ASPECTO from DNos on Vimeo.

Tomas Hermes lança novo filme, Aspecto; conversamos rapidamente com o surfista sobre o surfe, a arte e suas inspirações neste trabalho e em outros

Por Fernando Guimarães

Tomas Hermes é um surfista fora da curva. Não apenas por seu incrível talento, que o levou a uma carreira de sucesso como competidor, mas pela própria maneira como enxerga o surfe — para muito além de campeonatos.

Sem cair no conto fácil de desenhar uma oposição excruciante entre competições e free-surf, o catarinense sempre conseguiu conciliar o sucesso em campeonatos com uma produção original, autêntica e criativa longe deles.

Seu último filme, Aspecto, demonstra essa virtude de sua trajetória de maneira exemplar.

Um filme original, autêntico, mas também muito consciente de seu lugar, sem qualquer vibração ultra-pretensiosa. “Feito com amor”, segundo o próprio Tomas. O filme é resultado do trabalho em dupla com sua esposa, Ana Romania, e Tomas explica sua criação num texto rápido. Antes, mandamos algumas perguntinhas, trocando impressões sobre o filme e o surfe.

HARDCORE: Ao assistir Aspecto, fico com a impressão de que é muito libertador pra você surfar sem a expectativa de ter que vencer uma bateria ou campeonato, de ter que agradar a um grupo de juízes oficiais. É essa mesmo a sensação?

TOMAS HERMES: Sim, com certeza é muito libertador. O surfe pra mim é muito libertador. O Aspecto é um filme que eu não pensei do ponto de vista comercial. Eu simplesmente abri minha cabeça para as coisas que eu gosto e, com as imagens que eu tinha, fui fazendo o filme, e isso foi fluindo, foi se tornando minha expressão dentro do projeto. E no surfe é a mesma coisa.

Ainda assim, você é um cara que tem uma carreira de sucesso no surfe competitivo, que pode parecer uma coisa meio sufocante às vezes. Como você vê isso?

O que eu adoro no surfe competição é que, quando você tem uma competição pela frente, você se coloca em um foco, em uma consciência de querer trazer o seu melhor. Não é por querer vencer o campeonato ou agradar juízes, não é isso. O ano passado me peguei algumas vezes caindo nessa pegadinha de tentar fazer o que juízes querem. No tour a gente recebia umas notificações antes de o campeonato começar dizendo que os juízes queriam tal tipo de manobra, e toda vez que eu pensava muito no que eles estavam querendo isso me bloqueava. Então no surfe competição eu sempre busco trazer o meu melhor. Não é sobre vencer ou sobre os juízes. É sobre trazer o meu melhor para fora.

Tanto no surfe quanto no audiovisual, o que tem te inspirado mais ultimamente? O que você anda assistindo?

Mas mesmo sendo duas coisas que andam juntas, o surfe e o audiovisual, a fotografia, o surfe sempre vai ser minha fonte de inspiração, sempre é minha plataforma pra isso. Tudo surgiu através do surfe. Ultimamente o que vem me inspirando é querer melhorar. Tenho me inspirado em melhorar minha performance. Quero muito fazer um vídeo com a melhor performance que eu tenho em edição, isso é algo que me inspira. Eu assisto bastante filme de surfe, é claro. Gosto de ver as coisas mais novas, o que a galera está fazendo. Mas minha esposa é arquiteta, e todo dia de manhã a gente acorda e gosto de ver vídeos de pessoas criativas, artistas, da parte de arquitetura ou design… A gente se inspira bastante em pessoas que criam, que vivem no mundo de outra forma através da criação e da arte. No meu dia a dia é bastante constante isso.Também assisto muitos vídeos de skate, pra pegar um pouco dessa agressão do esporte.

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No final do ano passado eu estava pensando o que iríamos fazer com as imagens do ano. Pensei em várias coisas, e também muitas pessoas me deram idéias para fazer um vídeo sobre o tour, ou falar sobre as viagens, ou fazer dinheiro oferecendo para um canal de TV.

Mas conversando bastante com minha esposa, simplesmente ela falou: “Por que você não edita isso do seu jeito, com o seu olhar? E deu!”.

E foi isso! Não pensando em mais nada e nem nas coisas “comerciais”, consegui fazer um filme de 10 minutos (sendo que a ideia inicial era de no máximo 8 minutos). Criei mais coisas na edição do eu imaginava, voltei a ter interesse em aprender, assisti muitos tutorais de edição; coisa que eu não fazia há tempos. É difícil de explicar, mas até no surfe eu senti que evolui por estar editando e percebendo de perto os detalhes e movimentos.

Esse filme representa um dos aspectos do ano, e foi feito com amor.