faltando pouco mais de dois minutos, Logie surgiu do nada com uma série de três ondas muito bem surfadas de backside. As notas demoraram anos pra sair e ao anunciar que faltava menos de 30 segundos pra terminar, o locutor avisou que Mick precisava de um 7.54. Fanning ouviu e partiu com tudo para sua última onda, aéreo, manobra, manobra e manobra. Tensão na praia, Fanning fora d’água e Travis confiante na vitória, é um 7.43 e Fanning está fora. Travis Logie já tirou o número 5 do ranking Dane Reynolds e o número 3 Mick Fanning, nada mal pra quem estava na final da lista no ranking. Slater uma vez mais surfou contido, suficiente para vencer Gabe Kling. Jadson foi responsável pela bateria mais eletrizante do dia contra Brett Simpson. Simpo jogou duro contra Jadson, usando a mesma estratégia que Jadson cansa de usar pra bater adversários como ele. Aéreo atrás de aéreo, Simpo foi construindo uma confortável vantagem que administrou muito bem até o último minuto da bateria. Jadson precisava de uma onda boa, melhor do que qualquer uma que tinha achado na bateria. Entrou na onda determinado a virar o resultado e surfou como Fanning tinha que surfar pra vencer Travis Logie, um aéreo com sua marca registrada, mostrando as quilhas pros juízes, voltou com a rabeta virada pra frente e insistiu em andar com as quilhas no lugar do bico, num humor pouco comum nesses momentos, ainda finalizou a onda com outro aéreo. Jadson virou e Brett Simpsom foi a loucura, enfurecido com sua derrota. Ossos do oficio… Jordy Smith ainda teve tempo para ganhar do Dean Morrison e continuar vivo na luta ao título. E na Quarta-feira… No novo formato, uma das baterias que podem se tornar mais interessantes são essas baterias de 3 surfistas na quarta fase. Adrian Buchan, Jeremy Flores e Slater aproveitaram a oportunidade para pular direto pras quartas nas três primeiras baterias. A última e mais esperada foi uma Expression Session entre os melhores aerealistas do Tour, Jadson, Owen e Jordy. Um dos internautas contou 13 aéreos na disputa, mais do que em todo resto do evento, creio eu. Owen, que se recupera duma gripe da pesada, ficou meio a parte e Jadson não teve muitas chances de mandar seus voos mais arriscados. Jordy por outro lado quase fez uma nota 10 logo no começo, um aéreo gigante na junção. Na realidade, um exagero e até uma falta de respeito, como bem disse o Pablo Gutierrez ao comentar a nota. Afinal de contas estão ali três dos surfistas que são capazes de muito mais e arriscar dar uma nota tão alta logo no início duma bateria dessas pode ser uma temeridade. Jordy avançou direto pras quartas e amanhã alguns locais dizem que vai ter muita onda nos Belgas (ou Supertubos) para encerrar o Rip Curl Pro Peniche 2010. Jadson está na parte de baixo da chave de baterias e se tudo correr bem pra ele e pro Careca, podem até se encontrar novamente numa final. Torcerei, como da outra vez, para nosso simpático potiguar voador fazer a mala do Careca, que nessa altura já estará muito mais perto do seu decimal titular. RIP CURL PRO PORTUGAL MEN’S ROUND 4 RESULTS: Heat 1: Adrian Buchan (AUS) 14.77, Michel Bourez (PYF) 9.03, Matt Wilkinson (AUS) 5.50 Heat 2: Kelly Slater (USA) 13.60, Damien Hobgood (USA) 10.83, Chris Davidson (AUS) 6.08 Heat 3: Jeremy Flores (FRA) 14.07, Travis Logie (ZAF) 13.73, Patrick Gudauskas (USA) 10.17 Heat 4: Jordy Smith (ZAF) 17.16, Jadson Andre (BRA) 13.57, Owen Wright (AUS) 12.07 RIP CURL PRO PORTUGAL MEN’S ROUND 5 MATCH-UPS: Heat 1: Michel Bourez (PYF) vs. Chris Davidson (AUS) Heat 2: Damien Hobgood (USA) vs. Matt Wilkinson (AUS) Heat 3: Travis Logie (ZAF) vs. Owen Wright (AUS) Heat 4: Jadson Andre (BRA) vs. Patrick Gudauskas (USA) Veja a nota 10 de Owen Wrigth: http://www.youtube.com/watch?v=RNhiGy4pNtA

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