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Surfista resgatado nas Mentawai

 


Brett Archibald no Barrenjoey, barco em que foi resgatado. Foto: Jean-Marc Tostee

Por Kevin Assunção

Depois de 28 horas à deriva no oceano, o sul-africano Brett Archibald, de 50 anos, foi resgatado pelos australianos a bordo do barco Barrenjoey, comandado pelo capitão Tony Eltherington.

Ele foi encontrado vivo, com queimaduras de sol e desidratado, a 19 quilômetros da ilha Sipora, nas Mentawai, às 7 horas da manhã desta quinta-feira (18).

“O capitão já tinha organizado toda a operação de busca e resgate, e foram justamente eles que me encontraram”, disse Brett à revista australiana Surfing Life.

“Vi os mastros e comecei a nadar em direção a eles. Obviamente estavam tentando me encontrar, mas não vinham em minha direção e me perderiam por 200 metros”, conta o sul-africano.

Sem poder assobiar, porque sua boca estava muito seca, Brett começou a gritar: “Uma hora eles identificaram de onde vinha o barulho, me avistaram por binóculos e vieram me resgatar”.

Do Barrenjoey, Brett conversou por telefone com sua esposa Anita, às 9h15. De acordo com Craig Lambinon, da National Sea Rescue Institute (NSRI), que participou da operação, ele disse à mulher que quase se afogou por pelo menos oito vezes durante as 28 horas e que queria terminar a surf trip antes de voltar para casa, porque não viajou até lá para ficar boiando por 28 horas.

Para a Surfing Life, Brett falou: “Ainda temos oito dias de viagem, e não posso ir para o hospital, temos que surfar”. O sul-africano ainda disse que, segundo o médico, estará bem em até dois dias. Por enquanto, ele está “com o fígado e os rins estragados, o nível de açúcar no sangue baixo e os batimentos cardíacos ruins”.   

À deriva

Archibald contou que saiu da cabine às 3h15 da madrugada para urinar e beber um pouco de água, mas que se sentiu mareado e vomitou bastante, no mar, por duas vezes.

“Depois acho que apaguei enquanto sentia náuseas. Não me lembro de ter caído. Acordei quando já estava na água e vi o barco a 100 metros de mim, indo embora, e pensava que era o fim”, disse.

Brett então pensou que precisaria se ficar calmo, porque o barco retornaria para resgatá-lo. “Eles voltaram, mas estavam a cerca de 250 metros de mim e não conseguiram me ver. Então, eles passaram por mim e eu sabia que realmente estava em perigo”, falou.

Durante a noite, ele disse que tubarões nadavam bem próximos, e que também foi queimado por águas-vivas e bicado no nariz por gaivotas “que tentavam arrancar meus olhos”.

“Realmente tinha desistido”, contou. “Eu me segurei embaixo d’água e disse: ‘Que se dane, não consigo continuar’. Mas não conseguia engolir água, e nem fazer meu pulmão receber água. Então me recompus e disse: ‘OK, nós precisamos continuar’”, completa.

“Eu vi um barco de pesca sair e pensei: ‘OK, ele vai me buscar’. Ele veio em minha direção, mas depois virou para o porto e caiu fora. E eu não o vi de novo. Depois vi o barco que estou agora [Barrenjoey]. Esses australianos apareceram do nada e estavam loucos”.

Leia mais sobre o início da operação de buscas e resgate aqui.


Brett, no centro e com a corda do chapéu amarrada no pescoço, ao lado dos amigos, no barco Naga Laut.


Brett foi encontrado a 19 quilômetros da ilha Sipora, nas Mentawai.

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