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LOBITOS CORRE PERIGO

Texto e fotos Caio Antunes Lobitos é uma das melhores e mais constantes ondas do Peru. Por esse motivo é destino certo de surfistas do mundo todo que vão a essa cidadezinha no deserto na esperança de pegar ondas que certamente vão ficar na memória por muito tempo. O que pouca gente sabe é que essa região possui uma história que recentemente vem sendo tema de diversas discussões e debates, graças a especulação imobiliária. Lobitos surgiu para o mundo no século 19 graças aos ingleses, que encontraram uma grande quantidade de petróleo e iniciaram a perfuração de poços. A cidade se desenvolveu muito e se tornou uma verdadeira colônia inglesa com até um cassino para a diversão dos moradores. O tempo passou e, em 68, com o golpe militar o país tomou posse dos poços e transformou o local numa base militar, o que fez com que a região caísse no esquecimento. No começo do século 21, com o fim da presença militar em Lobitos, o turismo cresceu e os surfistas voltaram à região com mais freqüência. Esse fato abriu os olhos de muitos investidores e órgãos governamentais, que perceberam o grande potencial que esse pedaço de terra possui. Durante o mês de abril, tive a oportunidade de trabalhar como voluntário na ONG Waves For Development, que atua em parceria com a comunidade para melhorar a educação e promover novas oportunidades para os jovens e crianças que vivem em Lobitos. Nessa minha estadia pude ouvir diversas histórias e opiniões de gente que sempre viveu lá. A grande preocupação deles é com um projeto criado pela PROINVERSION (um órgão governamental peruano), que pretende transformar a região num grande complexo turístico avaliado em mais de 100 milhões de dólares. Com o projeto, Lobitos vai virar um balneário turístico mais ou menos nos moldes de uma Riviera de São Lourenço ou Costa do Sauípe. O projeto está em andamento e a licitação para definir a incorporadora responsável deve ocorrer até o final desse semestre. Essas notícias estão causando muita preocupação entre os moradores e comunidade surfística, uma vez que isso pode causar grandes impactos ambientais. Justamente por isso a comunidade local enviou um projeto para o governo, que reivindica a criação de uma Reserva Ecológica protegendo a praia, suas ondas e todo o entorno. Diversas instituições como a ONG Save the Waves apóiam a iniciativa. Resta agora ficarmos de olho no que vai acontecer, torcendo para que as ondas de Lobitos permaneçam perfeitas do jeito que são. Se você for ao Peru pode ajudar, assinando o abaixo-assinado nas lojas da Billabong, Boz ou O’Neill espalhadas por Lima. Se quiser conhecer mais sobre o trabalho da ONG Waves for Development, acesse o site: http://www.wavesfordevelopment.org/ Caio Antunes é autor do blog O Ser do Surf

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