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sábado, 13 abril, 2024
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A PRIMEIRA DE JORDY

Por Julio Adler Nada disso aconteceu por acaso, Jordy foi o melhor surfista do evento em todos os dias. Mesmo inseguro e aflito na primeira fase, suas ondas beiraram o impecável. Assistindo novamente as duas melhores ondas na primeira bateria que competiu em Jeffreys, Chris Davidson, Drew Courtney e Mick Campbell se assombraram, olharam um pro outro e fizeram a seguinte pergunta: “Isso foi um dez?” O recurso do vídeo pode ser cruel às vezes, como no caso do Adam Melling contra Jordy na final. Cada manobra do Jordy vale por 3 ou 4 do Melling, fato. A natureza foi generosa e paciente com o Billabong Pro de Jeffreys. As previsões indicavam um vento destruidor para essa manhã de domingo, e quando a direção da prova decidiu que a última bateria das oitavas daria início ao último dia de competição, pouca gente acreditou que seria uma boa decisão. Mike Parsons correu para tomar seu café, puro. Uma brisa do devil wind convidava a nova geração para os voos que nós acostumamos ver nos vídeos. Dusty Payne quase acerta um aéreo reverse que seria a manobra de evento. Não acertou e deixou o caminho livre para Adam Melling. No Modern Collective e BS, Dusty acerta todas manobras sem problemas, parece fácil e até banal. Na vida real, numa bateria, a realidade é diferente e Dusty precisa aprender a lidar com ela. Não deixa de ser um choque. Mal começou a primeira quarta de final, dois sul-africanos que estavam ao meu lado na área reservada apontaram para um peixe enorme que pulava a uns 70 metros dos competidores. “Você viu o tubarão que pulou ali atrás?” Perguntou um deles. “Dos grandes esse, viu a quilha dele?” Tentei identificar o bichão, mas infelizmente me falta o olhar especializado no assunto. Sei que a primeira onda do Jordy contra Mineiro foi muito bem julgada e que o brasileiro mal teve chances de reação numa bateria com apenas uma série. Adriano agora tem três quintos e um nono, numa consistência admirável e finca os dois pés no quinto lugar no ranking indo para o Tahiti. Bede x Sean Holmes foi uma batalha de surfistas pouco preocupados em agredir a onda como manda o figurino. Assistindo a bateria do Slater x Holmes hoje no vídeo, fiquei convencido que o Careca foi roubado. Talvez a pinta de roqueiro dos anos 80 do Sean tenha ajudado. Contra Bede não adiantou muito. Dane Reynolds entregou a bateria contra Taj, insistindo nos aéreos quando precisava apenas dum feijãozinho-com-arroz. O caminho de Taj para a final estava aberto e desimpedido. Preciso falar de Adam Melling contra Damien Hobgood? Não… Bede Durbidge entrou na semi para colocar Jordy contra a parede – e conseguiu. Pela primeira vez em todo evento, Jordy se viu numa situação desconfortável. Sua estratégia era sempre de abrir logo a disputa com pelo menos uma onda boa, quando não duas, e segurar a liderança até o final. Bede inverteu o processo. Jordy parecia perdido e pressionado, tudo indicava uma vitória relativamente fácil pro homem de gelo do Tour, como Bede é conhecido. Faltando menos de dois minutos, Jordy precisava duma combinação de duas notas acima de 6 e não havia movimentação alguma no outside. Foi quando algo estalou na cabeça do Jordy – “eu posso fazer isso”, deve ter pensado. O sul africano remou numa onda minúscula, fez tudo que cabia na sua infinita imaginação de garoto de 22 anos e saiu da combinação. Restava menos de um minuto e uma longa remada de volta ao pico. Série intermediária se aproxima, corre bem junto às pedras, Jordy ignora as adversidades, rema e surfa de forma brilhante até cair no final. Quase ninguém acredita que uma virada é possível. Viro para o camarada ao lado e digo, “He got it”. O camarada rebate, “Don’t think so”. Insisto, variedade, meu chapa, ele conseguiu a nota que precisava certo. Jordy vira e toda praia explode numa comemoração comovente. Ninguém percebe que Taj entrega de mão beijada a outra semi para Adam Melling. Ao menos teremos um campeão inédito em Jeffreys. A final é uma exibição solitária de Jordy. Quem se preocupa com Melling? Até agora ele teve apenas 33s e depois daqui provavelmente voltará para onde pertence, na parte de baixo do ranking. Depois de Jadson, Jordy é mais um local vencendo em casa, dois surfistas virgens da primeira colocação no World Tour. Slater cai para terceiro no ranking com o circuito indo para a última etapa antes do corte dos 44 para 32. Gente de baixo pode se ferir gravemente tentando sair do fundo do poço. Jordy e Taj vão precisar se reinventar para ameaçar de fato Slater nos caroços de Teahupoo. Os wildcards tahitianos são tão perigosos ou mais do que os locais de Jeffreys. Isso fica cada vez mais interessante. Confira o vídeo com os melhores momentos do terceiro dia: http://www.youtube.com/watch?v=ucAavCavnzs Confira o vídeo com os melhores momentos da final: http://www.youtube.com/watch?v=qqHWDEPT6-s Billabong Pro Jeffreys Bay Final Results: 1 – Jordy Smith (ZAF) 17.93 2 – Adam Melling (AUS) 10.00 Billabong Pro Jeffreys Bay Semifinal Results: SF 1: Jordy Smith (ZAF) 14.83 def. Bede Durbidge (AUS) 14.40 SF 2: Adam Melling (AUS) 14.00 def. Taj Burrow (AUS) 10.67 Billabong Pro Jeffreys Bay Quarterfinal Results: QF 1: Jordy Smith (ZAF) 16.43 def. Adriano de Souza (BRA) 9.20 QF 2: Bede Durbidge (AUS) 12.17 def. Sean Holmes (ZAF) 11.83 QF 3: Taj Burrow (AUS) 11.00 def. Dane Reynolds (USA) 3.66 QF 4: Adam Melling (AUS) 16.43 def. Damien Hobgood (USA) 5.67 Billabong Pro Jeffreys Bay Remaining Round 4 Results: Heat 8: Adam Melling (AUS) 17.07 def. Dusty Payne (HAW) 11.50 Current ASP World Title Race Top 5 (after South Africa): 1. Jordy Smith (ZAF) 28500 pts 2. Taj Burrow (AUS) 24750 pts 3. Kelly Slater (USA) 23500 pts 4. Dane Reynolds (USA) 20000 pts 5. Adriano de Souza (BRA) 19500 pts 6. Mick Fanning (AUS) 19250 pts 7. Bede Durbidge (AUS) 18750 pts 8. Bobby Martinez (USA) 16500 pts 9. Jadson Andre (BRA) 16000 pts 10. Joel Parkinson (AUS) 14750 pts

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