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sábado, 13 abril, 2024
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Surfistas de Trem

Por que um surfista não pode gostar ou viver em uma grande cidade? Muitos vivem em metrópoles sem água salgada por perto, a quilômetros da praia, empoleirados em apartamentos e escritórios e de olho nos finais de semana para praticar seu esporte e seu estilo de vida. O colunista e escritor português Gonçalo Cadilhe, por exemplo, acredita neste clichê que vai contra a corrente. “Surfista é um cara que trabalha duro, mas consegue sempre folgar para dar uma caidinha na água. Ele não tem o corpo bronzeado porque a temperatura do mar não deixa, e o frio do inverno o obriga a vestir um moletom depois de tirar o wetsuit” – um tapa na cara de quem vê no surf o já datado estereótipo de cabelo parafinado, jeitão preguiçoso e a vida deitada sobre a areia quente. O anticlichê está em Nova York, a cidade que gerou polêmica ao ser incluída no Circuito Mundial da ASP neste ano.

Sair para surfar de metrô ou trem, debaixo de um frio de menos de 10 graus [e muitas vezes com neve], é o que acontece com Giulliano Sebben, músico de 43 anos que vive em Yonkers, há 30 minutos de Manhattan, desde 1989. Giulliano é concierge de um edifício residencial de Manhattan e demora de 45 minutos a 1 hora para chegar a Long Beach, praia com as melhores ondas da região e local da disputa do Quiksilver Pro New York, entre 1 e 15 de setembro. Sua rotina de surf depende da estação do ano. Como os swells entram e saem rapidamente, Giulliano procura se informar das previsões na internet e conversando com surfistas e donos de surfshops locais. Segundo ele, ir à praia no verão é uma coisa muito comum, mas os swells são raros e pequenos entre junho e agosto. “A melhor época, sem dúvida, é setembro, quando é a estação dos furacões e a água ainda não está tão gelada.”

CULTURA DE PRAIA NA ILHA DO TRABALHO

Em uma cidade como Nova York, diversas tribos têm o seu espaço. Surfistas são considerados pessoas interessantes, diferentes. Costumam ser bem recebidas por terem um jeito exótico e agregarem suas experiências a uma cidade tão concreta. “O mais difícil mesmo é lidar com o inverno, quando neva muito e é muito frio”, diz Giulliano. Um surfista de Nova York que se preze deve ter um guarda-roupa repleto de wetsuits, e as novas tecnologias ajudam a desbravar as águas geladas do Atlântico Norte. É fundamental ter um john para cada estação: no inverno não dá para deixar de usar uma poderosa roupa 6/4 com touca, luva e botas; no outono dá para cair de 4/3; e na primavera a pedida é um 3/2 – os mais comuns nas águas geladas do Brasil.

Veja na íntegra, na HARDCORE de setembro, a matéria de Fernando Gueiros sobre o surf na metrópole novaiorquina. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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