Por Igor Roichman Gouveia

Filipinho mantém seu win rate de 100% em finais e se consagra mais uma vez o campeão do Oi Rio Pro. Em uma bateria unilateral, o camisa 77 pega um incrível tubo arrancando 9.93, gritos e aplausos do grande público na areia.

Saquarema deveria ser a primeira esquerda de 2018. Entretanto, com o swell favorável, a comissão técnica transferiu a etapa para o segundo palanque, localizado na Barrinha.

O primeiro dia de evento deveria ser épico, ao amanhecer os atletas já estavam na água pegando altos tubos. Com o início da primeira bateria vimos que seria mais difícil. Os tubos ficaram de lado e o combo de manobras com uma forte finalização na fechadeira seria a meta para as boas notas. Filipinho demonstrou o caminho das pedras, com três manobras sólidas fez o primeiro high score do evento, 8.60.

Neste primeiro round apenas dois surfistas somaram acima dos 14 pontos. Mickey Wright – que já pode pedir música no Fantástico, derrotando mais uma vez John John Florence – e Gabriel Medina foram os destaques. No mesmo dia, metade do round 2 foi para a água.

Em uma bateria disputada contra o Mineiro, Ian em sua última onda faz um combo com uma junção muito forte, consegue 8.93 e sai com a maior somatória do dia, 15.53.

No jantar, alguns atletas brasileiros, australianos e de outras nacionalidades reclamavam da falta de oportunidades com o campeonato acontecendo na Barrinha. Comentavam sobre um backflip que o Filipe teria mandado no pico principal de Saquarema no freesurf, e pentelhavam os diretores de prova no whats. Mas não teve jeito, as condições conspiravam a favor da Barrinha.

O mar acordou mais ajeitado e tivemos excelentes tubos durante o restante do round. Sebastian Zietz e Joan Duru tiveram a bateria mais disputada de todo evento. Os dois surfistas tiveram oportunidades e a cada minuto um virava sobre o outro. No fim o havaiano levou a melhor. O round três foi pra água em seguida, e mais uma vez Ian roubou a cena. Com um bom tubo de backside e o reentry inacreditável (que nem ele acreditou) meu irmão tirou 9.93. O que para quase todo mundo foi um 10, acabou sendo 9.80 e 9.70 para dois juízes que certamente julgam o atleta e não o surf apresentado. Fosse um dos queridinhos a nota viria fácil.

O restante da rodada não foi fácil. Filipinho avançou somando 6.90 e o Panda acabou perdendo com apenas 2.57 em suas duas ondas. Ítalo, que está na disputa do título deste ano, foi eliminado pelo Yaguinho em um mar em que deveria ter sido dado o call off há muito tempo. Perdeu precisando de 4 pontos após Yago completar um aéreo safadinho e ter virado a bateria. Na última bateria JJF abusou do vento lateral e fez um 9.80 monstruoso, que só não foi 10 por mais cedo não terem dado 10 para Ian.

O quarto round foi finalmente para as esquerdas de Saquarema, e de tanto ficarmos pedindo esquerdas, Ian perdeu (kkkk). Em um erro bobo, acabou dropando debaixo da série e entregou um 8,33 para o Filipinho, que combinou com o único 10 do evento. Um full rotation estratosférico digno da melhor manobra do ano, fez o maior somatório de todo o evento. Ali já indicava que não seria fácil tirar o título das mãos do Holy Toledo.

Para as finais a comissão técnica decidiu terminar a etapa na Barrinha. Com uma condição já não tão favorável ao pico. As quartas, semis e final foram baterias unilaterais. Apenas um surfista se encaixava por bateria.

A partir da segunda quartas de final a coisa desandou. Com a prioridade, Michael Rodrigues, que vinha fazendo um excelente campeonato, deixou Julian Wilson pegar um modesto tubo combinando com um reverse e virar a bateria.

Nunca vi um narrador tão indignado com o competidor antes. Faltou só descer o cacete no menino. Michael acabou perdendo o timing da bateria, e ficou tentando fabricar a nota que necessitava. A cada erro ele e o narrador tiltavam ainda mais. Foi engraçado e triste ao mesmo tempo, já que o Michael é minha aposta de Rookie of the Year para este ano.

Poderíamos ter tido semifinais e finais 100% brasileiras. Infelizmente Gabriel Medina e Yaguinho acabaram entrando na onda do Michael Rodrigues. Os dois atletas pegaram dez ondas e não conseguiram passar do quatro e meio. Talvez com uma escolha de ondas melhor o resultado teria sido diferente.

A final não teve para ninguém. Filipinho estava em sintonia. Após quebrar a prancha e se frustrar com alguns erros cometidos em uma onda com potencial, Toledo, voltando para o pico, pega um tubaço incrível, outro 10, na opinião de quase todo mundo. Menos, novamente (talvez não os mesmos, a WSL não identifica mais os juízes no sistema de notas) para dois juízes. Deste ponto a festa estava armada. Foi só arrumar um 7.17 como back up e mandar o australiano na kombi para Keramas. A pergunta que fica é, com a Copa chegando, será que Filipinho fará 7 a 1 em finais? Por enquanto tá metendo 6 a 0.


Assine nossa newsletter e receba toda semana os conteúdos mais incríveis da Hardcore