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Ítalo Ferreira: “Aqui é o meu lugar”


Italo Ferreira comenta as principais mudanças após a entrada na elite mundial. Foto: Oakley Brasil

Por Alexandre Versiani
Da Gold Coast, Austrália

O brasileiro Italo Ferreira, 20, fez a sonhada estreia na elite profissional no último sábado (28/02), durante o Quiksilver Pro, etapa do WSL (World Surf League) que rola até o dia 11 de março na Gold Coast, Austrália.


Logo de cara, o potiguar, natural de Baía Formosa, encarou dois surfistas já consagrados no Tour: o aussie Julian Wilson e o norte-americano Kolohe Andino. O brasileiro chegou a arrancar a maior nota da bateria (8.30), mas viu Julian surfar duas ondas consistentes e vencer a disputa. 


Agora o estreante enfrenta o australiano Adrian Buchan na nona bateria da repescagem. Confiante, ele conversou com a equipe da HARDCORE durante o day-off do Quiksilver Pro na última quinta e falou sobre a expectativa para a sequência do evento. 

Como você avaliou sua estreia?

A bateria foi boa. O Julian e o Kolohe são dois caras muito fortes no circuito e infelizmente na hora da disputa as ondas pioraram. A maré encheu, o vento entrou e as séries começaram a demorar muito. Foram poucas ondas surfadas, mas acredito que fui bem para uma estreia. Acabei fazendo a melhor nota da bateria, mas infelizmente a minha segunda onda não foi tão boa. O importante foi que consegui soltar meu surf e me divertir, mesmo sabendo da responsabilidade que é estar no Tour.

Com tantos dias sem campeonato os surfistas acabam perdendo um pouco de ritmo?

Sim, com certeza, mas estou sempre procurando fazer alguma coisa. Seja correr na praia, fazer algum exercício em casa ou treinar nas marolas. Estou muito ansioso pra entrar na água novamente. 

Dizem que o evento pode mudar para Duranbah…

Lá é uma onda boa também, mas o ideal seria competir em Snappers perfeito. Imagina estar no pico só com dois caras na água e poder escolher a onda que quiser. Mas Dbah também é uma praia com altas ondas. Só espero que na próxima chamada já tenha onda pra gente voltar pra água, independente do lugar.


Italo tem o backside como um dos seus pontos fortes. Foto: WSL/KC 


O que mudou na sua vida depois de entrar no Tour?

Mudou bastante. As pessoas e a mídia começaram a olhar um pouco mais pra mim. No início quase ninguém me conhecia, apareci do nada. Ano passado competi um campeonato no México, fui bem e consegui os pontos pro Prime. Em Maresias, eu sabia que havia a oportunidade de sair já com uma vaga na elite. Então trabalhei bastante, foquei e consegui o resultado.


Como foi a sua preparação para essa temporada?

Optei por ficar em São Paulo treinando no Instituto Mar Azul, que conta com preparador, médico, fisioterapeuta, psicólogo e toda a estrutura para um atleta. Também passei um tempo surfando com o Miguel em Maresias e pegando algumas dicas.

Além do Miguel, os brasileiros do Tour já te deram algum conselho?

Eu estou sempre viajando com o Jadson, que é meu parceiro de equipe. Ele sempre me dá uns toques na hora que eu erro. O Jadson é um cara que já está há muito tempo no circuito, então é bom absorver algumas coisas. 


Italo não exita em voar quando as rampas aparecem. E o repertório é grande! Foto: WSL / Damien Poullenot/ Aquashot


Como está sendo a viagem na Gold Coast? Já conhecia a cidade?

Já conhecia. Em 2013 estudei inglês aqui. – um mês estudando e peguei alguns dias bons em Snappers e Kirra, mas nada comparado ao swell do final do mês passado. As ondas estavam perfeitas graças ao ciclone Marcia. Era um metro e meio correndo a praia inteira, e quando chegava em Kirra era só tubo. Foi uma semana inteira de muitas ondas. 

Em quais pontos você acha que pode surpreender os juízes e onde acha que pode melhorar? 

Acho que posso surpreender com as manobras aéreas e o surf de backside, no qual acredito que consigo o meu melhor desempenho. De backside me sinto mais à vontade e mais confiante. Um ponto que posso melhorar é nos tubos e nas manobras de linha de frontside. Esse ano vou fazer algumas viagens para aprimorar essa parte.

Qual é o seu objetivo esse ano no Tour? Você traçou alguma meta?

Estou sem pressão nenhuma, surfando tranquilo. Lógico que sabendo da responsabilidade e com foco para não sair da elite. Sempre foi meu sonho estar aqui, é o meu lugar, e agora quero ficar por muitos anos. Vou correr atrás para ficar entre os melhores e quem sabe ser o rookie do ano. 

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