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TERCEIRO DIA EM JEFFREY’S

Por Julio Adler

Domingo, 16/07/2011

O problema de traduzir determinadas expressões do inglês pro português é que algo se perde no meio. Por exemplo, a frase a ASP work in mysterious ways ficaria estranha com a ASP tem jeitos misteriosos de fazer as coisas.
O contexto da frase é o seguinte, na sexta feira, dia 15, diante da firme possibilidade do Slater não aparecer em J. Bay a tempo de competir, a ASP decidiu, no apagar das luzes, criar uma regra nova.
A regra foi induzida por enorme pressão dos competidores (irritados com o motivo da ausência do Careca, entenda-se ondas perfeitas no outro lado do mundo) e do indignado público (twitter e facebook) exigindo algum tipo de ação por parte da associação para punir Kelly – e Bobby – além da multa de 5.000 dólares.

Como toda entidade séria e transparente, a ASP – entenda-se meia dúzia de gatos pingados, entre representante dos surfistas (1), C.E.O (1), Tour manager (1), Chefe dos Juízes (1) + (1) ? – decidiu que, caso KS10 ou Bobby ‘El Chicano’ Martinez não compareçam em J. Bay, os alternates serão chamados mesmo que na segunda fase.
A HARDCORE foi conversar com Renato Hickel sobre a decisão e descobriu que nem Renato, nem ASP, sabem direito quais os “senões e poréns” da regra.

Uma coisa é certa, diz Renato, o fato do Slater estar em Fiji surfando ondas sensacionais (e com muito mais exposição do que J. Bay) não tem influência nenhuma na decisão.
E disse mais, a regra já estava pra ser aprovada faz tempo mas não houve oportunidade para votar com toda a mesa presente. E o que diabos diz essa regra?
A regra diz que se o surfista faltar ao evento, mesmo que tenha perdido sua primeira bateria e já esteja na segunda fase, ele ainda pode ser substituído por um alternate, caso avise que não vai conseguir chegar a tempo.

Caso do Slater e Bobby Martinez.
Mas, esperem… Eles avisaram?
Segundo Renato, não. Eles não avisaram que não vem.
E como ficamos? Caso um surfista chegue atrasado por motivos de trânsito intenso ou dor de barriga, eles ainda poderiam entrar atrasados e competir?
Sim, eles podem.
E em outros casos, como no Havaí… Lembram do Sunny em Pipe?
A regra não é clara e, por enquanto, tudo indica que a ASP quer mandar uma mensagem aos navegantes.
Embora nem ASP, nem navegantes, saiba bem o que diz a mensagem…

Segunda 18/07/2011

Nada de Slater, nada de Bobby.
Ou melhor, um cartola da Quiksilver diz que Slater esta a caminho, chega no voo das 13 horas.
Outro sujeito me diz que Bobby está no voo entre Johanesburgo e Porth Elizabeth.
Tarde demais, os dois americanos já foram devidamente substituídos.  
10 horas da manhã e Travis Logie está na água contra Shaun Payne (sem parentesco com Dusty), caso encerrado.
Qual caso? O caso em que Slater cederia sua vaga ao Travis, ou melhor, que Travis entraria na vaga do Careca, sem trocadilhos.
E ninguém mais no mundo inteiro estava torcendo pela ausência do Careca.
Travis Logie está em 45º no ranking unificado e um bom resultado aqui pode jogar o rapaz de volta no WT para o corte do meio do ano.
Qualquer resultado pra ele é um bom resultado.
Travis passa pelo seu compatriota e avança, assim como todos cabeça de chave.
Taj, Bede, Mineiro, Owen, Ace.
Todos na terceira fase.

A ASP, que não costuma colocar rounds pela metade, fez seis das 12 baterias hoje. As ondas?
Estavam beirando o desespero.
Séries com apenas uma onda e algumas baterias sem série alguma.
Muita gente nos bastidores se perguntava por que a ASP colocaria no mar um WT numa condição destas?
O diretor da prova, Eric Stedman (sem parentesco com Luke), justificou a decisão pela falta de perspectiva de ondas boas nos próximos quatro dias.
Ninguém dizia diretamente, mas o fato do Slater não estar por perto deve ter acelerado bastante, ou pelo menos induzido, a decisão de colocar as baterias na água.
Quem não deve ter ficado feliz foi Cory Lopez e Freddie P., que perderam por absoluta falta de ondas e começam a se despedir da parte de cima do ranking.
Para Cory, deve ter sido sua última oportunidade de competir no WT, a não ser que Dane resolva não ir para Teahupoo e Freddie tem pelo menos uma contusão para ajudá-lo a voltar pros 32.
Gabe Kling, pra mim, é um caso perdido.
Mineiro competiu com a autoridade dum líder do ranking, confiante, preciso, letal.
Ao lado de dois sul-africanos, assisti Mineiro surfando no meio da tarde e os comentários eram de imensa admiração e nada de surpresa.
Nunca vou esquecer do Adriano no Pro junior na Austrália… Ele está surfando demais esse ano!
No ano passado, Adriano já tinha sido um dos melhores aqui e só perdeu porque pegou um Jordy Smith predestinado.
As palavras não são minhas, foi um local que disse e o amigo ao lado dele, outro bom surfista local, balançava a cabeça concordando.
Sem Slater por perto e com Parko e Taj no centro das atenções, a chance do Mineiro sair daqui ainda líder aumenta.

BILLABONG PRO JEFFREYS BAY ROUND 2 RESULTS:
Heat 1:
Travis Logie (ZAF) 12.33 def. Shaun Payne (ZAF) 7.30
Heat 2: Taj Burrow (AUS) 14.33 def. Sean Holmes (ZAF) 6.04
Heat 3: Bede Durbidge (AUS) 15.10 def. Shaun Joubert (ZAF) 11.06
Heat 4: Adriano de Souza (BRA) 14.03 def. Gabe Kling (USA) 12.50
Heat 5: Owen Wright (AUS) 11.86 def. Fredrick Patacchia (HAW) 10.77
Heat 6: Adrian Buchan (AUS) 15.80 def. Cory Lopez (USA) 6.50

REMAINING BILLABONG PRO JEFFREYS BAY ROUND 2 MATCH-UPS:
Heat 7:
Damien Hobgood (USA) vs. Taylor Knox (USA)
Heat 8: Michel Bourez (PYF) vs. Raoni Monteiro (BRA)
Heat 9: Brett Simpson (USA) vs. Adam Melling (AUS)
Heat 10: Patrick Gudauskas (USA) vs. Heitor Alves (BRA)
Heat 11: Kieren Perrow (AUS) vs. C.J. Hobgood (USA)
Heat 12: Matt Wilkinson (AUS) vs. Chris Davidson (AUS)

Assista aos highlights do Round2:

Assista ao vídeo que o Taj postou no Vimeo:

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