Medina é o exemplo perfeito do que se pode chamar ‘prodígio do surf’. Após vencer duas etapas 6 Estrelas, uma Prime e classificar-se para o WT com um espantoso 14º lugar (deixando pra trás metade dos Top34), Medina já estreou na elite, mais especificamente nas ondas de Trestles, Califórnia, perdendo uma bateria com poucas ondas no round 3 contra o aussie alado Josh Kerr.

Você chegou junto com uma nova geração cheia de atletas: Miguel, Jessé, Filipe. Como é relação entre vocês? Há uma rivalidade?
É, quando amador… Eu e o Jessé éramos muito rivais, um sempre queria ganhar do outro e toda hora estávamos nas finais, era marcação daqui, era marcação dali e um virava a bateria, o outro ia lá e virava de novo, éramos assim (risos). Já o Miguel era mais velho e a maioria das vezes ele ganhava de mim, mas já cheguei a ganhar dele, e contra o Filipe eu não competi muito, mas o Miguel e o Jésse foram bem difíceis (mais risos).

Você acaba de entrar no WT, um circuito bem diferente do QS. Como você se sente? Já surfou algo parecido com as ondas da última etapa em Teahupoo?
Poxa, eu estou me sentindo tranquilo, sem pressão. Não, nunca (surfei algo como o último Teahupoo), mas quando tiver que ir, e eu estiver lá, não vai ter essa.

No WT você também encontrará adversários, e muitas vezes um critério de julgamento diferente. Onde você acha que seu surf deve melhorar? E onde leva vantagem?
Na verdade, às vezes não consigo entender o julgamento. Essa etapa de Trestles mesmo, não entendi muito. Acho que meu surf vai começar a melhorar com o julgamento e com os adversários que eu for pegar, eles vão acabar puxando o meu nível, porque eu sei que vai ser muito difícil e vou querer dar tudo de mim para passar qualquer bateria, com quem quer que seja.

Já parou pra pensar que você está mesmo no WT? Daqui a pouco você pode estar sozinho no line up de Pipeline disputando ondas com Kelly Slater… Fale sobre isso.
(risos) É estranho né!? A menos de um mês atrás eu estava competindo o WQS e viajando com uma galera diferente, agora estou no WT com a galera que eu ficava torcendo pela internet, é engraçado isso… Ia realizar um dos meus sonhos, uma bateria com o Mick em qualquer lugar, não vejo a hora, menos em Bell’s Beach, porque aí não vale! (risos).

Antes de Trestles, você vinha de uma sequência muito boa na Europa, com três vitórias consecutivas. Como foi isso?
Nossa, foi muito irado esses eventos da Europa, ganhei na Espanha e na França. As pessoas lá são super gente boa, as ondas estavam legais e na Espanha estava com a minha família, então acho que isso tudo me favoreceu. Foi incrível!

Fale um pouco dessas últimas etapa, dos brasileiros, da repercussão das suas vitórias.
Me ajudou bastante a subir no ranking e quando acabou estava em 14º , junto dos caras do WT. Então foi meio que um espanto, ninguém imaginava que alguém poderia terminar em 14º sem estar competindo no WT.

Algum aéreo novo na manga, que você está treinando para aplicar nos próximos eventos? Se sim, descreva como será?  
Estou tentando um que não realizei ainda. Foi um que arrisquei agora em Trestles numa bateria contra o Travis Logie. Está quase, é tipo um aéreo super man, rodando e trocando de base.

Dá pra segurar a onda com esse assédio todo?
Então, na verdade não sabia que as pessoas me conheciam tanto assim. Agora que estou vendo quantas pessoas me conhecem… E acho isso maneiro, eles estão reconhecendo o trabalho que você faz e está fazendo, e também ficam torcendo pra você pela internet, te adicionando no Facebook, Twitter, MSN e assim vai (risos). Eles querem ficar mais perto de você, mas é tranquilo, é legal!