Miguel Pupo fez o que pode para evitar o décimo primeiro título de Kelly Slater, mas a vitória foi mesmo do Careca. Foto ASP.

Nessa altura do campeonato todos já sabem que Slater venceu seu décimo primeiro título pela segunda vez em menos de 4 dias e que a credibilidade da ASP está tão sólida como uma gelatina – antes de ir pra geladeira.
Dizem que Andy Irons fez das suas assombrando seus desafetos, afinal de contas Andy era um dos grandes críticos do circuito e do rumo que a ASP estava tomando. Fica claro que aquilo que falta à entidade – sempre faltou- é humor para lidar com seus contratempos.
Transtornos acontecem todo tempo no mundo esportivo, o problema é que a ASP escolhe tratar seus problemas com pouquíssima (ou nenhuma) transparência sem motivo aparente.
Senão vejamos, um sujeito de alcunha Mark, posta uma pergunta nos comentarios logo abaixo da noticia do 11º do Careca e deixa a questão no ar por dois dias.
Slater, que não é nada bobo, refez as contas, tirou uma foto do comentario com seu celular, ligou para alguem na ASP e avisou do erro. ASP imediatamente refez as contas e descobrirarm que o erro era no sistema de computar os pontos.
Caso Kelly ficasse em nono SanFran e perdesse de primeira em Pipe e Owen ganhasse as duas proximas etapas, os dois empatariam nos 9 melhores resultados e iriam para o desempate nos 8 melhores…e é aqui que o sistema empacou. Porque no novo livro de regras da ASP (Artigo 6), em caso de empate haveria uma bateria extra para decidir o titulo mundial. No antigo livro de regras, a ASP iria contar os 8 melhores resultados e assim por diante até chegar ao desempate. O problema é que o sistema de computação foi buscar o desempate nos resultados de 2010, como no one world ranking e induziu a ASP e todo resto do mundo – exceto Mark – num erro monumental.
Nada que nos deixe tão constrangidos que não possamos fazer um pouco de graça.
O surfe sempre teve essa suposta bandeira da liberdade e espírito leve e feliz associado a nossa imagem. Aparentemente a ASP usa esse discurso apenas quando interessa.
Depois da bateria que, finalmente, lhe deu o título da temporada 2011, Slater explicou com todas letras como foi desvendado o engano da ASP, curiosa e divertidamente a ASP insistiu em anunciar que o erro foi encontrado por eles e comunicado ao Slater e Owen na noite anterior a divulgação.
Por que diabos não admitem que foi o maior surfista de todos tempos que encontrou o bendito lapso e assim amenizam a barra pra cima deles?
Fica muito mais simpático assumir que erraram e comunicar a todos que esse tipo de coisa acontece em todo canto do que tentar maquiar e passar uma vez mais como mentirosos – como esquecer o comunicado que Andy tinha pego dengue…em Portugal!? Aqui no Brasil, ainda não sabemos, por exemplo, quem foi o campeão brasileiro de 1987, mas ninguém espera muita honestidade da CBF ou da FIFA de qualquer forma… Numa comunidade tão pequena, esperávamos um pouco mais de sinceridade por parte da ASP.
E o que dizer do CEO Brodie Carr (diretor executivo), que supostamente foi trazido para ASP para ajudar a alavancar o surfe para o grande público, justificado pela sua experiência com o comitê que organizou as olimpíadas em Sydney?
Brodie não estava, ou não quis estar, no triunfo do maior representente do esporte desde sempre. Nem tampouco Brodie (que ao que tudo indica esta em licença paternidade) foi defender ou justificar a instituição que representa quando preciso, pra isso usaram o inabalável Renato Hickel.
Renato, sempre cortês e eloquente, é hoje o rosto da ASP para o mundo, para o melhor e o pior.

Bullit

De volta do Rip Curl Search Pro em São Chico, tudo que consigo pensar são as incriveis cenas de perseguição de carro do sensacional filme do Steve McQueen, Bullit (Peter Yates, EUA, 1968), considerada a melhor da historia do cinema.
Devo ser obceado pelos filmes policiais passados em San Francisco, nesse caso um senador inescrupuloso, Walter Charmers, comanda uma investigação contra a máfia e pede a polícia de São Chico para escoltar e vigiar uma testemunha chave para o caso.
O tenente Bullit fica encarregado da segurança da testemunha, que é morto numa emboscada.
Steve McQueen dá vida ao policial que deveria virar as costas pro caso e seguir com sua carreira e faz exatamente o contrário, ou seja, vai fundo até resolver o caso.
O ator Robert Vaughn interpreta o senador Charmers no que ele considera a melhor da sua carreira e num momento tenso do filme diz ao Bullit,
Vamos lá, não seja ingênuo, tenente. Ambos sabemos como se constróem carreiras. Integridade é só uma fachada para o público. Uma frase nunca foi tão oportuna pra terminar um texto.