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SURF URBANO NO ARPEX

Por Luciano Burin Dias atrás afirmei que seria muito legal se algumas baterias do WT Rio fossem disputadas no palco alternativo do Arpoador. Se a ideia da ASP com essas etapas em grandes cidades como Rio, Nova York e San Francisco era trazer o surf de volta para as multidões dos centros urbanos, valorizando o público que fica ao vivo na praia, ela funcionou nesta terça-feira. O lendário Arpex recebeu os surfistas para a primeira rodada do evento com ondas balançadas e imprevisíveis de até 5 pés sólidos, oferecendo alguns bons momentos de surf, mesmo que as séries não enroscassem do jeito ideal – principalmente quando o vento sudoeste apertava. Quem estava de bobeira ou pôde matar algum tempinho do trabalho, apareceu por lá e um bom público se aglomerou durante o dia ao longo da arquibancada natural da calçada e também na hoje estreita faixa de areia. Diante da sempre calorosa receptividade brasileira, os melhores surfistas do mundo, sofreram para se adaptar às mudanças constantes dos elementos da natureza, mas em termos de resultado não houve grandes surpresas além da derrota de Jordy para Gudauskas. Owen Wright, que já estava se aquecendo nas ondas e logo que soou a primeira sirene resolveu a sua vida com aéreos e batidas, mandando Heitor Alves para a repescagem. Slater, Taj e Fanning cumpriram o seu papel, enquanto Parko ficou devendo e deu a Taylor Knox o seu merecido presente de aniversário de 40 anos de bandeja. O também vovô Slater falou sobre as ondas deitadas em sua bateria, onde sofreu para vencer a jovem promessa Julian Wilson, que já fazia uma boa onda, enquanto o decacampeão mundial tentava driblar o assédio dos fãs e chegar ao outside. Quando chegou lá, ele resolveu as coisas com uma única boa onda. Sobre o fato de andar meio sumido nos últimos dias – a não ser pelos treinos no primeiro dia na Barra e ontem no Arpoador – o careca admitiu que “a experiência do Rio é tão intensa que no fim das contas eu acabo tendo que ficar mais reservado no hotel”, contou ele para o batalhão de reportéres e cinegrafistas espremidos na exígua área de imprensa do palanque alternativo. Logo depois, Jadson já encontrava um belo tubo encaixando esquerdas mais longas e boas manobras com sua prancha que trazia um adesivo de “Lampião. Único herói local do dia, ele lembrou que nas poucas vezes que veio ao Rio, foi na praia do Arpoador que passou a maior parte do seu tempo: “é incrível a maneira como as pessoas me tratam bem aqui”, resumiu, ainda sob a emoção de ver o público vibrar com a sua atuação. Este carinho também foi sentido por Mick Fanning, que fez questão de ir bater fotos na areia com a rapaziada local logo depois da bateria. Depois, um vento forte com chuvisco ameaçou colocar tudo a perder, mas as condições voltaram a melhorar siginificativamente na súbida da maré, com ondas mais longas, manobras fortes de junção e alguns tubos sólidos, como os de Cory Lopez e Dan Ross, que deixou Adriano de Souza na saudade, fecharam um bom dia de surf competição. Com a previsão de ondulação consistente e vento mais brando, o campeonato deve seguir em frente nesta quarta, provavelmente no mesmo Arpex.

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