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segunda-feira, 15 abril, 2024
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Diário do Rio 1

Por Julio Adler Victor Ribas está de pé em cima dum banquinho tentando assistir a última bateria do dia no Arpoador. Taylor Knox tenta acertar o lipe um pouco deformado pelo vento sudoeste e enterra a borda pela enésima vez nesse que foi finalmente o primeiro dia de competição do Billabong Rio Pro. Na última vez que o circuito esteve aqui, 2001, Vitinho perdeu pro mesmo Taylor Knox na primeira fase, ambos tem hoje 40 anos de idade, ambos em forma, os dois competindo dia sim, outro também. Victor Ribas é o melhor brasileiro classificado no ranking final da ASP em todos tempos, terceiro lugar em 1999. Seu grande momento naquele ano foi em Fiji, enfileirou Machado, Egan e Slater. Parou só na final contra um predestinado Occy. Até a última etapa em Pipe, Vitinho ainda tinha chances de ser o tal do primeiro brasileiro campeão mundial – perdeu pro Slater nas quartas, Pipe lindo. Pois lá estava ele, com toda essa história nos cascos, sozinho tentando ver uma manobra na junção do Matt Wilkinson. Um dos surfistas mais populares do Brasil, Ribas não foi convidado pra festa que tantas vezes o premiou num passado mais que recente – apesar disso compareceu, como bom profissional. Seria nossa memória curta demais, ou cruel demais, pra sequer homenagear um camarada que orgulhosamente se vestiu de verde e amarelo nos pódios mundo afora durante quase 20 anos? Vitinho pode até não ser lembrado, mas ainda não foi superado. Não vi nada demais hoje… sei que as condições estão difíceis, mas ninguém me impressionou… ponderou Vitinho sobre os desempenhos no Arpex em 2011. Insisti e perguntei mais, não percebe nada de diferente nesse evento? Mais público, melhores surfistas, mais câmeras… Victor é educado e diz que talvez, pra uma terça chuvosa, tenha um pouco mais de gente do que em 2001. Jadson foi o grande personagem do dia e o único dos brasileiros a avançar direto pra terceira fase. O mar se preparou para receber Jadson, ficou mais ajeitadinho, lhe ofereceu até um tubo! E Jadson parecia um dínamo, surfando onda atrás de onda e partindo pra cima, literalmente de qualquer lipe que ousasse se levantar na sua frente. No resto do dia, um dia estranho, com sol, chuva, entra vento sudoeste, para sudoeste, uma confusão só! Owen Wright surfou, como diria Nuno Jonet, com muita autoridade. Taj foi espetacular como nos seus filmes por um breve momento que já valeu chuva e vento pra garotada que acotovelava no calçadão. Fanning, preciso como sempre, Slater frio e cansado da noite anterior, segundo consta. Alguns candidatos ao título sofreram um apagão, Jordy e Parko especialmente. Mineiro surfou bem, mas teve azar de ter o camarada mais sortudo do dia na sua bateria. Seu algoz foi o australiano comprido Dan Ross, que achou o melhor tubo do dia e complicou a vida do Adriano. Esperamos seis dias ansiosamente para ver os melhores surfistas do mundo surfando nossas ondas a sério. Não valeu. Desperdiçar o primeiro dia num Meio da Barra com mais de 4 ou 5 pés, sol, praia lotada e água verdinha foi um erro lastimável. Um passarinho bicudo contou que a direção de prova não teve alternativa, os bombeiros constataram que não havia médico, nem ambulância na praia. Exigências básicas para qualquer evento esportivo em local público e não permitiriam o início da prova sem um mínimo de segurança pros surfistas. Até daria tempo de arrumar ambulância e médico, mas como explicar ao público tamanha falha? A opção foi cancelar um dia que talvez faça falta num futuro próximo. O mesmo passarinho contou que, anunciado que não haveria campeonato, Parko mandou-se pra dentro d’água e pegou três tubos seguidos. Malditos rumores! O que importa é que o evento está de volta ao Arpoador, o Rio continua lindo e a mulata ainda é a tal.

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