O nascer de uma pintura

Por Fernando Bari Tudo começa com a inspiração. Ela pode vir em qualquer hora e lugar, porém melhor ainda quando você está presente em algum pico alucinante e vê diante dos olhos uma obra de arte sendo criada ao vivo pela natureza durante um fim de tarde clássico. Toda a cena, luz, movimentos e as sensações da paisagem ficam gravadas em sua mente, gerando ideias, despertando arte. “Quero pintar um quadro grande, de um pôr-do-sol numa praia de ondas perfeitas. Vai ficar alucinante, pois essa é uma inspiração de um visual que presenciei numa praia aqui do Peru, há um mês”, revela o artista Flavio Caporali. Esse é o primeiro passo. Neste momento foi criado o tema da pintura inspirado numa paisagem. Na citação do artista, a união de percepções com sensações resultou na criação dos elementos básicos para a composição do quadro: “Sol”, “Ondas”, “Fim de Tarde” e “Praia”. Antes de prosseguirmos, vamos analisar uma das pinturas clássicas de Flavio Caporali para entender melhor a inspiração, onde o próprio artista comenta o processo criativo:

Obra: Encontro Celestial - Técnica: Acrílico sobre tela

“Uma vez na Indonésia, em G-Land, estava surfando durante o entardecer e presenciei uma vez mais a beleza da criação Divina. As cores do céu eram espetaculares. Seguindo uma linha de visão de 180 graus, olhando para horizonte e logo, seguindo o olhar pela minha esquerda, podia ver o Sol e o céu colorido, logo as ondas entrando no point e viajando através da bancada até entrar pela praia onde já se visualizava o bosque de árvores da selva fechada de Java. Para concluir o visual, por sobre as árvores lá estava a lua cheia que parecia observar a paisagem, enquanto o Sol fazia seu último trabalho do dia. Esta visão me inspirou para fazer o quadro que logo entitulei de “Encontro Celestial”. Não reproduzi exatamente a praia de G-Land, mas sim um visual típico da perfeição das ondas nos picos da Indonésia.” Podemos notar a riqueza de detalhes que a mente do artista captou durante a experiência, gravando a cena no cérebro com detalhes peculiares de sua percepção do ambiente. Estes formam uma obra exclusiva e original, ou seja, é o ponto de vista do espectador. Observar é o princípio básico para qualquer manifestação artística.

As cores

Antes de abrir o tubo de tinta e sair colorindo uma tela, o lance é estudar e brincar com as cores. Em uma paleta ou recipiente, misture as tintas fazendo movimentos circulares e lineares com o pincel. Esse processo estimula a criatividade e vai dar o “clima” da pintura. Cada artista tem sua própria mistura, a sua própria paleta de cores.

Flavio no início do processso da mistura. Note que cores tem a personalidade do artista

As cores primárias são: vermelho, amarelo e azul. São consideradas as primeiras cores. O vermelho é uma cor quente que mostra vitalidade, energia e coragem. O amarelo é uma cor suave e alegre que simboliza o otimismo. O azul é a cor que dá concentração e melhora a mente. As cores primárias quando misturadas formam as secundárias. As cores secundárias são formadas pela mistura de duas cores primárias. As cores secundárias são: verde, roxo e laranja. O azul misturado com o amarelo origina o verde. O azul misturado com o vermelho origina o roxo, e o vermelho misturado com o amarelo origina o laranja.

Mistura das tintas

As tonalidades de uma pintura são formadas pela mistura das tintas. No seu estojo, provavelmente há um tubo de tinta verde, porém que tal criar o seu próprio tom de verde? Misture o azul com amarelo e terá a cor com sua personalidade, pois os fatores quantidade de tinta, tempo de mistura e ritmo influenciam no resultado.

Degradê

Existem diferentes escalas no degradê de uma cor a outra, depende da quantidade de uma ou de outra na mistura. Da mesma forma para clarear ou escurecer uma cor se utiliza o branco ou preto. A quantidade de um ou de outro na mistura marcará o grau de claro ou escuro que se deseja obter no degradê.

Praticar para entender

A descoberta das cores é o ponto fundamental para o entendimento da arte, tanto para praticar como para apreciar. Faça muitas misturas e experimentações antes de qualquer contato com a tela. Durante o processo, deixe sua mente livre de questionamentos, tenha foco nas sensações que as cores proporcionam. Guarde suas experiências para futuras consultas, pode ser revelador.

Exmplo de aplicação do degrade azul-branco presente na obra.

Segunda Etapa

No próximo post vamos ver a ideia indo para o papel e ganhando as primeiras camadas de tinta. Flavio Caporali está produzindo esta tela e gentilmente concedeu nossa presença para acompanhar o processo desde o início antes mesmo do primeiro esboço estar pronto, nos dando a chance de co-criar com o artista, mesmo que imaginando o resultado deste pôr-do-sol com altas ondas. Boas artes Fernando Bari – cabecaFeita.com

Para ler o primeiro Cabeça Feita e aprender a desenhar uma onda perfeita clique aqui.