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SLATER DISPARA

10:46 da manhã em Hossegor, o tempo para. Vimos isso tantas vezes e no entanto ainda somos capazes de nos maravilhar. Slater rema numa das bombas de tamanho duvidoso, entre 6 e 10 pés, dependendo do seu apetite. Quando fica em pé na prancha, Kelly logo mete a mão na parede para atrasar o que parece um tubo sem a menor chance de sucesso. Tudo que Slater tem feito desde que apareceu é um grande sucesso, eu deveria saber – até seus fracassos são retumbantes. Faltando menos de nove minutos para acabar a primeira semifinal do Quiksilver Pro, a 5’11” do Careca despenca lá de cima num “side-slip” completamente sem intenção e continua a cair no abismo esbranquiçado que se tornou a onda. Locutores se afligem num frenesi quase feminino. Num bairro pobre de Madrid eu olho pra tela do Macbook e torço pra rede que estou roubando de algum vizinho não caia nos proximos 5 segundos. “Ele não pode sair…” penso já torcendo pra estar errado. O tempo para em Madrid, São Paulo, Manly, Lisboa, Rio, Los Angeles, Cocoa Beach, Paris, o tempo para em Hossegor. Slater sai de dentro do tubo e não consigo conter um riso nervoso e grito, 10! Isso é um 10! Fora d’água, Slater explica excitadíssimo como conseguiu sobreviver ao drop e desgarrada, “percebi que tinha que firmar meu pé de trás e tentar ficar na prancha.” Essa onda, exatamente essa onda, é das coisas que destrói por completo a autoestima do resto dos 32 surfistas do WT. Tudo que Kelly faz é possivel de fazer melhor, deve pensar Jordy – e ele está certo. Bem, quase tudo? Momentos como esse não são reproduzíveis. Nem em competição, nem no freesurf. Quando faz esse tipo de coisa, Slater envia uma clara mensagem para o mundo: “Eu sou o melhor.” Ou parafraseando Owl Chapman numa página da Surfing dos anos 70, que Reinaldo Andrauss me enviou um dia desses, “eu sou o melhor. Sempre fui o melhor. Sempre serei o melhor.” Apenas um camarada que não aceita determinadas regras e faz tudo do seu jeito, embora admita que Slater é o melhor. Mick Fanning não quer saber se Slater é, foi ou será. Mick vive para o presente. Ele está na final contra o homem que já venceu o campeonato antes de entrar n’água. Fanning não tem o menor respeito pelo mito, ele quer apenas vencer. A menos de duas semanas, Fanning foi aniquilado por Slater numa semifinal de um surfista só. Naquela bateria, Slater conseguiu quebrar o foco do australiano numa disputa de ondas logo no início. Fanning não esqueceu. Quando entraram num mar subindo ainda mais para a final, Fanning não queria saber das estatisticas nem das projeções, queria apenas vingar Trestles – e Bells. Dentro d’água, 11 titulos mundiais e uma rivalidade irracional. Nas duas outras baterias disputadas em 2010, Fanning não foi capaz de reagir a agressividade e sagacidade do Careca. Desta vez a história seria diferente, chegou a hora da reação. Mick Fanning já provou que pode ser fatal da metade do Tour pra frente. Ganhou Trestles, França e Portugal em 2009 numa corrida irresistível ao caneco. Até dois dias atrás, Fanning usava o numero 5 escrito na camisa, no próximo campeonato usará o numero 3. Slater tem um retrospecto terrivel em Portugal e isso lhe basta como motivação. Fanning tem um título a defender e Jordy parece cada vez mais abatido com a ferocidade dos seus oponentes. A previsão para Peniche nos alerta para possiveis condições épicas novamente. Depois dum mar de sonho em Trestles e outro de arrepiar em Hossegor, Peniche pode ser o grande termômetro para medir o que consideramos espetacular no circuito dos sonhos. A HARDCORE estará na areia, ombro a ombro com os melhores do mundo trazendo a melhor cobertura do Rip Curl Pro de Peniche 2010. Vejo vocês lá. Highlights Final Quiksilver Pro France 2010 http://www.youtube.com/watch?v=WONF3RaEtKI

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