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Segundo dia em Jeffrey’s

Por Julio Adler

Andy começou a surfar em 1966, e, em 1968, já morava aqui quando a vila tinha apenas uma dúzia de casas.
Sua loja In-Step é cheia de fotografias da cidade completamente deserta.
Andy ainda larga seu trabalho quando as ondas estão boa.
O mesmo para Kelly Slater, que simplesmente fez forfait (uma forma antiga e elegante de dizer que fulano deixou de comparecer em algum lugar) pro Billabong Pro e ficou em Fiji pegando onda boa.

Melhor pro Alejo que fez uma bateria homem x homem com o wildcard Shaun Payne o destruiu sem pena.
Mas antes, voltemos pro início do dia.
Eu lia numa antiga Zig-Zag (revista de surfe sul-africana) que o campeonato de J. Bay sempre tem sorte com as ondas.
Aconteça o que acontecer, custe o que custar, no final das contas sempre tem um dia clássico que nos faz esquecer das outras condições menos favorecidas.
Espero que isso se repita em 2011, porque esse primeiro dia foi duro – de assistir.
Exceto pela quinta bateria, Jordy x Sean Holmes x Melling.
Deu pena dos caras que tiveram que brigar por uma onda decente.
A direção da ondulação não era das melhores e a maioria das ondas era muito mais uma corrida das pedras do que a pista que tanto esperamos ver todo mês de julho.
Nenhuma nota acima de 9. Nenhuma pontuação acima de 17 ou 18.
Muito pouco pra quem estava dois meses esperando pelo espetáculo.
Nas três primeiras baterias do dia, os proscritos do Tour, brasileiros e europeus, passaram batido.
Saca, Jeremy e Jadson nem tiveram muito trabalho pra vencer suas baterias.
Assim que Jadson saiu do mar e subiu para se aquecer na área reservada, perguntei em tom irônico, nem deu muito trabalho, né?
Jadson sorriu sem dizer que sim nem que não.
No fundo sabia que vencer Taj Burrow em J. Bay no evento do patrocinador dele, e com o rapaz na briga pelo inédito título mundial, não era tarefa fácil pra ninguém – simplesmente aconteceu.
Heitor Alves não teve tanta sorte, Mick Fanning repetiu sua rotina e foi premiado com a bondade dos juízes.
Na sua melhor onda, Fanning rasgou na pontinha do pé, aplicou um floater muito do safado, outro, mais uma rasgadinha batendo a carteira do juiz número 3 e completou com um floater direto dos anos 80.
Resultado?
8.33, segunda melhor nota do dia para minha surpresa.
A melhor onda do Heitor teve mais risco e menos fluidez, flow, como eles chamam, 7.5.
Raoni foi vítima do pior momento do mar e sucumbiu diante do Parko, favorito para o título de 2011, segundo metade da imprensa estrangeira – a outra metade torce pelo Taj.
Como somos brasileiros, que se danem eles e seus palpites.
Mineiro teve sua chance de defender sua liderança após sua conturbada contusão e nada indicava qualquer tipo de limitação no seu seu surfe – salvo a pressão.
Kai Otton teve calma e dominou a bateria do início ao fim.
Curioso foi ver Otton, sempre tão contido e relaxado em competição, marcando Mineiro de perto para impedi-lo de pegar qualquer onda que o ameaçasse.
As ondas medíocres deram trégua apenas na bateria dos locais, Jordy e Sean Holmes.
Jordy surfou dois degraus acima do resto.
Sean Holmes deu a sua tradicional aula de como surfar J. Bay sem fazer esforço e Adam Melling, mesmo surfando as melhores ondas da bateria e fazendo a quinta maior média do dia, mostrou sua insignificância ao surfe profissional.

OS FORAS DA LEI
Slater e Bobby Martinez não compareceram à festa e, caso não peguem a lycra amanhã (se houver evento), serão multados em US$ 5.000.00.
Grande coisa prum milionário como Slater, mas para Bobby, sem patrocínio e com a cabeça na degola do meio do ano, o fim pode estar próximo.

ROUND 1 – HIGHLIGHTS

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