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quinta-feira, 23 maio, 2024
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Entrevista: Kelly Slater

 

Confira abaixo a entrevista traduzida.

Pode me dizer quais são os conceitos da sua nova marca?

Sabe, isso é uma coisa que ainda estou segurando. Não quero falar muito sobre isso até estivermos prontos. Eu sei exatamente como é. Ainda estamos criando [a marca] e estamos tentando encontrar o que nós somos, onde estamos indo e que mensagem queremos passar, entende? Então isso é tudo o que posso dizer. Estamos começando isso nesse momento. É divertido, cara. Eu me sinto muito abençoado por ter essa chance.

Sobre São Conrado, você sabe de toda a situação que envolve poluição?

Ouvi falar. É terrível. Quando surfei lá outro dia cheirava muito mal, cara.

O que você diria sobre as condições das praias em geral, toda essa poluição, no mundo todo?

Sabe, em certos lugares como São Conrado, você surfa e pensa: “Uh, cara, essa água é ruim”. Você sabe disso, mas as ondas são boas, então você fica e surfa. A água mais fedida que já estive foi na França. Tinha um esgoto caindo direto no mar onde nós estávamos surfando. Era nojento.

Em Hossegor?

Não. Hmmm… Era próximo de Bidart… Guéthary. Uma onda no sul de Guéthary. E ficava logo à direita de uma indústria. Eles simplesmente despejavam tudo direto no oceano. Eles nem se preocupavam em redirecionar para uma milha distante ou para algum outro lugar… Era simplesmente perto da praia. Era realmente nojento. Mas olhe à sua volta, olhe quantas pessoas estão aqui, sabe? Pense em todo o lixo que você produz em um dia, ou que eu produzo em um dia… É muito difícil, sabe? Alguém realmente precisa trabalhar na infraestrutura, e pensando para frente, para daqui 20, 50 anos.

Às vezes eu me sinto muito culpado por… ahn… você sabe, todas as coisas que tenho na vida, coisas que você compra, toda a comida que você come, o plástico – tudo o que se bebe em garrafa plástica. Pense em quantas milhões de garrafas são descartadas todos os anos… Grande parte simplesmente vai parar no oceano. E as pessoas pensam que o oceano é grande o suficiente para suportar isso. É triste, cara. É muito complicado. Quero dizer, a Terra não terá menos pessoas em um futuro próximo. A população está ficando grande, e muito rapidamente.

Infelizmente, muitas vezes nos países pobres existem mais crianças, porque eles querem crianças para ajudar as famílias. É parte da estrutura social. E… então… você sabe, muitas vezes a população está explodindo muito rápido nesses lugares, e não há tanta infraestrutura para lidar com isso na Terra. Sabe, nós somos capazes de produzir comida… Eu acho que existe comida o suficiente no mundo. A distribuição é que é o problema. 

Quando começo a pensar nisso, entro em tantos assuntos, entende? Sobre a qualidade de vida das pessoas. Se elas podem esperar estabilidade financeira ou a igualdade entre ricos e pobres… Existem tantos assuntos que leio muito a respeito, com que fico agitado, que quero saber… Mas esses são realmente temas complicados. Pessoas que estão ganhando muito dinheiro querem ter segurança. E pessoas que querem tentar ganhar dinheiro… Às vezes isso torna as pessoas desesperadas, e elas fazem coisas ruins. E então os caras ricos fazem algo ruim e não parece tão mal, porque eles são ricos ou algo do tipo. É injusto. Mas esse é o mundo, e cabe apenas ao indivíduo viver como bom cidadão, cuidar das outras pessoas e tomar conta de si mesmo.

*A reportagem sobre a conversa com Kelly Slater e a situação de São Conrado foi publicada na HC de junho, que está nas bancas

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