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DIÁRIO DOS SINOS 5

Bells, 18 de maio, 1981 O havaiano Bobby Owens procura desesperadamente Terry Fitzgerald para pedir sua  6’9’’ double wing pin tail para competir contra o gigante Simon Anderson. Bells Beach tem mais de 15 pés de onda e os surfistas estão inquietos pulando de um lado pro outro. Simon não ganha nada desde 1977, quando levou o sino do Rip Curl Easter classic pra casa e quer de qualquer maneira vencer a edição de aniversário dos 20 anos do evento. Bobby acha Fitz e vai pra água fazer uma das baterias mais representativas da história do surfe profissional. É a primeira vez que a nova invenção do Simon Anderson vai enfrentar a tradicional monoquilha em condições mais que excepcionais. É tambem o primeiro triunfo da triquilha. O surfe nunca mais seria o mesmo. Bells, 24 de abril, 2011 Joel Parkinson surfa sua última onda no Rip Curl Pro Easter Classic com mesma precisão e abandono que surfou a primeira. Todos juízes dão 10, menos um – verdadeiro espírito de porco. O único juiz que não premiou Joel com um 10 ignorou tudo que acontecia a sua volta, o momento histórico, a vibração do público, a final de sonho entre os dois mais queridos da torcida, a simbologia dos 50 anos com cinco 10 perfeitos, os deuses do olimpo e a cereja do bolo. A grande preocupação da ASP hoje é fazer pequenas coisas parecer enormes. Querem saber qual foi a notícia do dia? Mineiro passou com o ônibus por cima do Slater. Sim, claro que há tanta coisa pra contar desse épico último dia de celebração dos 50 anos do campeonato mais tradicional do mundo, mas Mineiro simplesmente destruiu o Slater, porra! Mick Fanning, que parecia tão imbatível em todas suas baterias, tremeu de medo. Sim medo, ao ver que o caboclo Jadson, pele morena contrastando com sua figura de capitão do time de rugby, despencar dum lipe monstruoso com firmeza e meter o dedo na cara de todos que já contavam com uma vitória fácil. Voltasse na finalização da sua melhor onda, Jadson teria feito o primeiro 10 da competição e deixaria Fanning constrangido diante dos seus compatriotas. Testemunhamos ontem um fato que cada vez se torna comum nas etapas da ASP, brasileiros enfrentando os top 3 do mundo em condições fantásticas e batendo no peito dizendo pode vir! Jadson já tinha ganho do Saca numa bateria que todos esperavam ver Tiago Pires surfar com maestria em condições que lembram muito mais as ondas que têm em volta de onde vive, na Ericeira. Supostamente Saca levaria vantagem por estar mais familiarizado com a onda. Que nada! Jadson e Mineiro chegaram 10 dias antes do evento e estavam completamente à vontade nas difíceis e perfeitas condições de Bells. Jadson devolveu a derrota na Gold Coast, mas Tiago se afirma no Top 5 nesse início de temporada. Na repescagem, Owen nem viu Bede na bateria, assim como Adriano também não viu CJ. Davo fez mais uma das suas espetaculares baterias. Chris Davidson é hoje o surfista mais empolgante do Tour, menos pelo surfe e mais pelo carisma e personalidade. Fosse dez anos mais jovem teria chances de disputar o título. As quartas foram dos brasileiros. Depois de esmurrar sua prancha, gritar, puto da vida com a forma humilhante como perdeu, Slater se recompôs e concedeu a entrevista que segue… Adriano é um dos surfistas mais fortes mentalmente do circuito. Nossas baterias sempre são duras e tensas. Além do mais, Adriano esta surfando cada vez melhor. Mineiro é hoje um dos únicos, senão o único surfista a visivelmente abalar Slater. Fanning era outro que aparentava frieza e segurança inabalável. Contra Jadson, em menos de 10 minutos já tinha um nove e um oito, fatura liquidada. Nem tão rápido Fanning, reagiu Jadson com uma das ondas mais impressionantes de todo evento. O semblante sisudo do Fanning tornou-se rapidamente inquieto e receoso e, até soar o gongo do final da bateria, Fanning não descansou. Apenas por ter amendrontado Fanning em momento tão determinante, Jadson já passou de mero aspirante a canditado ao Top 10. Na semi, Mineiro talvez tenha se cobrado demais em repetir a atuação contra Slater e esqueceu que Parko é apenas mais um no caminho da vitória. Fanning continuou sua alucinada corrida ao sino deixando um Jordy fora de sintonia desde o início do campeonato precisando de duas notas. Quando Parko e Fanning entraram na água, as ondas de Bells ja tinham quase 10 pés de face. Os dois tinham entre si 6 das 10 melhores médias do evento, completo domínio. Parko foi o campeão sentimental, Fanning teria sido o lógico. A corrida agora vai para o Rio de Janeiro e os brasileiros farão de tudo para manter o título em casa. RIP CURL PRO AT BELLS BEACH – Melhores momentos Final Masculina RIP CURL PRO AT BELLS BEACH – Melhores momentos Final Feminina RIP CURL PRO AT BELLS BEACH – RESULTADOS FINAIS Campeão: Joel Parkinson (AUS) com 18.53 pontos – US$ 75.000 e 10.000 pontos Vice-campeão: Mick Fanning (AUS) com 13.26 pontos – US$ 30.000 e 8.000 pontos SEMIFINAIS – 3.o lugar – US$ 17.500 e 6.500 pontos: 1.a: Joel Parkinson (AUS) 16.33 x 12.00 Adriano de Souza (BRA) 2.a: Mick Fanning (AUS) 18.87 x 17.23 Jordy Smith (AFR) QUARTAS DE FINAL – 5.o lugar – US$ 13.750 e 5.200 pontos: 1.a: Joel Parkinson (AUS) 16.66 x 13.16 Owen Wright (AUS) 2.a: Adriano de Souza (BRA) 18.00 x 11.24 Kelly Slater (EUA) 3.a: Jordy Smith (AFR) 14.16 x 11.10 Chris Davidson (AUS) 4.a: Mick Fanning (AUS) 17.46 x 14.03 Jadson André (BRA) QUINTA FASE – REPESCAGEM – 9.o lugar – US$ 11.000 e 4.000 pontos: 1.a: Owen Wright (AUS) 14.17 x 9.26 Bede Durbidge (AUS) 2.a: Adriano de Souza (BRA) 13.97 x 13.66 C. J. Hobgood (EUA) 3.a: Chris Davidson (AUS) 16.03 x 15.37 Michel Bourez (TAH) 4.a: Jadson André (BRA) 14.37 x 13.93 Tiago Pires (PRT) RANKING DO ASP WORLD TITLE RACE 2011 – 2 etapas: 01: Kelly Slater (EUA) – 15.200 pontos 02: Joel Parkinson (AUS) – 14.000 03: Jordy Smith (AFR) – 13.000 04: Adriano de Souza (BRA) – 10.500 04: Tiago Pires (PRT) – 10.500 06: Mick Fanning (AUS) – 9.750 07: Taj Burrow (AUS) – 8.500 08: Michel Bourez (TAH) – 8.000 09: Jadson André (BRA) – 6.950 09: Alejo Muniz (BRA) – 6.950 09: Owen Wright (AUS) – 6.950 09: Matt Wilkinson (AUS) – 6.950 13: Brett Simpson (EUA) – 5.700 13: Chris Davidson (AUS) – 5.700 13: Dusty Payne (HAV) – 5.700 ———outros brasileiros: 19: Heitor Alves (BRA) – 3.500 pontos 33: Raoni Monteiro (BRA) – 1.000 Para ler a análise de Julio Adler sobre os outros dias de Bells : Diário dos Sinos 4 Diário dos Sinos 3 Diário dos Sinos 2 Diário dos Sinos 1

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