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MENTE LIVRE… VIAJA

Como me apresentar? Espírito livre, caminhando de um lugar para o outro, com o longboard embaixo do braço.

Isso todo mundo já deve saber, mas minha intenção, daqui em diante, será mostrar a vocês uma Chloé que poucos conhecem. Sou meio tímida, amo M&M’s e coleciono polaroides. Na verdade, gosto de tudo, me adapto fácil em qualquer lugar, desde que tenha uma praia por perto. O que não é pedir muito, pois preciso estar perto do mar.
 Sempre fui da água salgada. Meu pai surfa há 40 anos, e ele me levava ainda bebê para a praia e me colocava em cima do pranchão. Surfávamos juntos na mesma prancha até eu completar 11 anos, quando ele me deu uma funboard, que tinha o meu nome e o desenho da Pantera Cor-de-Rosa – que bom que o tempo passou, pois hoje em dia não sou nada fã de rosa.

Para ver a galeria, passe o mouse sobre a foto e avance na seta. 

Pouco tempo depois peguei o longboard do meu pai emprestado, em um dia de marolas, e me apaixonei sem volta. Não devolvi mais a prancha para ele. Como dizem, “foi amor à primeira onda”.

O meu fascínio, na época, era imaginar que, como eu, um palito de gente, com 12 anos, poderia controlar uma prancha de três metros e dançar sobre as ondas. Eu me lembro de chegar pra surfar no Rico Point e meu pai levar minha prancha até a areia. Teve um dia que eu cheguei à praia com um long novo e duas pessoas me ajudaram a passar parafina na prancha.

Eu sou “cria” da Praia da Macumba, o principal pico de pranchão no Rio de Janeiro, de onde saíram grandes nomes. Uma onda que funciona com praticamente todos os tipos de ondulação e vento, e tem uma formação que permite tanto as caminhadas até o bico quanto um surf mais radical.

Estou sempre surfando, correndo na areia, no pilates, ativa. Objetivo maior: ser campeã mundial. E, durante a minha caminhada, aproveito cada oportunidade de evoluir como atleta e pessoa.

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Chloe Calmon chega para somar no HCollab.

Competitiva de sangue, até no “par ou ímpar”. E esse espírito fez com que eu entrasse para o mundo das competições no mesmo ano que comecei no long. Para as meninas, só há a categoria feminina Open, então cresci competindo com surfistas bem mais velhas que eu. Já caí em baterias nas quais a outra surfista tinha a minha idade em anos de surf. Uma fonte de aprendizado enorme, que absorvi ao máximo de todos ao meu redor.

O surf me deu vários presentes ao longo dos anos, e o maior deles foi e continua sendo a oportunidade de conhecer o mundo. Viajar é uma forma linda de enriquecer a alma e a mente. Pessoas novas, outras culturas, línguas e comidas, é bom sair da zona de conforto. Tem uma frase que eu gosto, do escritor francês André Gide: “O homem não descobre novos oceanos até ter coragem de perder a praia de vista”.

Quando eu tinha 16 anos, fui sozinha (sem minha família) para a China surfar a pororoca chinesa. Comi camarão vivo e água-viva. Desde então, já estive em território chinês sete vezes.

Fiz uma viagem para várias ilhas do Oceano Pacífico, tendo o navio Indies Trader como minha casa por dois meses, e o grande capitão Martin Daly liderando nossa expedição.

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A longboarder em um rolê por Paris – o quintal de Chloé é o mundo.

Surfamos ondas virgens, mergulhamos em naufrágios da Segunda Guerra Mundial, interagimos com tribos que nunca haviam visto pessoas de fora da ilha, enfrentamos ciclone, cruzamos a Linha do Equador, passamos pelas Ilhas Marshall, Micronésia, Ilhas Salomão e Papua Nova Guiné.

No momento que comecei a escrever essa coluna, estava em um avião a caminho da Austrália. Cheguei lá para carimbar minha passagem pelos cinco continentes – eu comecei a temporada 2016 com o pé direito: conquistei o segundo lugar no lendário Noosa Festival e ganhei o LQS Australian Open. Agora estou passeando por Paris.

Estilo de vida positivo! Um espírito que ilumina os meus caminhos, para onde quer que eles me levem, sorrindo… sempre.

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