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IDAS E VINDAS

Por Julio Adler

Início do período de espera é sempre de certa forma tenso pra quem compete e principalmente para quem quer avidamente assistir finalmente seus ídolos.
Jeffrey’s Bay é das melhores arenas de todo o circuito e atiça a curiosidade e imaginação de qualquer um nas infinitas possibilidades que a onda oferece.
Para os brasileiros, que é o que nos interessa aqui (ninguém mais nos dá a atenção que a Hardcore dedica online), essa etapa tem sabor especial.
Pela primeira vez um brasileiro vai defender a liderança do ranking com o Tour pegando fogo na sua quarta etapa.
Basta lembrar do ano passado, Jordy, Taj e Slater correndo atrás feito loucos para sair daqui na frente da concorrência. Hoje a maior concorrência somos nós, ou melhor, é o Adriano de Souza.
Mas não esperem que o resto do mundo vai dar muita importância a isso.

Vejamos, Slater, o sempre maquiavélico Careca está lá do outro lado do mundo (Tavarua) surfando ondas fantásticas acima de 12 pés, enquanto em Jeffrey’s o mar esta semi-flat.
Não apenas isso, mas o alarde que ele faz em talvez não comparecer ao evento. Imaginem se isso seria possível com Andy na liderança, ou Parko…
A cereja no bolo, ou a pá de cal, foi a foto que a ASP escolheu para ilustrar o sempre tão aguardado press release da própria ASP.
A foto mostrava quase todos surfistas convidados para a coletiva de imprensa, menos um, adivinhem?
Adriano foi esquecido, ou negligenciado na foto que divulga o evento. Nenhuma surpresa, não fosse ele hoje o principal surfista da entidade que representa, ASP.
Durante todo intervalo entre a etapa brasileira e africana, o mundo fingiu que não havia nada de novo no Circuito Mundial.
Mesmo no Brasil, exceto pelas óbvias matérias nos contando o que sabíamos, ninguém criou nada – absolutamente nada.
Sim, temos um camarada que chamamos intimamente de Mineirinho liderando a corja, mas, por algum motivo, como chamou atenção o fotografo Vavá no Facebook, ainda olhamos pros caras de baixo pra cima e não de cima pra baixo.
A hora me parece ideal para repensar o quanto queremos o reconhecimento do mundo fora do Brasil e se realmente precisamos dele.

Adriano é tão bem pago quanto seus adversários gringos.
Medina e Alejo têm salários que um Matt Wilkinson, ou Dusty Payne nem sonham.

Nossa imprensa, apesar de infantil, cumpre bem o papel de divulgar (sem análise crítica) exatamente como as revistas americanas ou australianas.
Na TV estamos anos na frente – temos até um canal quase exclusivo de surfe, Woohoo, graças ao Antônio Ricardo e Bocão que começaram tudo isso.
Falta-nos agora aprender a fazer o que eles fazem tão bem, nos ignorar, falta fingir que eles são os intrusos, eles não existem.

E depois dar um refresh na página.

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