Medina não precisa de conselhos. Precisa agora é de espaço.
Slater twitou (existe o verbo?) ontem a noite, parabens pela vitória! vai mais devagar, senão quando chegar aos 20 voce já estará aborrecido.
Faz sentido. O impacto de Medina no surfe profissional é assustador.
Ganhou seu primeiro evento verdadeiramente grande com espantosos 15 anos de idade, com 16, bateu todos recordes conhecidos e desconhecidos pela ASP relacionados a pontuação, precocemente no World Tour no corte de 2011 e duas vitórias em quatro etapas como top 32 – tirando o convite pra correr Bells no início do ano.
Ninguém teve uma estreia igual no circuito mundial.
Slater fez três finais até finalmente conseguir ganhar seu primeiro evento, sexta etapa de1992. Por que citar tanto Slater quando a vitória é de um brasileiro?
Porque uma vez mais o Rei foi derrotado por um conterrâneo nosso em rumo ao título.
Na França, Slater foi demolido por Medina, em Portugal foi neutralizado por Adriano e agora foi uma vez mais subjugado por Medina.
Esse fato seja talvez mais relevante e significativo do que os dois títulos do Medina.
São ao todo quatro eventos dominados pelos brasileiros nesses últimos 40 dias, duas etapas na Europa, duas no norte da Califórnia, todas em ondas absolutamente diferentes uma das outras.
O ataque é coletivo e múltiplo, como eles dizem em inglês, você pode correr, mas não pode se esconder – estamos em toda parte. Foi curioso ver o resto do mundo torcer, em vão, contra Alejo e Medina em São Chico. E quando falo do resto do mundo, me refiro ao próprio mundinho competitivo que circula pela palanques da ASP com seus smartphones teclando freneticamente.
Alejo foi contundente na sua campanha em SanFran. Fez do Bret Simpsom gato e sapato, mostrando como se usa a borda quando a onda pede e trazendo sua prancha de volta com violência e precisão.
A diferença entre os dois era tão grande que Simpo em determinados momentos parecia um desses wild cards que tem seu grande momento no evento local, melhor dizendo, uma galinha de angola ciscando diante dum Pterodáctilo faminto. Na bateria seguinte, Simpo torcia pro Parko bater quem o humilhou publicamente na esperança de redenção. Não teve sucesso.
Alejo ocupa a décima colocação no seu primeiro ano entre os top 32, Simpo (coitadinho) nem entre os top 16 está – e Alejo tem cinco anos a menos que o herói local de Huntinghton Beach…

Medalha, Medalha, Medalha

Lembram do Muttley do desenho A Corrida Maluca? Cada vez que recebia uma nova medalha, Muttley abraçava-se feliz da vida, dava um salto no ar e descia leve como uma pena.
Como Medina, que acabou com o apelido de Gabriel Medalha pelos seus amigos, pela facilidade que ganha as medalhas ou campeonatos.
A diferença é que Medina voa antes de ganhar as medalhas…
Contra Joel Parkinson na final, Medina optou pelo jogo improvável de surfar direitas, quando todos esperavam que o goofy surfaria apenas pra esquerda, espancando as ondas com pressão e velocidade como um jovem veterano em situações tensas como essa.
Sua estratégia foi igual a do Slater, surfar uma onda logo ao soar da sirene pra começar a bateria, meter pressão no adversário e construir sua liderança sempre em vantagem – exatamente como Mineiro fez em Supertubos.
Claro que a todos pentelhos de plantão irão apontar Pipeline como provável ponto fraco do Medina. Não será a primeira vez, isso já foi tentado, sem sucesso, pelos australianos no inicio dos anos 90 contra Slater.
Jamie O’Brien, um dos 3 melhores surfistas de Pipe, já se ofereceu pra ajudar Medina no pico em frente a sua casa – em troca de apresentar algumas gatinhas brasileiras…
Fato é que Gabriel está em 18º lugar no ranking com apenas cinco eventos computados, na frente da metade dos seus companheiros de circuito, a maioria deles contando 10 etapas.
O evento só não foi melhor pro Brasil porque Mineiro caiu pra quarto e precisa agora dum bom resultado em Pipe para subir pra terceiro e, por que não?, segundo.
Pra isso, precisamos torcer pela queda do Parko, Taj e Owen antes do Mineiro.
Esse ano corre o grande risco de termos 4 surfistas entre os top 16, coisa que não acontece desde 1994 – com Teco, Jojó, Fabinho e Victor, sem contar Renan em 17!
Como disse Shea Lopez, é melhor os gringos começarem a aprender Português.