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ALTERNATIVA AGAVE

Por Luciano Burin / Fotos Álvaro Walendowsky Produzidos a partir de matéria-prima natural e biodegradável, os blocos de pranchas de surf de madeira Agave se apresentam como uma alternativa interessante aos tradicionais (e poluentes) blocos de poliuretano e isopor na indústria do surf. Batizado de Agave Hunter, o premiado projeto desenvolvido pelo surfista e estudante de oceanografia Marcelo Ulysséa, junto com a engenheira civil e pós-graduada em meio ambiente Marcella Silvestro, promove o aproveitamento do pendão floral descartado do Agave – cujas folhas são usadas em larga escala na fabricação de sisal – para a produção de blocos ecológicos. A seguir, ela explica um pouco mais sobre este projeto inovador: Como funciona o processo de produção desta matéria-prima? Com qual volume de Agave vocês trabalham atualmente? A produção é feita em fazenda de sisal do Nordeste. O Brasil é o maior produtor mundial da Agave e o pendão floral é considerado descarte, sendo utilizadas somente as folhas. Também realizamos um manejo das plantas, retirando-as do ambiente natural (onde ela é exótica e invasora) e plantando em ambiente controlado. Vale ressaltar que a madeira é retirada da planta já morta, no fim do seu ciclo de vida. Como está a produção atual das pranchas com Agave? A fábrica está em funcionamento, em Itajaí (SC). Como o inverno é uma época de baixa temporada nas vendas de blocos, estamos preparando o estoque para a temporada 2010/2011. Quais os principais desafios comerciais e de produção encontrados para levar este projeto adiante? Comercialmente é um produto novo no mercado, então até o consumidor conhecê-lo e aprová-lo leva algum tempo. Mas já estamos tendo um retorno positivo das pessoas que compraram os blocos. Na produção o desafio é diminuir o tempo de fabricação de cada bloco. Eles são feitos um a um, estudando-se a melhor forma de aproveitamento da madeira para cada tipo de prancha. Fale um pouco dos apoios que vocês têm conseguido para o projeto Agave Hunter? Em setembro de 2009 nosso projeto foi selecionado pela FAPESC (Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica de SC) e tivemos 50 mil reais de incentivo para montar a fábrica de blocos de madeira. Em novembro, no prêmio Santander, ficamos entre os 6 melhores projetos do Brasil na área de indústria. Este ano estamos correndo atrás de outros incentivos e investimentos. Como você compara as características técnicas e estéticas de uma prancha de Agave com um modelo convencional? A prancha de Agave é única, não consigo reproduzir uma igual a outra, porque cada tora de madeira tem suas “digitais”. A coloração da madeira também colabora para a exclusividade de cada prancha. Tecnicamente os blocos podem ser utilizados para qualquer tipo de prancha, desde pranchões clássicos até pranchas de performance. Apesar de ser uma madeira leve, o peso era um fator limitante para as pranchas de performance. Mas desenvolvemos uma técnica especial de secagem e colagem, o que nos proporciona fabricar blocos mais leves e ideais para este tipo de prancha. Quais as outras possíveis aplicações industriais do Agave? Estamos estudando outras aplicações para a madeira e também para o seu resíduo. Já desenvolvemos laminados que podem servir como painéis decorativos e tampos de mesa. Recentemente descobrimos uma aplicação para a serragem, mas isto ainda é segredo, pelo menos até efetuarmos os testes. Onde podemos encontrar as pranchas Agave Hunter? Temos algumas espalhadas pelo Brasil e também alguns shapers que já estão produzindo, como Henry Lelot e Thiago Castilho no Rio de Janeiro; Hilto Issa na Bahia; Gregorio Motta da Aerofish em São Paulo, Ogro Surfboards no Rio Grande do Sul; Stem Winder no Paraná; Ricardo Kertiscka em Santa Catarina e o Gary Linden na Califórnia. Quem desejar comprá-las deve encomendar diretamente na fábrica ou com os shapers. Elas são fabricadas de acordo com a necessidade de cada cliente com relação ao tamanho, peso e utilização. Como você enxerga o processo de busca por produtos sustentáveis no mercado de surf, por parte da indústria e dos consumidores finais? Isso é uma tendência mundial, não só no mercado do surf como em todas as outras áreas. A importância da preservação dos recursos naturais está sendo cada vez mais discutida e as pessoas estão cada vez mais conscientes de que precisam buscar produtos sustentáveis para contribuir com esta preservação do planeta. Falando precisamente do surf, que é um esporte extremamente ligado à natureza, a necessidade é crescente de se utilizar cada vez mais equipamentos ambientalmente corretos. Para saber mais sobre o projeto Agave Hunter clique aqui. Luciano é autor do blog http://www.surfecult.com

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