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Vidas em Risco: Mike Parsons

Por Kevin Damasio

Onda gigante na cabeça, vacas sinistras, doenças graves, ferimentos sérios… Esses são alguns dos perrengues aos quais nós, surfistas, estamos sujeitos. Na série Vidas em Risco, conheça a cada segunda-feira histórias de superação de personagens que por pouco não enfrentaram consequências ainda piores, como até mesmo a morte. Em um dia grande em Mavericks, Mike Parsons caiu em uma onda que dropou com Brock Little, encarou um perrengue submerso e viu o amigo Mark Foo morrer.

 


Mike Parsons (esquerda) tomou várias bombas na cabeça após cair na onda que dividiu com Brock Little, em Mav’s. Foto: Bob Barbour

Um swell grande atingiu a costa de Half Moon Bay, na Califórnia, às vésperas do Natal, no dia 23 de dezembro de 1994, e os big riders compareceram em peso em Mavericks. Por volta das 11h20, o vento mudou de direção e a correnteza puxava os surfistas para as pedras. Mark Foo entrou em uma bomba de 15 pés, se desequilibrou e caiu de peito na água. Na onda seguinte, Brock Little e Mike Parsons desceram. À frente, Parsons caiu enquanto completava o drop. Já Little, mais atrás e em pé na prancha, foi engolido pela enorme massa de espuma branca. Era o começo de um dos dias mais trágicos da desafiadora Mavericks.

Parsons ficou preso embaixo d’água por duas ondas. Sem ar, subiu para respirar, mas tomou mais outras duas bombas na cabeça. Enquanto estava submerso, sentiu alguém encostar nas suas costas. Pensou que fosse Brock. “Ele estava se afogando também. Senti que ele vinha por baixo de mim, e ele não subiu para a superfície depois da primeira onda. Fomos separados e arremessados em direção às pedras”, contou Parsons. No entanto, não era Brock que tentava subir.

Jeff Clark, que descobriu Mavericks em 1975, lembra da cena: “Parsons disse que Brock tentava subir para a superfície. Mas não percebeu que, naquele momento, Brock estava de pé. Era Foo quem tentava subir para a superfície, o que confirma que ele estava preso embaixo d’água”.

Depois do perrengue, Parsons, com sua gun amarela e branca, e Little, sem a prancha, saíram pelas pedras. “Achei que fôssemos morrer”, comentou Parsons, ao voltar para o barco, ofegante e com dor nas costas. Brock decidiu voltar ao lineup, onde todos perguntavam por Mark Foo.


Na onda anterior à de Parsons e Little, Mark Foo se desequilibrou e caiu. O havaiano foi encontrado morto horas depois. Foto: Bob Barbour

A vaca quase fatal foi apenas o primeiro momento ruim para Parsons naquele dia. Todos procuravam por Foo. Evan Slater, antigo editor da Surfing o encontrou uma hora depois. Estava boiando, com a face virada para a água e com sangue na gunzeira. “Segundo exames médicos, Foo foi nocauteado pela própria prancha e ficou inconsciente. Sua prancha quebrou em duas. E a parte presa na perna pelo leash se tornou uma âncora, o puxou para baixo e o afogou”, publicou o jornal New York Times dias depois da fatalidade.

Logo que saiu do mar, Parsons, chorando, ligou para seu pai. “Mark Foo… Ele está morto. Acabaram de tirá-lo da água. Ninguém tinha visto ele. Eu não tinha visto ele. Não sabia. Eu estava bem ao lado dele”, disse, desesperado. “Eu pensei que fosse o fim, pai.”

Apesar da gravidade dos acontecimentos daquele dia, a carreira de Mike Parsons como big rider prosperou nos anos que se seguiram. Em janeiro de 2001, ele surfou de tow-in uma bomba de 66 pés em Cortes Bank, a 160 quilômetros da costa californiana, que lhe rendeu o primeiro prêmio do XXL, o “Oscar das ondas grandes”. Em 2008, Parsons conquistou o bicampeonato pela maior onda no mesmo pico ao descer uma montanha de 75 pés, a maior já surfada até 2011.

Mark Foo foi homenageado no filme Riding Giants. Confira abaixo trecho que mostra a session de Mavericks. 

[vimeo 49425260 w=600 h=330]

*Esta matéria é parte da reportagem publicada na HC 289, edição de outubro de 2013

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