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Diário dos Sinos 3

Bells, 1994, 6 pés de onda, perfeito, Tom Curren analisa uma prancha antes da bateria e pergunta a um representante da Rip Curl, Perdão, quanto pesa sua esposa ? Minutos depois, Curren faz a bateria mais bem pontuada da história de Bells com uma prancha emprestada que nunca tinha surfado antes. 2011, sexta, 22 de abril, dia frio começa com ondas próximas de seis pés, perfeitas. Owen Wright tem sede de vitória. Nem toma conhecimento do pobre Gabe Kling que nada pode fazer diante da superioridade do jovem goofy australiano. Pela primeira vez na história do surfe profissional as duas principais categorias podem ser dominadas pela mesma família ao mesmo tempo. Tyler e Owen serão campeões mundiais nos próximos cinco anos. Desavisado, pergunto ao menino que assiste ao freesurfe matinal pra quem ele torce? Owen, diz ele, dando de ombros. Me dou conta que fiz a pergunta ao caçula dos Wright, me apresento como jornalista brasileiro e digo que escrevi mais de uma vez que acredito no título mundial do seu mano velho. Ele me olha sem nenhuma surpresa e faz uma cara de quem diz, grandes merdas, cara… Eu tenho 13 anos e já sei disso. Adriano entra na água nessa manhã gelada contra Adam Melling com a confiança de sempre. Azar do Melling, que é literalmente atropelado pelo trator Mineirinho. A bateria nem chega a ser disputa, quando muito é um monólogo. Mineiro mostra que seu surfe amadureceu nessas condições, esta mais inteiro, mais potente e bem mais definido. A derrota para Taj na Gold Coast teve efeito positivo. Mineiro aprendeu que ao invés de se lamentar, a solução é destruir quem passa pela sua frente. A terceira bateria do dia brindou os fãs com um show do Parko. Todo camarada que almeja a profissão de surfista deveria ser obrigado a assistir as duas últimas ondas do Parko nessa bateria, uma verdadeira aula de compostura, linha de surfe, leitura de onda e improvisação. Jeremy Flores mal pode resistir com seu joelho lesionado. Formada a primeira bateria da quarta fase, Owen, Mineiro e Parko. Pra não perder de jeito nenhum. Heitor Alves não conseguiu repetir o desempenho da primeira fase, mesmo assim é possivel até duvidar do resultado contra um Bede claramente fora do ritmo. Uma onda onde Bede manobrou inseguro e fora do lugar foi exageradmente pontuada – os critérios de julgamento são adaptativos como a banda da transmissão do webcast. Jordy e Martinez fizeram a disputa mais tensa da fase. Jordy não queria perder de jeito nenhum. Bobby, do outro lado, não podia perder de maneira nenhuma. As condições lindas do início do dia já eram uma mera lembrança quando os dois entraram na água, maré enchendo, vento maral chegando, onda bem mais picada do que a linha perfeita que um duelo desses pedia. Jordy levou por pouco. Ninguém ousaria ficar no caminho entre Bobby e seu carro. Saca surfou em Ribeira contra Damien. Explico: vivendo na Ericeira, Tiago conhece as sub condições de Bells tão bem quanto um local. Uma das suas ondas, suas como se lhe pertencesse, é Ribeira de Ilhas, onde Saca ganhou mais de uma etapa do WQS e inúmeros nacionais. Bells mexido é melhor copia da Ribeira que Saca encontrara no Tour. Vindo dum excelente resultado na Goldie, Saca pode ter a chance de ouro pra fincar os pés no Top 5. Bourez me surpreendeu contra Pat G. Mais do que a força e vontade que tanto demonstra ter de sobra. Bourez está aprendendo a competir como um Top 10, mostrando maturidade no seu terceiro ano no WT. Foi uma grande pena ver Jadson enfrentar Alejo na 11ª bateria. Ao mesmo tempo que garantia outro brasileiro na quarta fase, era também a certeza de que perderíamos um soldado. Alejo nunca conseguiu entrar na bateria. Vento forte, maré transbordando de cheia e um aparente descontrole o conduziram a derrota. Jadson estava em casa naquele mar mexido, Ponta negra (Natal) com água fria, sempre uma espuminha lá em cima do lipe pra acertar, especialidade da casa, diria um amigo. A pressão de começar o ano tão bem pesou nas costas do Alejo, baterias são apenas baterias e todo resto é consequência. Kerr-zy teve a chance da vida ao pegar Fanning em paredes destruídas pelo vento, rampinhas de sonho pro voador mais popular da internet. Fanning ignorou a vantagem que Josh Kerr teria pra cima dele e o amassou como uma barata. Previsão do mar subir e acertar ainda mais pra sábado. Onda do dia – Silvana Lima com sua 5’6’’ embolsou 5.000 dólares pela melhor nota do dia e tudo indica que a pequenina cearense vai repetir a célebre final de 2009 – esperemos com o mesmo resultado. RIP CURL PRO AT BELLS BEACH – Melhores momentos Round 3 Para ler a análise de Julio Adler sobre os dias anteriores em Bells: Diário dos Sinos 2 Diário dos Sinos 1

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