Por Daniel Stryjer Marinheiros, façam chorar seus remos Cabo Polônio é um povoadinho do Uruguay, uma vila de pescadores, sem eletricidade, bem inóspito, e claro, com um mar com muitas ondas. Uma viagem que, mais que um deslocamento geográfico, implica numa relativização do tempo. Consequentemente, se você encontrar uma galera tirando som nesse pico, será sem guitarra e baixo elétrico, será unplugged. E numa trip em 2007 alguns argentinos se juntaram ao acaso em Cabo Polônio, integrantes das bandas Satélite Kingston, Doris, y Michael Mike (Nacho Rodriguez, Marcelo Blanco, Marcos Orellana, Tomás Justo, Germán Cohen) e compuseram. O que saiu daí é um presente, chamado despretensiosamente de *Onda Vaga, vindos de um tempo que já não existe mais, sonhador, de poesia, uma onda que chega tranqüila, que só quem está atento ao mar presta atenção. Ou você está ocupado demais para dar-se conta? Um som que não é novo, nem retrô, mas de alguma forma você já ouviu, uma alegria espontânea, selvagem e natural, como eles já disseram “punk sem microfone, rock sem patrocínio, samba uruguaio próprio de tango alegre, o último folclore do mundo por descuido”. Cinco vozes do coração, sentimentos, pensamentos, contemplação, indefinição, é botar pilha no moleque dentro de você, música pra cantar pros amigos de verdade ao lado da fogueira. Uma banda que cabe numa caixa, sem fios. * Poema LXXII, de Gustavo Adolfo Becquer, que começa com “As ondas têm vaga harmonia…”. Leia a matéria na íntegra na edição de março. www.ondavaga.net/ www.myspace.com/ondavaga Onda Vaga – Va Al Oeste Onda Vaga – Ir al Baile Para ler e ouvir os outros Na Batida acesse: Um Salve Irlandês Social Distortion Má Religião