No re-batizado seeding round do Corona Bali Protected, Medina é o único dos peixes grandes a ficar em segundo em dia de ondas fracas em Keramas

Por Fernando Guimarães

Para a onda que carrega a expectativa de ser “uma das mais progressivas do circuito”, Keramas teve um primeiro dia bastante morno. Ondas de até quatro pés nas maiores séries, intercaladas por longas calmarias, foram o palco das 12 primeiras baterias do evento masculino do Corona Bali Protected, terceira parada do Circuito Mundial.

Filipe Toledo protagonizou o único momento digno de exclamação no dia, um aéreo rodando com uma altura impossível (até que ele provasse o contrário) para as condições. Foi o único a chegar na casa dos nove pontos com uma única nota.

Peterson Crisanto merece destaque pela leitura de onda, habilidade e coragem para tomar uma decisão com a corda no pescoço. A um minuto do final e precisando de nota, enxergou o melhor tubo do dia numa onda mediana, ficou relativamente fundo, saiu e meteu mais dois tapas. Fez sua melhor nota da bateria, a mesma de Filipe, e conseguiu com folga o score que precisava, livrando-se de passar pelo indigesto segundo round.

Após duas etapas e uma mudança de nome, a primeira rodada do novo formato aos poucos começa a fazer sentido. Por exemplo: Gabriel Medina tinha o seeding mais alto do campeonato. Como terminou sua bateria na segunda posição, foi ultrapassado (no seeding) por todos os outros surfistas do seu grupo (seedings 1 a 4) que ficaram em primeiro em seus duelos. Neste caso, todos os outros. Na ordem, Filipe Toledo, Italo Ferreira e Julian Wilson.

Gabriel Medina, assim, deixa de ser o seeding 1 e passa a ser o 4. Na terceira rodada, em vez de surfar na bateria número 9, vai para a número 13. E seu potencial adversário das quartas de final deixa de ser o seeding 8 e passa a ser o seeding 5 — teoricamente, mais difícil. E na prática também: após o término da rodada, o seeding 8 ficou com Michel Bourez. O 5 ficou com Jordy Smith.

Por sinal, foi Jordy quem eliminou Medina em Keramas no ano passado, em uma bateria de três atletas marcada por uma agressiva disputa de remada entre os dois (que ainda teve Jeremy Flores em segundo).

Se toda a história do seeding ainda não ficou absolutamente clara para você, não se preocupe: o próprio John John Florence revelou, após vencer a primeira bateria do campeonato, que ainda não está entendendo nada. Nessa bateria, Michael Rodrigues encaixou bem com as rápidas sessões e ficou em segundo, com tranquilidade, despachando Leo Fioravanti para a repescagem.

Jordy Smith mostrou mais uma vez que é uma dos melhores surfistas de ondas pequenas do mundo e moeu as valinhas tímidas com a primeira apresentação notável do dia. Jadson André venceu Sebastian Zietz, que voltou da licença paternidade, na briga pela 2ª posição.

Italo e Julian venceram sem sobressaltos, Julian pela primeira vez no ano fazendo um surfe mais solto (e radical).

Medina passou um certo sufoca e chegou a ficar na terceira posição de sua bateria por um bom tempo, atrás do convidado local Rio Waida e do estreante Deivid Silva. O jovem indonésio atacou com estilo e agressividade as direitas e deixou os dois goofies brigando pela segunda vaga. Medina esperou até os minutos finais para pegar duas ondas e passar. Pareceria um sufoco se não fosse o bicampeão mundial, capaz de tirar leite de pedra, espremer nota onde não tem etc. Pior para Deivid Silva.

Mas podia não ter rolado de entrar alguma coisa decente para Gabriel, como aconteceu com Kanoa Igarashi, que foi para a repescagem com o modesto somatório de 1,77 pontos, em apenas uma onda surfada. É claro que Kanoa desperdiçou uma ou outra oportunidade, mas sua nota dá uma boa noção, ainda assim, das condições do mar.

Yago Dora ficou em primeiro em sua bateria, num duelo de backside contra Owen Wright, outrora um dos melhores nesse quesito dentre os que surfam com pé direito na frente. Yago completou com mais perfeição suas manobras, conseguindo manter uma linha fluída e radical, enquanto Owen até conseguiu bons golpes, mas enganchava aqui e ali e perdia o tempo da onda. Soli Bailey foi o terceiro nessa bateria.

Por fim, vale um destaque para Kelly Slater, que venceu sua bateria finalmente surfando bem, com criatividade e radicalidade. A prancha ainda parece um tanto irregular sob seus pés, mas não o impediu de completar alguns aéreos, rasgadas, rabetadas e até um carving 360.

Ficaram em último no 1º round e disputarão a repescagem: Deivid, Fioravanti, Zietz, Kanoa, Soli, Adrian Buchan, Zeke Lau, Jacob Willcox, Jesse Mendes, Ryan Callinan, Seth Moniz e Willian Cardoso.

Corona Bali Protected – round 1 masculino

1. John John Florence 11,50, Michael Rodrigues 10,16, Leo Fioravanti 7,47
2. Jordy Smith 14,00, Jadson André 10,44, Sebastian Zietz 9,04
3. Julian Wilson 10,90, Jack Freestone 8,60, Adrian Buchan 7,74
4. Italo Ferreira 11,50, Caio Ibelli 8,97, Ezekiel Lau 7,80
5. Filipe Toledo 16,17, Peterson Crisanto 10,40, Jacob Willcox 7,60
6. Rio Waida 9,60, Gabriel Medina 9,54, Deivid Silva 6,77
7. Yago Dora 11,63, Owen Wright 10,33, Soli Bailey 9,50
8. Conner Coffin 11,24, Jeremy Flores 10,00, Jesse Mendes 8,17
9. Kelly Slater 11,66, Kolohe Andino 11,23, Ryan Callinan 10,67
10. Ricardo Christie 11,93, Wade Camichael 8,63, Seth Moniz 5,10
11. Mikey Wright 12,00, Joan Duru 9,50, Kanoa Igarashi 1,77
12. Michel Bourez 12,43, Griffin Colapinto 9,63, Willian Cardoso 8,73