Há pranchas nas árvores. Uma lambreta para idas à praia. Uma oca perto do rio. Uma bateria lá dentro. Esta é a fazenda de Rasta – um retorno às boas memórias de sua juventude no campo na Nova Zelândia. Árvores de fruta e hortas. Ninguém por perto. Nem mesmo Dave. Vim aqui para fazer uma entrevista, mas as árvores não estão falando. Meu guia e motorista, Taylor Steele, faz a volta com o Land Rover e continuamos nossa busca pela costa australiana rumo a Coolangatta. Estávamos buscando “O Yeti” com base em informações que ele nos dera dois anos antes, na Índia. Talvez tenhamos sorte de ter encontrado sua fazenda. O fotógrafo Hilton Dawe chama-o de “O Yeti”. Uma criatura mitológica grande e peluda que desaparece na selva por meses e então reaparece de repente, causando grande impacto. Hilton saberia. Já viajou com Dave mais do que qualquer um. Missões ambientalistas. Aventuras de surf. Campanhas de bermudas. O Yeti é um monstro ocupado. Estou tentando alcançá-lo há semanas. Apesar de se autorreferir como um homem selvagem e ignorante, Rasta é um dos surfistas profissionais com a melhor dicção e mais profundamente pensativo que já conheci. E apesar de já ter viajado com ele em diversas e longas surftrips, de alguma maneira nunca o entrevistei direito. Sempre acabamos conversando sobre livros e ondas, golfinhos e aventuras, submersos no presente do indicativo e sempre esquecendo de apertar o botão de RECORD. 
 

Após muitos anos viajando constantemente, sua fazenda significa que você está finalmente plantando raízes?
Bem, sim e não. Do modo como a montei, só com uma cabana e uma oca, posso sair daqui a qualquer hora e ela meio que cuida de si mesma. Foi criada de um jeito que me possibilita levantar e dar no pé se algo me motivar a sair daqui.

Essa é a parte “sim”?
Porque vivi em um lugar muito rural quando tinha cinco ou seis anos, anos em que suas memórias estão começando a se estabelecer. Morávamos na Nova Zelândia em um pedaço de terra com todo tipo de frutas, legumes e animais, e eu brincava na fl oresta em um pequeno riacho de lama. Todo o tempo que morei na Gold Coast, só queria voltar a viver no mato. Então, de certa forma, esse lugar me faz voltar às origens.

Seu pai surfava?
Meu pai fazia de tudo, mas sempre foi muito atlético. Na Nova Zelândia, ele jogava rugby pelo All Blacks e era muito bom em críquete. Também era um ótimo boxeador e lutador de rua. Mas minha mãe era um verdadeira waterwoman. Até hoje, ela ainda rema todos os dias em uma paddleboard. Ela é mais moleca que eu.

Hilton [Dawe] me contou que você é descendente de uma raça húngara de super-humanos ou algo assim. Tenho certeza de que estou errado em alguma coisa, mas é algo do tipo.
Ha ha, o Dawg-man adora uma boa história, não é mesmo?

Então não é verdade?
Acho que o que Hilton estava tentando explicar é que meu pai vem de uma ilha no Mediterrâneo, entre a Itália e a Croácia, chamada Vis. É uma ilha pequena, então tudo é feito de barco, e por isso todo mundo é muito familiar e mexe muito com a água. A Croácia, aparentemente, tem um dos maiores números de atletas per capita no mundo, e algo assim sobre modelos também. Minhas irmãs tinham 1,83m e 1,78m, e quando fomos para lá, todo mundo era do nosso tamanho ou maior. E nós falávamos: “Uau, agora podemos ver de onde vem nosso físico”. De qualquer forma, é de lá que nossos genes vêm. Mas eu gosto da versão do Hilton, também, é bem criativa.

Conheça melhor a personalidade de Dave Rastovich lendo a matéria completa na HARDCORE de setembro, já nas bancas.