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CARECA APAVORA

Coroa Careca assusta menino mimado Por Julio Adler A mensagem é clara, Não mexa comigo, diz o Careca sem sequer abrir a boca. Slater acaba de vencer seu segundo evento em 2010, roubar a liderança do jovem magnata Jordy Smith e ameaça ganhar seu décimo título mundial se alguém não o impedir. Mas os tempos agora são outros. Slater já não é mais o surfista mais empolgante do planeta. Jordy, Dane e Owen são – não necessariamente nessa ordem. O trator Bede Se tem alguém no circuito que não dá a menor bola pra quem surfa mais ou menos, esse cara é Bede Durbidge. Para Bede só interessa ganhar, uma versão aquática e flexível da máxima do futebol. Não existe gol feio, feio é não fazer gol. Bede ganha porque só sabe fazer isso. Em Trestles, Bede bateu Jordy e Dane, no caminho até a final e fez isso apesar de ter ido pra repescagem duas vezes no novo sistema. Tudo começou numa bateria onde tudo indicava que Rob Machado destroçaria Durbo numa repetição da campanha de 2009, que culminou numa vitória em cima do Parko. Quando ganhou em Trestles 2006, Bede teve que passar por Andy, Wardo e Taj até a histórica vitória numa final contra Kelly Slater. O caminho do australiano nunca é fácil e ele não foge da briga. Eu não queria estar no lado dele da grade de baterias, disse Slater ao realizar que Bede tinha pego Jordy e Dane na sequência. Na final, Bede ainda lutou sem desistir até o último minuto, mesmo precisando duma combinação absurda até faltar quase 8 minutos para encerrar a bateria. O problema era Kelly e já falamos nisso daqui a pouco. Owen tá certo Tudo começou em Bells 2009. Owen era um aspirante ao World Tour e Slater um veterano de guerra. A corrida ao décimo título apenas começava e subitamente um vara de pau de quase 2 metros de altura interrompe o sonho do Slater com um surfe moderno e compacto – apesar do seu tamanho. Tudo parecia sorte de principiante até os dois se enfrentarem em Portugal, 2 x 0 Owen e um careca seriamente ferido. Chega 2010, Slater x Owen no Brasil, semifinal, bateria morna, médias fracas, Slater prevalece. Trestles, novo formato, quarta fase, bateria com três surfistas, C.J. Hobgood, Owen e Slater, que domina toda disputa até Owen surfar uma onda nos últimos 3 minutos… Duas cavadas que mais parecem cutbacks no meio da parede, dois tiros de escopeta no lipe, um terceiro só pra constar e um aéreo de backside pra finalizar. 9.63, maior nota de todo evento e a maior injustiça também – aquilo era um 10 perfeito, imaculado. Menos de um minuto e outra nota, acima de 7, Owen vira uma bateria quase resolvida e faz Slater perder a cabeça publicamente pela primeira vez em nem sei quanto tempo. Kelly arremessa sua prancha longe, abre os braços e grita aos juízes, o que tenho que fazer pra conseguir uma nota??? Ele mesmo responde na quartas-de-final, Estava tentando surfar mais técnico, mas não ganhava nota então fui perguntar ao juízes e rever algumas ondas. Chegamos a conclusão que as notas mais altas eram pra manobras na face da onda, mudei meu surfe e deu certo. Slater desta vez venceu, mas Owen mostrou uma vez mais que não é apenas um turista no circuito e que, com Slater ou sem Slater, será campeão. Jordy minha anta Quando vejo Jordy surfar tenho certeza que surfar é a coisa mais fácil do mundo. Com 17 anos, Jordy já era o surfista mais talentoso do mundo – ainda é. No futuro, Jordy pode virar a referência de surfe extraordinário da mesma forma que Slater foi e é ainda, falta apenas os dois pezinhos no chão. Desde o Gold Coast, Jordy tem surfado baterias com incrível despojamento. Mesmo sob tremenda pressão, como na semi contra Bede em J. Bay, Jordy de alguma forma conseguia relaxar e deixar seu surfe solto e criativo como deve ser. Na onda que mais lhe favorece em todo circuito, Jordy tinha tanta certeza do seu triunfo que esqueceu do seu oponente. Resultado? Quinto lugar e o numero 2 na sua lycra no próximo evento. Mother Fucker Dane Até o fim do ano já não teremos mais adjetivos para classificar o surfe do Dane Reynolds, precisaremos de onomatopéias e sons enigmáticos emitidos por algum animal extinto. Dane Reynolds desta vez não fez a final. Bede fez esse favor pra ele. Dane perderia de qualquer forma pro Slater, todos perdem… E o que importa isso? No mundo do Dane, o que vale são as manobras sobrenaturais, velocidade e… brutalidade! As melhores notas, as melhores médias, a melhor manobra, a segunda melhor manobra, a terceira melhor manobra, a quarta… Jordy é técnico e perfeito. Dane é selvagem e incorreto. Mesmo dando tudo errado, Dane ocupa a quarta colocação no ranking nesse momento. Chamada para Mick Fanning, Taj, Andy Irons, Jadson e Adriano Só o fato de Jadson no seu primeiro ano compor frases ao lado do Taj, Andy e Fanning já indica que o garoto vai pelo bom caminho. Caçado pelos juízes e locutores durante o Hurley Pro, Jadson cometeu um erro estratégico tremendo na bateria contra Damo Hobgood. Em dia de ondas perfeitas e extensas, você não deve concentrar toda energia numa manobra só. Preocupado em repetir seu aéreo patenteado, Jadson perdeu a oportunidade de escovar Damo. Surfando cada vez melhor de backside, Jadson precisa de mais confiança para variar escolha de onda e repertório. Adriano cometeu o mesmo pecado do Jordy contra Kieren, soberba. Certo da vitória, esqueceu que do outro lado tinha um surfista, apesar de limitado, inabalável. Um erro que pode custar mais tarde sua vaga nos top 5 com Andy Irons, Owen e C.J. fungando no cangote. Fanning é o camarada mais preparado do circuito, só mesmo Slater consegue perturbá-lo. Andy começa a mostrar sinais da ira que nos acostumamos e esta cada vez mais confiante e confortável no Tour. Taj é aquilo de sempre, um banana. Na hora do vamos ver, cai de maduro e deixa quem quiser bater sua carteira. O Careca malvado e seu rastro de fogo Maldição! Ele novamente. Sim o terrível vilão que já foi herói, virou vilão, transformou-se em herói para recuperar seus super-poderes e agora já não sabemos mais em quem confiar. Slater estuda com cuidado cada passo que dá. Tudo ali é calculado, ou parece calculado. A derrota pro Owen nos minutos finais serviu como espinafre servia ao Popeye. Se alguém gosta duma boa briga esse alguém é Slater. O Careca surfava todos dias antes e depois das suas baterias, ninguém mais no Tour faz isso. 38 anos e vencendo eventos com quatro disputas no dia final, forma física absurda e invejável. Já existe uma previsão de ondas de verdade para França e Portugal continua sendo a pedra no sapato do Careca. Será Jordy capaz de enfrentá-lo? Teria Dane a sorte de surfar 70% do seu potencial diante do Careca? Deixará Taj de ser uma eterna promessa e atacará sem misericórdia? Cenas dos próximos capítulos após o comercial… Confira o vídeo do dia decisivo: http://www.youtube.com/watch?v=rKhp4Mgm6Ic HURLEY PRO TRESTLES FINAL RESULTS: 1 – Kelly Slater (USA) 18.13 2 – Bede Durbidge (AUS) 14.13 HURLEY PRO TRESTLES SEMIFINAL RESULTS: SF 1: Kelly Slater (USA) 15.87 def. Mick Fanning (AUS) 10.43 SF 2: Bede Durbidge (AUS) 11.67 def. Dane Reynolds (USA) 9.63 HURLEY PRO TRESTLES QUARTERFINAL RESULTS: QF 1: Mick Fanning (AUS) 12.60 def. Kieren Perrow (AUS) 8.20 QF 2: Kelly Slater (USA) 17.03 def. Owen Wright (AUS) 15.97 QF 3: Bede Durbidge (AUS) 13.27 def. Jordy Smith (ZAF) 11.87 QF 4: Dane Reynolds (USA) 14.80 def. Taj Burrow (AUS) 12.90 HURLEY PRO TRESTLES ROUND 5 RESULTS: Heat 1: Kieren Perrow (AUS) 13.76 def. C.J. Hobgood (USA) 10.50 Heat 2: Kelly Slater (USA) 17.10 def. Chris Davidson (AUS) N/S Heat 3: Bede Durbidge (AUS) 11.40 def. Adrian Buchan (AUS) 7.47 Heat 4: Dane Reynolds (USA) 12.04 def. Damien Hobgood (USA) 10.73 ASP WORLD TITLE RACE TOP 5 (After Hurley Pro at Trestles): 1. Kelly Slater (USA) 40,000 pts 2. Jordy Smith (ZAF) 35,500 pts 3. Taj Burrow (AUS) 30,500 pts 4. Dane Reynolds (USA) 30,250 pts 5. Mick Fanning (AUS) 29,500 pts

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