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ALÉM DAS LINHAS VERMELHAS

Texto Sam Blakey / Fotos John Callahan O girassol – xiang ri kui – é um símbolo chinês para a longevidade. Cada canteiro tem milhares de flores. Elas crescem até nos lugares mais áridos e viram suas pétalas para cima, orgulhosas de estarem vivas. O surf está prestes a se tornar uma espécie de girassol na Ilha de Hainan, na costa sudeste da China, fazendo florescer uma nova cultura na cidade de Wanning. No verão, Wanning – que está situada ao lado de um mar liso como porcelana – resiste aos esforços do mar por conta do calor úmido. Mas quando a época de monções chega do nordeste, de outubro a abril, o Mar do Sul desperta, mudando de verde claro para um tom metálico. O mar que era de porcelana mostra suas garras, deixando de ser gato para se tornar um legítimo tigre chinês. Os surfistas sabem que há um lado bom nisso. O mar agitado atinge os points rochosos das baías de Shimei, Nanyan e Riyue com perfeição.  As séries chegam apressadas e são alisadas pelo vento terral. O tigre não é domesticado. Na verdade, o felino encontra a delicadeza da porcelana e dá a ela o formato que alimenta surfistas famintos. A ondulação, o vento, a corrente e o fundo entram em sintonia como uma banda de música, criando melodias, solos de guitarra e improvisos que nos levam ao clímax. Surf, em chinês – chong lang – significa literalmente “entrar na onda”. Não dominá-la, mas sim entrar no seu espírito. É isso que alguns locais têm feito de Hong Kong a Hainan pelos últimos oito anos. Conforme o verão fica para trás, ventos cortantes dobram em volta da costa e trazem as ondulações e o espírito do surf para Riyue Wan (na Baía Sun Moon). A semente foi plantada no Restaurante da Mama, em uma praia com folhas espalhadas na areia. Seus filhos, Huang Wen e Huang Ning agora são locais acolhedores do point de esquerda, sustentados pela comida fresca da Mama e uma dose avermelhada de binglang (a noz de betel, muito comum na China). Acrescente um fluxo crescente de surfistas expatriados (como o brasuca Daniel Bergamasch no final da matéria) e um quíver decente para alugar. Eis uma das cenas nascentes de surf mais empolgantes da Ásia. Para se ter uma ideia do potencial dos surfistas naquela costa, a China tem um sexto da população do mundo inteiro. Um prato cheio para as marcas de surf. Leia a matéria na íntegra na edição de maio, que está nas bancas.

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