Jadson André voltou à elite mundial em 2019, e nem precisou dela para praticamente garantir-se novamente para 2020. Em uma conversa com a HC durante o ano passado, ele revelou o que havia mudado em seu trabalho – e que o levaria a esse espetacular começo de ano

Por Kevin Damasio; da HC #342, set/18

O que fazer após sair da elite do surf mundial? Jadson André, 28 anos, sente saudades, sobretudo da parada no Tahiti, contexto no qual ocorreu a entrevista a seguir. Trata-se de um evento no qual o espírito do Tour se revigora, na visão do potiguar. Boa parte dos brasileiros hospedam-se na casa da mesma família taitiana. A hospitalidade e o astral do povo, somada às belezas da ilha, harmonizam-se com a amizade dos Tops – posta de lado assim que vestem a lycra, é claro. Mas Jadson não deixa que as saudades o abalem. Continua focado em dois objetivos centrais: voltar à elite e se tornar campeão brasileiro.

Jadson André, Off-The-Wall. O potiguar quer se garantir na elite de 2019 na perna européia do QS, porém tem tido ótimas performances na Triple Crown do Hawaii.

Jadson começou a surfar em Natal, Rio Grande do Norte, e, adolescente, mudou-se para o Guarujá, São Paulo, após um ano de trabalho com o Luiz Campos “Pinga”. Longe da família, aprendeu a cuidar de si mesmo na marra e iniciou sua caminhada nos campeonatos, com as pranchas do shaper Ricardo Martins. Em 2008, iniciou sua caminhada no QS e, no ano seguinte, garantiu seu lugar na elite. Logo no ano de estreia 2010, em sua terceira etapa como Top, sagrou-se campeão do Santa Catarina Pro, a etapa brasileira do Mundial, disputada na Praia da Vila de Imbituba. E foi muito convincente: pelo caminho, deixou para trás surfistas como Damien Hobgood, Luke Munro, Michel Bourez, Dane Reynolds e Kelly Slater. No final, terminou seu ano de rookie em 13º no ranking. Em 2011, fez duas quartas de final (Bells Beach e Nova York), porém algumas eliminações precoces persistiram e o tiraram da elite no fim de 2012.

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Em 2013, a primeira briga pelo retorno ao Tour foi bem-sucedida. Na cabeça, a consciência da receita da glória no QS: passar o máximo de baterias possíveis, independente de ser ou não campeão. Assim Jadson fez em Margaret River, Austrália (9º lugar); em Saquarema, Rio de Janeiro (5º); em Ballito, África do Sul (9º); no US Open da Califórnia (9º); e, por fim, com o título do Cascais Pro, Portugal.

Na volta à elite, em 2014, teve seu segundo melhor desempenho em uma etapa do Mundial: vice-campeão do France Pro, em Hossegor, ante John Florence. Na Europa, também se tornou bicampeão do QS Cascais Pro. Porém, Jadson observa que o nervosismo tomava conta em situações adversas durante as baterias e o impedia de seguir adiante e alcançar voos maiores e resultados melhores.

É esta autorreflexão que, hoje, deixa o potiguar mais confiante. Até o fim de agosto, líder do ranking brasileiro (com destaque para o título do Maresias Pro, em ondas de 10 pés) e quinto lugar no QS, o surfista de Natal sente que está preparado para voltar à elite e fazer bonito. E tanto a classificação como o título nacional estavam muito próximos. Um dos segredos, além do treinamento: a respiração.

Em casa, quebrado das condições pesadas do campeonato em Maresias e prestes a embarcar para mais uma maratona do QS, Jadson arrumou um tempo para conversar com a HARDCORE.

“Nunca falei isso, mas tenho um sério problema de desvio de septo. Então, sempre acordo cansado e demoro muito para recuperar. Juntando esse problema com a ansiedade, chegava uma hora em que eu nem respirava no meio da bateria. Travava tudo e não passava oxigênio, acabava que eu não conseguia render”

Já havia surfado em um campeonato no Brasil com tanta onda assim, tão pesado?

Particularmente, acho que não. Não lembro a última vez que competi em um mar tão pesado, só na remada. No WCT, condições desse tipo, temos três, cinco jet skis para nos levar para o fundo. Esse em Maresias era no braço mesmo (risos). Três dias depois do campeonato, ainda estava me recuperando. A galera que se deu bem no evento é uma turma que realmente leva o surf como um trabalho. Tem muitos atletas com talento incrível, mas só fazem surfar. Esse campeonato de Maresias mostrou a importância de ser um profissional completo – o cara que treina funcional, que tem um quiver de prancha preparado para quaisquer condições. Não é sempre que a parte física faz a diferença, e em Maresias o físico representou quase 80%. Você vê, por exemplo, o Marco Corrêa, que ficou em quinto. Ele sempre treina funcional, posta vários vídeos. O Deivid Silva é um gorila de forte. O irmão do Guigui, o Weslley Dantas, e o Dudu Motta também são. São atletas que levam o surf muito além do que só entrar na água, que seguem uma rotina de atletas nível A.

Há quanto tempo você vê essa transformação no perfil do surfista profissional, com foco para ser atleta de alto rendimento?

Nos últimos anos, os atletas, principalmente os de ponta, não apenas surfam. Treinam absurdamente. Oito, dez anos atrás, não era todo mundo que fazia – e aquela meia dúzia que pelo menos cuidava da saúde já era soberana. Hoje em dia, coloco o meu na reta e falo que não tem um atleta na elite que não tenha uma rotina disciplinada para o surf. Quando falo em rotina, não é só pegar a prancha e ir surfar. Os caras se alimentam bem, passam o dia treinando, fazendo exercícios, alongando. Nos últimos três, quatro anos, todo atleta que conseguiu se destacar seguia essa rotina. Exemplo disso: Gabriel Medina, Filipinho Toledo e Ítalo Ferreira treinam igual cavalo; o Adriano de Souza sempre foi super profissional; o Michael Rodrigues treina bastante; o Willian Cardoso mudou muito a postura de uns anos para cá, e não é a toa que hoje está entre os melhores do mundo. Isso só os brasileiros. Se também formos falar dos gringos, passamos o dia inteiro falando. Agora, só consegue se dar bem quem tem uma rotina top, porque todo mundo surfa bastante, tem um talento incrível, mas é o pequeno detalhe que faz a diferença. Nesse evento de Maresias, então…

Que momento dessa final ficou mais na sua memória?

As seis primeiras ondas que peguei foram todas de 1 ponto cada. Caía, não voltava na manobra, ou a escolha da onda era ruim. Eu vinha do US Open, então estava muito cansado. Tudo bem que as ondas na Califórnia não estavam parecidas, mas Huntington cansa muito, porque você fica o tempo inteiro matando barata, fazendo força para poder andar na marola – e eu fui até o último dia. Então, vinha de uma rotina pesada. Cheguei em Maresias e peguei aquele marzão pesado. Quando cheguei à final, estava destruído, cansado, não tinha mais forças, para falar a verdade. Depois da sexta onda ruim, voltei para o fundo e comecei a respirar bem profundamente – quase uma ioga no meio da bateria. Rezei, respirei e pensei: “Só tenho 12 minutos agora e não posso mais errar. Meu Deus, me guia aqui e manda a onda”. E consegui pegar uma esquerda incrível, um 8,33. Voltei para o fundo e já peguei uma direita, com a qual virei a bateria. Isso, para mim, foi um dos momentos que mais marcou, não pelo fato de ter ganho, mas por estar em uma situação muito desconfortável – cansado, em combinação. Em pouco tempo, fiz algo que um tempo atrás não teria o poder, a capacidade mental realizar: voltar, respirar, baixar meu batimento cardíaco com o mundo acabando ao meu lado e virar a bateria. Em muitas baterias na minha vida, quando me encontro nessa situação eu praticamente paro de respirar, começo a ficar muito nervoso, perco o controle de tudo e acabo me arrasando na bateria inteira. Nessa, não. Mesmo no nível máximo de estresse psicológico, sem energia, consegui me acalmar, respirar e ganhar. Isso, para mim, foi uma vitória pessoal.

“Em muitas baterias no WCT acabei errando, caindo, tomando decisões precipitadas, porque não estava calmo, respirando, controlado.”

Como tem sido sua preparação física e mental este ano?

Na teoria, eu sempre soube o que leva o atleta a ter resultados. Não que eu não fazia, mas esse ano estou bem preocupado em realmente treinar minha parte física, mesmo em situações em que, talvez alguns anos atrás, eu falaria que não iria conseguir. Estou treinando com uma pessoa nova, o Carlinhos, preparador físico, e com o Danilo Costa, ex-atleta de elite. Os dois trabalham juntos, portanto estou com uma equipe bem entrosada. O Danilo me conhece melhor que todo mundo. Ele me orientou a vida inteira e voltou a me ajudar agora, como técnico. Também procuro trabalhar mais essa parte da respiração. Nunca falei isso, mas tenho um sério problema de desvio de septo. Então, sempre acordo cansado e demoro muito para recuperar. Descobri isso há pouco tempo e farei a cirurgia no final do ano. Mas, juntando esse problema com a ansiedade, chegava uma hora em que eu nem respirava no meio da bateria. Travava tudo e não passava oxigênio, acabava que eu não conseguia render. Agora, com o trabalho de ioga que tenho feito com o Bruno, aqui em Natal, esse trabalho de respiração, de mentalizar. A galera hoje em dia está em um nível bem parecido, portanto são esses pequenos detalhes que lhe farão se destacar. E tudo vem da respiração. Quanto mais respira consciente de que tem de respirar de tal forma, que está nervoso e precisa trabalhar a respiração para voltar a seu estado normal – isso ioga ensina muito. Não sou nenhum psicopata do ioga, faço pouquíssimas sessões. Mas só o fato de ter consciência de que tenho de fazer isso já vem me ajudando bastante.

Tem alguma situação no CT, por exemplo, em que não saber disso fez falta?

Não lembro exatamente de um momento, mas, sem dúvida, muitas baterias no WCT em que acabei errando, caindo, tomando decisões precipitadas, foi pelo fato de que não estava calmo, respirando da maneira correta, controlado. Por não estar bem, acabo tomando decisões erradas. E competindo ali no Tour com os caras… não se pode errar. Tenho bastante consciência disso e estou trabalhando forte para voltar. Se Deus quiser, isso vai fazer a diferença.

Além da recente parceria com o Danilo Costa, você realiza um trabalho duradouro com o Ricardo Martins. Como começou?

Foi há mais de 15 anos. O Luiz Campos “Pinga” me alinhou com o Ricardo. Na época, eu tinha 12 anos e falei para o Pinga que estava precisando de prancha, então ele me passou o telefone do Ricardo. Aí disse do que estava precisando, ele fez e, meu irmão, bizarro. Lembro que na primeira onda que peguei eu caí para trás, de tão rápida que a prancha era. Desde então, nunca mais paramos de trabalhar. O Ricardo é a principal pessoa da minha carreira. Já surfei com várias pranchas de outros shapers, gringos e tudo mais, mas, sem exceção, em todos os eventos que ganhei na minha vida eu estava surfando de Ricardo Martins. O WCT na Praia da Vila, os dois de Portugal, o Prime da África em Durban. Naquele campeonato em que fiz a final com o John John Florence, na França, em 2014, ganhei todas as baterias de Ricardo. Na semifinal contra o Jordy, lembro que ele precisava de 16 pontos para virar e já estava acabando a bateria. Faltando uns 20 segundos, eu peguei uma onda e quebrei a prancha RM ao meio. A outra que tinha para a final não era RM. Não consegui nem ficar em pé direito… O John John me esculachou.

Como é sua relação com o Ricardo?

Acho que falo com o Ricardo Martins mais do que com a minha namorada. Passamos o dia falando, mando as imagens das pranchas, vídeos. Falo o que acho disso, daquilo, e ele sempre tenta arrumar. “Ricardo, estou indo para tal evento”, e ele já sabe as pranchas que tem de fazer, o que alterar para determinada onda. É importante essa comunicação, esse trabalho com o shaper, e o Ricardo não é só o melhor do Brasil, mas um dos melhores do mundo. Um fenômeno mesmo.

E o trabalho com o Danilo Costa?

Ele é daqui do Rio Grande do Norte, então fica tudo mais fácil. Na realidade, o Danilo desde cedo foi meu técnico. Quando eu era pirralho, ele sempre me ajudou. Viajei minhas primeiras etapas do QS com ele me ajudando. Agora virou algo profissional.O trabalho é diário. Vamos para a praia treinar, ele vê o que acha que devo melhorar, o que posso explorar mais, o que devo segurar mais. Todo dia, quando estou em Natal, surfamos juntos, fazemos simulações de bateria. Um trabalho bem bacana mesmo. A gente cai na costa inteira, em todos os picos aqui de Natal.

Agora você voltou a morar em Natal, mas passou muito tempo distante da cidade. Como foi sua mudança para São Paulo, em termos de estrutura para um surfista profissional?

Na realidade, eu aprendi a surfar em Natal, mas evoluí meu surf em São Paulo, para onde fui morar em 2003. Quando comecei a trabalhar com o Pinga, ainda fiquei um ano e pouco aqui em Natal, depois fui morar no Guarujá, estudar, surfar, competir. Do lado profissional, foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Chega uma hora em que você tem que procurar melhorar, evoluir. Em São Paulo tem altas ondas, é outra realidade comparado a Natal. Lá, adquiri a minha responsabilidade, porque, aos 15 anos já tinha que fazer tudo sozinho – ir para a escola, fazer meu rango, cuidar da casa. Então, falo que a maior evolução que tive na minha vida até hoje aconteceu quando saí de Natal para morar sozinho em São Paulo. Minha família nunca se meteu muito nas minhas decisões. Meus pais sempre confiaram e acreditaram muito em mim, então apoiaram minha ida porque sabiam que era o certo a se fazer.

Neste ano em que você está focado no título brasileiro também, com que cenário você se deparou?

Jadson André chegou à semi nas marolas do US Open, na Califórnia no ano passado

É a primeira vez que participo do Circuito Brasileiro. É difícil demais, a turma surfa muito. Não é a toa que os brasileiros estão dominando o surf no mundo. Os caras são muito bons mesmo. Tem gente que você nunca ouviu falar o nome, olha e se pergunta: “Quem é esse cara que tem nível de vencer etapa do Mundial?”. Sem dúvidas, isso tem sido muito positivo para mim, porque está me obrigando a treinar cada vez mais, a ser cada vez mais profissional, vivendo um momento muito bom no surf.

Porque você estabeleceu como foco ser campeão brasileiro?

Cara, acima de tudo, para competir. Praticamente todos os caras do Brasil no CT hoje tem o título brasileiro. Ítalo, Adriano… Eles tiveram a oportunidade de participar do Circuito Brasileiro Profissional. A outra molecada que não tem o título nem oportunidade teve, porque, uma vez que você é WCT, não pode participar de circuito nacional e regional. Quando fiquei de fora do Tour, no final do ano passado, já comparei os calendários nacionais e internacionais, para estudar e estabelecer minhas metas. Quando vi que as etapas não iriam bater, defini que os objetivos para a temporada seriam voltar para a elite e ser campeão brasileiro.

Com a vitória no Maresia Pro, você teve a oportunidade de disputar o ISA Games no Japão, mas abriu mão da vaga, né?

Tive que abrir mão da vaga, porque meu objetivo maior é voltar para o WCT. Eu fiquei muito triste de não poder ir para o Japão. Já tive que abrir mão do evento das Maldivas, que rolou esses dias. Fui convidado, mas não aceitei por causa do Circuito Brasileiro, que é prioridade para mim. Se eu fosse para o Japão, chegaria um dia antes do penúltimo Prime do ano, em Portugal, e complicaria minha prioridade máxima, de voltar para o Tour. Foi uma decisão muito difícil para mim. Falei com o pessoal da Confederação: “Cara, dói falar que não vou, só que nesse momento é preciso frieza e saber o que é mais importante no momento”. O único motivo de não competir o ISA seria se caísse em uma data dessa. Infelizmente, caiu. Da mesma forma que eu não fui competir na Maldivas, com tudo pago com acompanhante e ganhando uma puta grana no resort de surf mais luxuoso do mundo. Mas não, voltei para o Brasil para competir, porque é minha prioridade.

Como você encarou sua saída do Tour no ano passado?

Ninguém quer sair, né. Não tem como falar: “Ah, fiquei de boa”. Mas alguém tem que rodar para alguém permanecer e outros entrarem… Foi a minha vez. Fiquei triste, porque no ano passado tive uma das minhas melhores performances. Acho que nunca tinha surfado tão bem em quase uma década de WCT como no ano passado. Mas é muito difícil. Os caras conseguiram surfar melhor ainda. Perdi várias baterias por “zero vírgula” – contra o Michel no Tahiti, contra o Kolohe… No final, foi a minha vez, paciência. Só me resta botar os pés no chão e tentar voltar.

Neste semestre, você compete no QS em duas regiões onde tem tido muito sucesso: Europa e Hawaii. Como tem planejado essa reta final?

Minha preparação continua a mesma, não vou mudar nada. Continuarei focado, com o objetivo de passar o máximo de baterias possíveis nos próximos eventos. É claro que cada evento é uma onda, uma realidade. Você faz os ajustes necessários e chega lá para tentar passar o máximo de baterias possível. Todos os atletas querem se garantir o quanto antes. Se pudesse me garantir depois da Austrália, ficaria amarradão. Eu, particularmente, mesmo estando em quinto no ranking (até final de agosto) – teoricamente em terceiro, por causa do Griffin e do Kanoa –, não acabei o US Open com meu objetivo, que eram os 16 mil pontos. Mas isso foi devido à campanha que fiz em Ballito, na África do Sul, onde perdi de cara. Só acabaria o US Open com a meta se tivesse feito a final. Eu me sinto incomodado com isso, mas de uma forma positiva. Foi por muito pouco, fiquei só a uma bateria disso, então vou para Portugal com o objetivo de garantir os 18 mil pontos.

“Uma coisa eu garanto: trabalho duro, foco, força de vontade e fome de vencer não faltarão. Nunca estive tão focado nos meus objetivos.”

A nova ordem mundial do surf tem mostrado que o Brasil é hoje a maior potência. Você enxerga dessa maneira? Isso dá um gás a mais para você?

Isso é nítido. É só ver o ranking e o que os moleques estão fazendo. O Brasil está dominando a parada. E nem falo por minha causa, estou em outra realidade hoje. Digo pelo que os moleques estão fazendo: Filipe, Medina, Ítalo… Vê-los fazendo essas coisas, ainda mais sabendo que um dia fui referência para eles… A turma me chama de veterano, mas sou de 1990, o Miguel é de 1992, Medina de 1993. Só três anos mais novos que eu, não sou tão velho assim. Me consideram veterano por eu ter entrado na parada com 19 anos. Estou aí há quase uma década, mas sou novo, 28 anos. Querendo ou não, ainda faço parte desse novo ciclo que o Brasil vive no surf e, particularmente, ainda quero dar muita alegria para a turma e também alcançar meus objetivos pessoais.

Nesse ano fora do Tour, tem algo que você sente mais falta?

Após a semi no US Open Califórnia, Jadson embarcou para disputar um pesado Maresias Pro

Não vou mentir, não. Estando no WCT, você faz muito mais dinheiro. É absurda a diferença. Sinto muita falta do Tour, porque é onde quero estar. Quando rolou a etapa de Teahupo’o, fiquei com muita saudade, porque sou apaixonado por aquele lugar. Se pudesse, moraria no Tahiti, pela energia da ilha, a onda, o lugar, as pessoas. Tenho uma conexão e um carinho pelas pessoas de lá, pela família Sidonie e Didier, que nos hospeda há um bom tempo – eu, Medina, Ítalo, Miguel. Você pode tirar essas conclusões pelos vídeos que os moleques postam todo dia. A alegria, a energia deles… Além de estarem juntos, o lugar é sensacional. No Tour, não tem time brasileiro, é um esporte 100% individual. Ninguém está ali para jogar no mesmo “time”, e sim para ganhar do outro, é a pura verdade. Mas, quando tem a oportunidade de ficar junto, é bacana. Você se diverte, brinca, distrai. E a turma sempre foi assim. Botou a lycra, acabou tudo. Mas a galera é bem unida mesmo, é legal de ver isso. Mesmo sendo um esporte em que um quer “arrancar a cabeça do outro”, a galera se dá super bem.

O que esperar de você para o ano que vem?

O que jamais prometo são resultados, porque não dependem só da gente. Mas uma coisa eu garanto: trabalho duro, foco, força de vontade e fome de vencer – todas as coisas que nos direcionam para a vitória – não faltarão da minha parte. Estou trabalhando como nunca antes. Falo isso de boca cheia, porque, na minha vida, nunca estive tão focado nos meus objetivos. Se Deus quiser, conseguirei voltar para o WCT e vou me dedicar 1000% somente no que me fará alcançar meu maior objetivo. HC