Por Eduardo Stryjer Foi em junho de 2007 que a HARDCORE produziu pela primeira vez uma matéria sobre as simpáticas ondas dos hermanos uruguaios. Ficamos instalados em La Paloma, aconchegante cidade em que Marco Giorgi viveu até os 10 anos de idade. Já havia visto algumas imagens dele em sua primeira temporada havaiana, mas ainda não tinha tido a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente. “Depois dessa viagem, tudo mudou: ou eu me jogava ou ficava naquela de sempre”, afirma sobre as ondas do North Shore de Oahu. Uma semana de convivência com Marco foi suficiente para comprovar o que já esperava: atitude é uma de suas maiores virtudes. Nas extensas direitas de La Pedrera, uma das melhores da Costa Celeste, ele espancava o lip na fome de um lobo selvagem. Base sólida, velocidade, curvas fortes, manobras ainda mais fortes, além de um bom faro para os tubos – ano passado ele emplacou um incrível “canudo” de backside em Desert Point, Indonésia, na seção “60 seconds” do site americano Surfline. Embora tenha nascido no Uruguay, Marco faz questão de frisar que em parte se sente brasileiro. Willian Cardoso, Alejo Muniz, Thiago Camarão, Ricardo dos Santos, Jerônimo Vargas e Junior Faria são alguns brasileiros que sempre viajaram com ele para as etapas da divisão de acesso à elite mundial. Mormaii, seu patrocinador, também é do Brasil, além do que parte da sua infância tenha sido curtida na terrinha. “Nas férias escolares de julho íamos para Ubatuba, e em abril ou setembro, Garopaba”, relembra. A crise nos anos 90, no entanto, pegou Argentina e Uruguay de jeito, e os clientes da pousada de Max, pai de Marco, em La Paloma, desapareceram. A família não viu mais futuro na pacata cidade e todos partiram para Santa Catarina, por ser uma região litorânea próxima a Uruguay. “Colocamos tudo no carro e fomos. Numa visita na casa da minha avó, em Punta Del Leste, a família estava reunida, e minha mãe falou: ‘vamos morar no Brasil amanhã’. Todo mundo teve que aceitar”, conta. Hoje em dia, Marco Giorgi vive com a mãe numa casa agradável no topo do morro de Garopaba. Já o pai, voltou ao Uruguay. A vista da varanda é um visual alucinante do rio, com perfeitas esquerdas quebrando logo ao lado. Porém, o início foi duro – eles tiveram que recomeçar a vida do zero. “Eu não tinha nem prancha para surfar. Vendemos tudo, inclusive casa e carro”. Por outro lado, por viver perto da praia, a prática do surf rolava todos os dias, e isso o confortava. Na escola, Marco sofreu com a transição do espanhol para o português, mas com o tempo foi se adaptando, como no surf. Também foi nesta fase que ele aprendeu a malandragem típica brasileira. “No Uruguay eu era lentão com as mulheres”, comenta em meio a risadas. “Cheguei no Brasil e as minas já eram aceleradas, aí fui pegando, fui me encaixando”. O “Gringo de Garopaba”, como é conhecido entre os catarinenses, já cumpriu dois anos de Circuito Mundial WQS. Ano passado, garantiu um terceiro lugar na congelante prova da Tasmânia, durante o O’Neill Cold Water Classic. Eliminou o Top Jordy Smith nas oitavas-de-final e recebeu elogios do sul-africano. Na virada do ano, encerrou em 40º no ranking do Tour, que conta com mais de 500 atletas. No freesurf, conquistou respeito ao encarar cracas em Backdoor e Pipeline, sempre atravessando por dentro e sendo destaque nas temporadas nas Ilhas. Em dezembro de 2009, desceu uma bomba em Waimea Bay, a maior de sua vida, ao lado de Stephan Figueiredo no dia do histórico Eddie Aikau. A última conquista de Marco foi participar do Innersection, filme do renomado diretor americano Taylor Steele. As seções dos surfistas foram eleitas através de votos dos internautas, e Marco estava lá, entre os melhores, com sua session muito bem produzida pelo videomaker brasileiro Loïc Wirth. O perfil completo de Marco Giorgi você confere na HARDCORE de março. Trailer – Marco Giorgi Innersection por Loïc Wirth Marco Giorgi – Innersection from Loïc Wirth on Vimeo.