Se o circuito brasileiro anda fraco, o mundial parece que virou o Brasileirão. Dentre as seis etapas que rolaram até agora, cinco foram vencidas por brasileiros, com o Filipinho levando mais uma e disparando na liderança no ranking.

As polêmicas da etapa de Jeffreys Bays ficaram fora d’água. Marcando a transição da transmissão para o Facebook, em um negócio de 30 milhões de dólares, nada funcionou. A qualidade da imagem parecia pior, para ver as notas e resultados tínhamos que voltar na página da WSL, e o pior, não tínhamos mais o heat analyzer.

A pressão em cima foi tão grande que a própria WSL veio a público se manifestar e devolveu algumas funções antigas para os aficionados pelo esporte. Quem não tem Facebook vai ter que se virar para assistir, e o app da WSL para celular vai ficar obsoleto agora que redireciona o espectador ao app da rede social.

Veja também:

Filipe passa por Medina, é bicampeão em J-Bay e lidera o ranking

Tati brilha e Silvana se machuca no primeiro dia das mulheres em J-Bay

Dentro d’água o campeonato foi excelente. Em um tiro curto e sem interrupções, a competição aconteceu logo nos primeiros dias da janela. As condições estavam consistentes e o campeonato teve um excelente nível técnico. A etapa foi um marco histórico, com a aposentadoria do Joel Parkinson e o anúncio de que o Kelly vai parar em 2019, estabeleceu-se definitivamente a troca de gerações do surf profissional.

Essa mudança ficou ainda mais clara com o domínio absoluto do Filipe Toledo nesta onda. Assim como o Medina na França, Filipinho revolucionou a maneira de surfar Supertubos. Apresentando um approach totalmente diferente das linhas que Parko e Jordy Smith aplicam na leitura da onda, o camisa 77 imprime velocidade o suficiente para sempre conseguir manobrar no pocket da onda sem perder a sessão. O resultado disto são as médias sempre na casa de pelo menos 17 pontos.

Atrás de Filipinho no ranking, Julian Wilson veio mantendo sua regularidade, fazendo o bom e velho feijão com arroz, e conseguiu segurar a quinta colocação, o deixando em uma posição confortável na disputa do título para o final da temporada. Já Gabriel Medina, que também ficou em quinto, fez a melhor bateria do evento contra o Filipinho nas quartas, e chegou a tirar a maior nota do confronto, 9.10, mas não foi o suficiente. Vai para o Taiti dez mil pontos atrás do líder e em um dos seus melhores primeiros semestres desde o título mundial.


A melhor bateria do campeonato também foi estilo Brasileirão

Sinceramente não sei como o Wade Carmichael chegou à final. Sua melhor bateria foi no round 2, quando somou 16.14. Nos outros rounds dificilmente passou da casa dos 13 pontos, enquanto em todas as outras baterias os atletas estavam batendo 15, 16 pontos. Talvez tenha pegado o horário de troca de maré ou talvez seja sorte mesmo. No fim encontrou, mais uma vez, Filipinho com sangue nos olhos na final.

Filipe tinha acabado de destruir o Kanoa Igarashi na semi, feito a maior média de todo o evento. Chegou à final já no seu modo de ataque. Nunca perdeu uma final de WCT e não seria desta vez. A final começou disputada, a primeira troca de notas foi bem parelha. Wade fez uma onda consistente. Com alguns momentos em que ficou para trás e caindo na finalização, sua nota veio um ponto atrás da combinação de batida-reverse e tubo do Filipe. Alguns minutos depois Filipinho pega uma intermediária, espanca até o fim, porém cai na finalização. Atrás Wade Carmichael inova da sua maneira, faz um floater mata barata, aplica algumas batidas de fundo e consegue uma boa finalização. Por pouco não vira a bateria. Faltando 10 minutos para o final de bateria Filipe mostra que em J-Bay ele é o cara, seis manobras com speed, power and flow, todo o critério em uma onda só. Filipe, surfista mais rápido do mundo em Jeffreys agora é bicampeão.

Igor Roichman Gouveia é colunista da HARDCORE.
Foto de capa: Cestari/WSL