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2 minutos

Por Daniel Stryjer No início dos anos 90, um amigo me jogou na mão uma fita cassete enquanto andávamos de skate pelas ruas do Uruguai. Vindo dele, tinha a certeza que era coisa boa. Tratava-se de uma coletânea de bandas argentinas de hardcore e punk, como Krisis Nerviosa, Diferentes Actitudes Juveniles, No Demuestra Interés, Buscando Outra Diversión etc. Havia músicas gravadas no melhor estilo “do it yourself” – as bandas dividiram os custos. Porém, no meio daqueles sons nervosos, dois soaram como hinos para mim: Ya No Sos Igual e Arrebato, as duas do grupo 2 Minutos. A primeira conta a história de um cara que jogava bola no bairro e virou polícia. Com sua 9 milímetros e bigodão crescido, ficava caguetando e enquadrando os antigos amigos da peleja. A outra falava de brigas na rua. Aquele gosto de novidade permanece até hoje quando aperto play para ouví-los. O golpe fatal seria o álbum de estreia, O Valentin Alsina (94) – nome do bairro dos integrantes da banda. O punk rueiro falava de cerveja, brigas, polícia, futebol, da batalha dos operários humildes, de extensas jornadas de trabalho por salários irrisórios, violência doméstica e, surpreendentemente, de amor. Depois saiu o Volvio la Alegria, Vieja! (95) reafirmando a banda como punk de qualidade, sempre com pegada bairrista, de bar e amores mal resolvidos, com a ironia chamuscando na ponta do pavio. A voz de Mosca é o ponto alto do 2 Minutos, além de seu carisma e sarcasmo que arranca sorrisos. Os hermanos também abordam temas sobre abuso de autoridade e mortes banais (Gattillo Fácil). A guitarra é rápida, carregada de ganchos pegajosos de poucos acordes e riffs, com uma bateria que acelera a melodia. Saíram mais 7 discos e o grupo completou 20 anos de história. Nunca perderam a ironia, a revolta produtiva, a esperança na América Latina e nas mulheres. Ah! E claro, cerveja até a morte. É uma pena que bandas como esta, com som cantado em espanhol, não são muito divulgadas no Brasil. No show de sábado à noite, dia 28, em Sampa, rolou um apanhado da carreira dos caras. A galera subiu pra cantar e não faltou energia no palco. Assim que acabou o show, fui trocar uma idéia com o Mosca e os demais integrantes. Ele pediu 2 minutos pra se trocar (tipíco, não!). Pensei que me deixaria falando sozinho, mas o cara voltou e conversou sem pressa. Perguntei se ainda morava em Valentim Alsina, e ele foi taxativo: Por supuesto! Falei que ele poderia ter cantado uma música que cita São Paulo, e ele, com cara de pirulito, disse que esqueceu… Caí na gargalhada. Era evidente seu humor e alegria em tocar aqui. Pergunto da cena Hardcore de Buenos Aires e ele responde que da fita cassete onde tudo começou, só restam eles e a banda Minoria Activa. E como foi abrir para o Motorhead no estádio do River Plate? Fue brabo! Na despedida, Mosca afirma que voltarão em dezembro para um show maior, e manda com sotaque carregado e jeitão descontraído. Los vemos. Cuidate, hermanito! Assista aos vídeos do show que rolou no Inferno, em São Paulo. Amor Suicida e Ya no Sos igual http://www.youtube.com/watch?v=e5a_kj7zsCU Valentin Alsina http://www.youtube.com/watch?v=MiXx6Q0IG0Q Caramelo de Limon http://www.youtube.com/watch?v=5r-ambeJyrY Borracho y Agressivo (com participação especial de Daniel) http://www.youtube.com/watch?v=TaXjHGcFHP0

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