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sábado, 20 abril, 2024
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MOMENTOS CONGELADOS

Por Luciano Burin Conheci o trabalho de Mark McInnis em uma publicação do site The Magic Bus, que reúne belas imagens aleatórias do oceano e seus amantes. Morador da costa oeste norte-americana e com veia de viajante, o que mais me chamou a atenção no portfolio deste fotógrafo de 30 anos é a sua paixão por paisagens de clima frio, bem diferentes das que estamos acostumados a encontrar aqui no Brasil. Amante de skate e snowboard, além de ser fanático por automóveis alemães, Mark falou com exclusividade ao Surf & Cult sobre suas motivações e o seu trabalho – que vem conquistando espaço em importantes revistas especializadas -, revelando opiniões interessantes sobre o mundo da fotografia, localismo e a cultura do surf de maneira geral.

1 – Fale sobre as suas sessões de fotos mais memoráveis? Recentemente, fiz uma viagem com Raph e Bruhwiler Sepp (dois incríveis pros canadenses), e que foi a minha primeira viagem com surfistas profissionais. É tão impressionante observar o surf de caras que estão neste nível. Mesmo que eu também goste de surfar e muitas vezes vezes desejo estar pegando onda, é um grande aprendizado não apenas filmar os surfistas deste calibre, mas também aprender com o surf deles. Outra memorável sessão de fotos foi em uma longa direita de tubos em pé no Hawaii. Era pôr do sol e os caras estavam pegando estes tubos longos e perfeitos. Eu estava visitando a família e acabei passando por lá com a minha namorada. Ficamos felizes por ver os locais dando um show para nós dois.

2 – Na sua opinião, quais os ingredientes para uma grande fotografia de surf? O que faz uma grande fotografia de surf é totalmente subjetivo. No entanto, para mim, é quando você captura o momento preciso em que o surfista coloca tudo em jogo. E isso não significa, necessariamente, jogando uma rabetada enorme ou um aéreo. Pode ser algo tão simples como um surfista dar um hang ten numa merreca ou alguém entubado numa Alaia.

Além disso, pegando emprestada as sábias palavras do meu amigo e mentor, Chris Burkard, uma boa foto de surf é atemporal e livre de logotipos de patrocinadores, identidade ou influência corporativa. Uma silhueta de um roundhouse cutback no pôr do sol, ou algo parecido. Outro tipo de tomada que eu gosto é a perspectiva distante. Eu adoro quando o surfista é o menor objeto na imagem, um pequeno humano em um mundo grande.

3 – Quais são as sua principais influências no mundo da fotografia? Como mencionado, Chris Burkard tem sido meu amigo e mentor nos últimos anos. Ele iria desvalorizar o seu papel na formação de minha carreira, mas isso é apenas seu estilo. Além disso, Jeremy Koreski e PeterTaras foram influências enormes e me deram toneladas de apoio e incentivo. Tiro meu chapéu e ofereceço meu eterno agradecimento a esses caras. Eles são os três fotógrafos fenomenais e os melhores caras para se ter por perto. Além disso, em termos de estilo acho que o Morgan Maassen está absolutamente matando a pau atualmente. Ele tem um olhar único. Eu também realmente me espelho nos caras da costa leste Nick Lavecchia e Brian Nevins. Eu acho que esses caras são incríveis, simplesmente apaixonados por fotografia. Tem também o Yazzy. Ele viaja a todas estas zonas fora do eixo do surf como o ártico e volta com as cenas mais surpreendentes. Ok, estou divagando e poderia seguir nomeando: ??D.Hump, Jeff Divine, Nate Lawrence… Eu poderia seguir literalmente o dia todo. O pool de talentos na fotografia de surf é irreal.

4 – Fale sobre as surf trips que fez até o momento? Eu não viajei para fotografar e surfar tanto quanto eu gostaria, mas isso vai mudar em breve, assim espero. Eu fui para o Canadá, México, Costa Rica e Hawaii. Mas estou morrendo de vontade de ir para a Noruega, Islândia, Nova Zelândia, Alasca, em qualquer lugar desolado e frio. Já fiz inúmeras viagens, abrangendo toda a costa oeste, de Vancouver Island e todo o caminho até a ponta da península de Baja. Subir em meu caminhão e ir apenas seguindo em frente por aí é algo para qual eu vivo.

5 – Conte um pouco sobre como surgiu a sua paixão por automóveis alemães? Carros, carros, carros. Meu prazer culpado. Eu cresci na família de um amante de carros e segui o exemplo. Eu não tive escolha e estou feliz por isso. Pode parecer meio estranho, mas os automóveis alemães – especificamente Porsche, BMW, Audi – são verdadeiramente bonitos para mim. Das linhas do carro até a soldagem do quadro, acho todos eles fascinantes. Assim, seria um caminho natural para fotografar estes carros também. É uma boa quebra com a fotografia de surf. Eu geralmente não sou pago para fotografar os carros, mas este dia há de chegar. Geralmente faço estas fotos exclusivamente por amor ao carro. Puro e simples.

6 – O que o surf representa em sua vida?

O surf representa a liberdade. Para ser capaz de viver a vida do surfista é preciso uma dedicação que muita gente não consegue alcançar. É um estilo de vida sem normas e regulamentos, mas uma experiência completa de vida e felicidade. Mesmo eu não sendo um surfista do tipo que larga tudo e vai viver num ônibus, eu ainda me sinto um pouco cigano e encontro prazer de tentar viver uma vida simples com minha namorada, amigos, câmeras e pranchas de surf.

7 – Quais os seus planos para o futuro? Meus planos futuros são apenas para continuar neste caminho e continuar fazendo o que estou fazendo. Eu realmente gostaria de fazer. Eu ainda estou aprendendo cada vez que saio para fotografar, mas o impulso que eu tenho experimentado com a minha carreira como fotógrafo de surf está bom e, enquanto eu continuar seguindo em frente, eu estou destinado para coisas boas. Eu realmente gostaria de ir até ao Canadá para filmar os Bruhwilers, Noah Coen e Pete Devries. Todos esses caras quebram. E há muito talento em Santa Cruz, que eu gostaria de registrar. Eu realmente gosto dos surfistas que são tão apaixonados por água fria como eu. É tão bom trabalhar com pessoas com interesses semelhantes. Dito isto, eu adoraria ir ao Brasil e fotografar, bem como El Salvador e Nicarágua. Além disso, há um monte de localismo hardcore e uma mentalidade anti-retrato de onde eu venho, então seria bom sair de casa sozinho por um tempo e ir fotografar um monte de outros lugares. Tenho um monte de gente com raiva de mim por fotografar em meu próprio quintal, mas enquanto eu estou aqui construindo uma carteira, eu tenho que trabalhar com com o que tenho à disposição. Eu também gostaria de fotografar bem mais vezes de dentro d`água, mas onde eu moro não temos um muitas ondas boas. Então, eu estou de olho, indo para o sul ou para o norte onde eu possa fotgrafar mais tubos. Também tenho usado uma tonelada de filmes recentemente. Eu tenho uma câmera de 35mm vintage e tenho experimentado com todos os tipos de filmes. Me apaixonei por fotografia analógica anos atrás e tem sido tão agradável e gratificante revisitá-la. Duvido que um dia eu use filme para algum trabalho profissional, mas para coisas pessoais, não há nada melhor. Confira mais do trabalho de Mark McInnis clicando aqui. Luciano Burin é autor do blog Surf&Cult

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