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03. Mineiro vence no Rio e lidera o WT

Num momento histórico para o surf brasileiro, Adriano de Souza vence a terceira etapa do WT 2011, no Rio de Janeiro, e põe, pela primeira vez na história, a bandeira brasileira no topo do ranking da elite mundial do surf. Leia abaixo o relato de Julio Adler e relembre este marco do surf brasileiro e mundial.

"Maneiro Mineiro!

Nada mais importa.

Quem foi ao saite da ASP hoje encontrou no topo do ranking mundial do WT, pela primeira vez desde sua criação há quase 30 anos, um brasileiro.

Se o Billabong Rio Pro foi uma sucessão de equívocos, ninguém jamais lembrará. A única coisa que realmente interessa é a vitória do Mineiro.

Não houve alma viva que não se emocionou vendo a forma como Adriano desmontou depois de anunciado o resultado.

O sonho do menino virou realidade e hoje o Homem lidera seu rebanho.

Ninguém resumiu melhor o evento do que Teco Padaratz no seu discurso final,

Obrigado Netuno por ter mandado as ondas certas para o Adriano vencer o campeonato!

Perfeito Teco.


Um floater abre novos negócios


Quando a ASP ainda nem existia e o IPS regulava um emergente esporte de jovens cabeludos nos anos 70, disputas eram vencidas no grito, por intimidação ou mesmo em troca de pequenos favores.

O surfe evoluiu, profissionalizou-se, chegamos nos anos 80 e o grito, a intimidação e os pequenos favores também se profissionalizaram.

Os métodos e critérios de julgamento foram mudando, ano a ano.

Ficava cada vez mais difícil para um juiz maquiar um resultado.

Entra Steve Fookes, anos 90, faixa preta de karate, juiz chefe, nunca levou desaforo pra casa.

O julgamento finalmente se moderniza e ai de quem disser o contrário.

Só assim Potter pode ser campeão mundial.

Sua principal arma? Floaters.

O ano é 1989.

Corta pra 2011, bateria do Mineiro contra Owen Wright.

A praia emudece esperando pela última nota do australiano. Os dois surfistas já estão fora d’água e a tensão é tão presente quanto o sol queimando nas costas.

Owen precisa de 6.74 e tira 6.6.

A praia vai a loucura. Owen e Mineiro vão a loucura, cada um do seu jeito.

Owen arremessa sua prancha ao chão.

Mineiro levanta sua prancha como um espada ao fim da batalha, mostrando sangue adversário escorrendo pela lâmina.

Na entrevista após a bateria, o sempre simpático Owen Wright sente o gosto amargo e destila algum veneno, eu não sabia que estava no Tour pra dar floaters… diz ele.

Mineiro venceu a disputa com a mesma manobra que alavancou a carreira de grandes surfistas dos anos 80 e 90, Richie Collins, Nicky Wood e Peterson Rosa.

Um floater numa onda quadrada lhe rendeu a vitória mais contestada do evento.

O juiz francês chegou a dar uma nota 9 ao floater do Mineiro.

Não podem acusar um francês de patriotismo aqui no Brasil, podem?

Então vejamos, o palanque fica localizado entre a praia e a calçada da Barra da Tijuca, cercado de torcedores fervorosos por todos lados.

Num momento tenso como esse, quem tem cu, tem medo.

Ou vocês acham que um juiz marcaria um pênalti contra o Brasil no Maraca nas quartas-de-final duma copa do mundo?

Foram muitos anos de resultados estranhos sempre pendendo mais pro outro lado e agora chegou a hora dos australianos e americanos sentirem o desconforto que é ganhar e não levar.

Dane-se se Owen ganhou, o que nos interessa é que Mineiro levou.

E não se fala mais nisso.

A revanche

Quando a final começou no Rio de janeiro, Taj era campeão e ao Mineiro restava o espetacular feito de chegar a mais uma final.

Mineiro tem outros planos.

Em 2009 tudo parecia tão certo…

Jadson foi a bola da vez em 2010 e desta vez nada nem ninguém podia se meter entre Adriano e o título.

Não nesse Rio de Janeiro, praia lotada, torcida vibrando a cada movimento e uma energia tão potente capaz de deter gringo e impulsionar brasileiro.

Taj pode ter sido o surfista do evento, mas não vai sair daqui com nada além dum segundo.

Podemos sentir a raiva na primeira boa onda do Mineiro.

As vacas do Taj são comemoradas como gol, talvez ainda mais do que as manobras do Mineiro.

O resultado polêmico e injusto da bateria na quinta fase da primeira etapa está engasgada. Mineiro quer vingança e Taj nada pode fazer diante do desejo de dezenas de milhares de torcedores fanáticos, seja de pé na praia, seja online.

Aqui o campo não é neutro, é nosso.

Até a bola é nossa!

Aqui mandamos nós.

Taj se intimida.

Mineiro se agiganta.

Anunciado o resultado, o brasileiro mal pode acreditar que depois de tantos anos chegou sua vez de olhar pra baixo e ver todos eles, Slater, Parko, Fanning, Taj, Jordy…

Todos abaixo.

É chegada a hora, sempre há uma primeira vez.

Obrigado Netuno pelas ondas que mandou pro De Souza.

Em Jeffreys Bay, Mineiro vai usar a camisa com o numero 1 nas costas."

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