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Importância de ser coadjuvante

Por Julio Adler

Tudo que veio depois desse sábado de surfe surreal em Teahupoo ficou um pouco menor.

Curioso como, se em Jeffrey’s Bay as atenções estavam em outro lugar completamente oposto ao flat e frio do evento, as coisas se inverteram no Tahiti – ou talvez, nem tanto.

Um grande ponto de interrogação pairava sobre a ASP e suas escolhas em 2011, a mais gritante delas sendo a volta do tour à incerteza dos beach breaks.

Teahupoo salvou todas as duvidas e, de quebra, o futuro da ASP.

Nessa semana inacreditável, ninguém em sã consciência queria estar em outro lugar que não fosse numa etapa do circuito mundial de surfe.

Mesmo os arredios big riders, soul surfers, críticos do sistema e afins estavam lá – ou se arrependeram de lá não estar.

Carlos Burle, Rasta, Dylan Longbottom, Laurie Towner, Maya Gabeira, Keala, Gordo, Pato, Koxa, Kamalei, Makua, Bruno Santos, Nathan Fletcher…. A lista é tão grande e não temos espaço pra isso.

A repetida sensação de estar testemunhando um suicídio coletivo era doentia e incontrolável.

Aquilo já não era uma arena de tourada, nem de gladiadores, aquilo era a estupidez humana no seu mais absoluto esplendor.

E veio o domingo…

As previsões o tempo todo nos alertavam que esse evento seria fantástico, mas ninguém nos avisou das surpresas que teríamos pela frente.

Ninguém previu que Matt Wilkinson se arremessaria numa bomba solida de 10 pés, voaria La de cima mal tocando com sua prancha na parede e viraria na ultima fração de segundo para um glorioso tubo nota 10.

Ninguém previa tampouco que Jadson responderia a altura com uma bomba que deixaria Andy Irons orgulhoso.

Jadson deixou de ser uma indagação e virou uma exclamação.

Me curvo diante da coragem e determinação do cara.

Ondas de 10 pés explodindo contra a bancada semi-exposta de coral logo nos remete ao irmãos Hobgoods, mas nesse dia de coadjuvantes tomando a cena principal dos protagonistas, ninguém se salvou.

Nem Slater salvou-se de ser obrigado a marcar um completo desconhecido por temer uma inevitável derrota.

Kelly triunfou, mas foi Ricardinho que se fez estrela no meio de tantos medalhões – principalmente pelo fato de ter sido um dos únicos, ele e Freddy P., a encarar a morte de perto (e de dentro) nesse sábado mortal.

Ninguém seria louco de prever que Josh Kerr pegaria dois tubos incríveis e venceria sua bateria sem sequer molhar seu cabelo.

Quem imaginaria que Jeremy Flores se reinventaria como favorito num mar mais associado com havaianos e tahitianos do que com franceses franzinos – apesar de Flores ter nascido na Ilha Reunião – fazendo um 20 perfeito, como se o Slater tinha feito antes em Teahupoo.

E qual profeta do impossível saberia com antecedência do estrago que Raoni Monteiro causaria ao tirar C.J. Hobgood e avançar para as quartas de final sem respeitar reputações, nem favoritismos.

Ver uma bateria ser interrompida, reiniciar, terminar e voltar pra água depois duma cena que lembrava muito um jogo da Libertadores, com Jordy fazendo papel do jogador argentino que estende a cera até conseguir atrasar o jogo suficiente para seu próprio beneficio – quem esperava por isso ?

Brett Simpsom, meu Deus do céu, nas quartas!

Isso nem o mais americano dos jornalistas seria capaz de prever…

20

Owen merecia  dois 10.

Tropa de elite

Kerr x Jeremy – batalha dos dois surfistas do evento

Slater x Wilko – chance do Careca se enfiar de vez na luta ao titulo de 2011

Simpo x Logie – dois pendurados em busca de redenção

Raoni x Owen – O Monstrinho de Saquarema tem a gana e a sorte ao seu lado, enquanto o melhor goofie do evento esta atrás da sua primeira vitória.

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