HARDCORE #343 • Nov-Dez/2018

Enquanto os brasileiros seguem o domínio da elite, demos um passo para o lado a fim de explorar o que tem acontecido em paralelo à corrida pelo título mundial. Em busca de dias de solitude na Indonésia, Victor Bernardo embarcou para uma ilha à margem da agitação da temporada – e voltou de lá com a capa desta edição. A foto é Brian Blank, brother do filmmaker Gabriel Novis, que convidou o jovem surfista para ser protagonista de seu novo filme, Isla de los Búfalos.

Ainda no arquipélago, Steve Levine escreve sobre o swell XXL em Asu, do qual a marca registrada foi o “imposto avalanche” a cada série desbravada. Na barca da matéria O Mar da Temporada, estavam também Jorge Pacelli, Haroldo Ambrósio, Marcelo Sampaio, Marcelo Noto e Rafael Tapia.

Já o diretor editorial Adriano Vasconcellos integrou uma trip de lojistas brasileiros da indústria do surf para o Peru, promovida pela Rip Curl Brasil. Com fotos de Eduardo Fleck, Busca em Chicama traz reflexões sobre a essência do mercado, por meio dos olhares de um grupo de peso: Felipe Silveira (CEO da Rip Curl no Brasil, marca que idealizou este The Search); Fernando Gonzalez (gerente de marketing da Rip Curl no Brasil); Pedro Bernardo “Moronguinho” (Nativo Sul); Marcos Cavalcanti e Oswaldo Baire (Boards Co); José Adolfo Rocha Jr. (Bali Surf Shop); João Paulo H. Gouveia (Surf Alive); Marcelo Bruxel (Marivan Surf e Skate Shop); e Peter Alexander (Kahana Water Sports), que também tiveram a companhia de Eduardo Machado (900 Graus), Marcio Ramos (Rip Curl) e outros amigos.

A conversa sobre o mercado continua no 10 Perguntas. O entrevistado da edição é Mauricio Fagundes, criador da South to South, marca que há três décadas carrega consigo as raízes do surf brasileiro.

Já no Journal, o lançamento da versão super strech da E-Bomb 6, da Rip Curl; surf e skate no Neutrox Weekend; a Prancha Mágica do ator, modelo e surfista de alma Paulo Zulu; e Art Room com o conceito da artista portuguesa Lizzy.

E mais, nas colunas: a troca entre shaper e longboarder, no Polaroids de Chloé Calmon; um “recap 2018” no Mata Barata, de Igor Roichman Gouveia, com olhares ácidos sobre o circo competitivo; Harry Jumonji no Darkroom de Heverton Ribeiro; e #IPaintMyDay com Casami.

HC #342 já nas bancas! Garanta a sua!

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Isla de los Búfalos
por Gabriel Novis
com depoimentos de Victor Bernardo

Pensei, pensei…

Convidei de última hora um dos caras que apostei que teria “a” vibe para esse projeto. Primeiro por ser muito tranquilo, ter fome de se jogar no mundo e ser dono de um dos estilos mais bonitos que já pude presenciar.

O nome: Victor Bernardo, vulgo VB.

O tempo era curto, e a gente teve que agilizar tudo em praticamente três dias.

BUM!

Depois de mil horas em aeroportos e trezentos e tantos voos, o Victor chega nessa pequena ilha no norte da Sumatra para encontrar comigo e com a minha namorada, que me ajudava na produção do projeto.

Tudo aconteceu sem eu esperar por nada, porém tudo como eu esperava.

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O mar da temporada
por Steve Levine
fotos de Chico Muniz

Em Bali, muitos planos estavam sendo feitos, surfistas do mundo inteiro estavam organizando suas viagens, e no norte da Sumatra, na pequena ilha de Asu, a galera do Puri Asu Resort já estava 90% preparada e praticava no primeiro grande swell da série de três que havia sido prevista. O segundo é o que zera as pessoas se perguntarem: “Será que a Indonésia poderia realmente chegar a quebrar tão grande?”.

Marcelo Noto, um dos donos do resort, ligou para seu sócio, Steve Levine, e disse para ele ir para o resort o mais rápido possível. Os experientes pilotos Jorge Pacelli e Haroldo Ambrósio já estavam lá; aquele seria um swell histórico, e o Puri Asu Resort tinha a sorte de contar com dois faixas pretas, veteranos de Jaws, Hawaii, prontos para o que quer que o Oceano Índico lhes oferecesse. Chico Muniz, fotógrafo profissional de São Paulo, também estava pronto para documentar esse dia histórico.

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Busca em Chicama
por Adriano Vasconcellos
fotos de Eduardo Fleck

Em uma ação inédita da Rip Curl no Brasil, o projeto The Search Chicama convidou os mais legítimos lojistas do Brasil para testar a nova roupa de borracha E-Bomb 6, que chega às lojas na próxima temporada de inverno para atender os mais exigentes consumidores. A evolução tecnológica dos equipamentos como propósito ganhou mares além do ponto de partida, o que transformou a trip em uma verdadeira busca por ondas boas e de valorização do feeling, intrínseco em cada um dos presentes.

Durante a estadia no Chicama Surf Resort ou nos bate-papos nos lineups, a discussão sobre o mercado foi intensa nos debates informais, buscando as muitas equações dentro das variáveis do core business. A entrada definitiva do surf no mainstream, assim como a política nacional que nunca esteve tão presente na vida dos brasileiros, foi uma constante durante a jornada…

O mercado core comporta quase 4 milhões de surfistas praticantes ativos, e todos têm uma certeza: somos também os responsáveis por manter a chama acessa e que o mercado precisa se unir para fortalecer a essência do surf. Vivemos esse momento.

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10 Perguntas: Mauricio Fagundes
por Adriano Vasconcellos

[…] HC: No Brasil, você vê esse resgate do mercado das marcas core, com cada vez mais evidência da necessidade de olhar um pouco para dentro, em busca de um momento de solidez? 

Marcio Fagundes: Eu acho que faz parte de um aprendizado sobre um mercado novo. São várias fases desse mercado de 40 anos. Os dez primeiros anos persistiram. Os dez, 15 seguintes foram de abundância. Cinco anos mais tarde, talvez as pessoas que estavam nesse meio não souberam explodir o negócio, administrar o core, o sentimento, e o surf se popularizou demais. Hoje a gente vive em uma época em que, talvez, esses dois passos para trás sejam o futuro, para realmente car quem é core. Dar uma peneirada em quem não está comprometido. E eu acredito nessa renovação do mercado. Quem realmente ama o negócio não vai abandonar e terá esse renascimento, com a volta do reconhecimento das lojas, dos surfistas, das pessoas que se mantiveram no conceito desde o princípio.

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ESCUTE MAIS – Dark Room, por Heverton Ribeiro