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Vidas em Risco: Keala Kennelly

Por Kevin Damasio

Onda gigante na cabeça, vacas sinistras, doenças graves, ferimentos sérios… Esses são alguns dos perrengues aos quais nós, surfistas, estamos sujeitos. Na série Vidas em Risco, conheça a cada segunda-feira histórias de superação de personagens que por pouco não enfrentaram consequências ainda piores, como até mesmo a morte. Dias após encarar o megaswell de Teahupoo, em 2011, Keala Kennelly caiu em um dia menor – e se arrebentou nos corais.


Após dois dias do Code Red, Keala Kennelly caiu de cara no reef de Teahupoo, em um mar menor. Foto: Pete Frieden/A-Frame 

No maior swell da história de Teahupoo, conhecido como Code Red, que aconteceu no dia 27 de agosto de 2011, Keala Kennelly impressionou. O lineup estava repleto de big riders renomados. Das três bombas que dropou, ela saiu de um tubo na baforada, fazendo jus ao pioneirismo em Chopes – ela foi a primeira mulher a fazer tow in no reefbreak taitiano, em 2005. Mas não imaginava que o pior a aguardava dois dias depois, da mesma forma que ocorreu na sua primeira estada no Tahiti, quando bateu a cabeça no reef.

Keala participava da expression session em homenagem a Andy Irons, com ondas de 6 pés. Em uma delas, a havaiana passou pelo pior momento da sua vida no mar: “Parecia uma onda normal. Viajei por um tempo no tubo e tive que negociar com a foamball, que me jogou para fora e me fez desenhar outra linha. Pensei que fosse sair do barrel, mas o lip bateu na minha cabeça e me jogou direto para o reef, antes mesmo de eu perceber o que havia acontecido”.

A surfista que nasceu no Kauai esfolou a cara nos corais afiados e foi resgatada pelo water patrol do campeonato. Muito sangue escorria pelo ferimento até chegar à água. Keala foi levada para a tenda médica na hora. “Eu estava triste, pois sabia que tinha batido o rosto. Mas pensava que era apenas um arranhão”, diz. As pessoas a olhavam assustadas, mas ela só soube da gravidade da situação quando estava na ambulância, 20 minutos depois, quando o médico tirou uma foto com o celular. “Eu tomei um susto. Era muito pior do que imaginava. O osso aparecia e o corte estava a poucos milímetros do meu olho direito. Precisei sentar… Estava em choque.” Para suportar a dor, a havaiana, que não acreditava que uma onda de 6 pés poderia provocar tanto estrago, estava sob os efeitos da morfina.

Acompanhada por Mary, a médica do campeonato da ASP, Keala foi levada para o principal hospital do Tahiti, em Papeete. Logo que chegou, os médicos a conduziram para a radiografia, para saber se havia fratura nos ossos da cabeça e do pescoço. Mas nada foi identificado. Então era a hora da cirurgia.


Keala precisou tomar 51 pontos externos para reconstituir o rosto, que esfolou no reef de Chopes. Foto: Pete Frieden/A-Frame

Primeiro, o coral que estava dentro dos ferimentos foi removido. Depois, o médico costurou o machucado profundo próximo ao olho e os cortes na cabeça, no queixo e no maxilar. Ao todo, Keala  precisou tomar 51 pontos externos e muitos outros internos, que foram absorvidos pelo corpo. “O tratamento em Papeete foi incrível. Quando cheguei ao Hawaii e fui examinada, o médico disse que tinham feito um ótimo trabalho para juntar meu rosto novamente”, recorda Keala.

“É inteligente ter um medo saudável daquela onda. Dias com ondas menores podem ser mais perigosos, pois nós baixamos a guarda”, explica Keala. O perrengue não abalou a performance da havaiana em ondas grandes, que foi considerada a melhor big rider no XXL 2013.

Veja abaixo o vídeo da onda e do acidente de Keala Kennelly.

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=toctsPIioJU?rel=0&showinfo=0&w=600&h=338]

*Esta matéria é parte da reportagem publicada na HC 289, edição de outubro de 2013

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