* foto de abre: People On Tour

por Julio Adler (via HCollab

Você tenta concentrar na WSL e torcer pelos seus surfistas prediletos, mas as notícias insistem em te assombrar, dum lado e do outro.

É impossível ficar alheio ao que acontece agora no Bananão (como diria Fausto Wolff) e achar que uma competição de surfe pode ter qualquer importância que mereça um mínimo de atenção.

Dito isso, tentando acompanhar o Quik Pro, dormimos mal e acordamos ainda pior durante essa que aparenta ser uma longa e cansativa perna australiana.

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Matt Wilkinson, o campeão do Quiksilver Pro Gold Coast. Crédito: WSL

A Nova Era dos Técnicos

Se tá dando certo com Adriano e Fanning, por que não tentar, certo?

Matt Wilkinson deve ter feito essa pergunta pro barbudinho Fletcher (Greyson) em algum momento de depressão entre o precipício da desclassificação no ano passado e o início dessa temporada.

Não apenas ele, mas Stu Kennedy, Conner Coffin, Tyler Wrigth, Courtney Colongue e cada um dos finalistas nessa primeira etapa.

Sei que pode parecer maldade, mas o grande vitorioso nesse inicio foi Glen Hall.

Tyler Wright.

Tyler Wright, a campeã do Roxy Pro Gold Coast. Crédito: WSL

A garra como exemplo

Fiz até uma brincadeira, dizendo que Hall nunca fez tanto dinheiro no WCT quanto nessa etapa.

Hall treina Wilko e Tyler, os dois campeões da etapa.

Dizem que JJF já especulou contratar o pequenino Irlandês/Australiano de voz fina para uma possível corrida ao título em 2016.

Stu Kennedy tinha outro anãozinho ao seu lado, Trent Munro, aquele mesmo que teve um grande momento aqui no Arpoador e outro, ainda maior, em Johanna quando venceu Bells.

Trent é uma das inspirações do Mineiro, por exemplo, pela garra, pela força e por nunca dobrar diante dos grandes.

A hora na WSL é de ouvir.

Filipe Toledo. Crédito: WSL

Filipe Toledo – dono do primeiro 10 do ano. Crédito: WSL

Estupendo Filipe Toledo

Depois de dois anos de domínio absoluto na Gold Coast, o Brasil teve que se resignar com menos do que a vitória.

E pior, perdemos Toledo numa forma estupenda.

Lula é ministro, Lula não é ministro…

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Caio Ibelli quebrando nas merrecas de Snapper Rocks. Crédito: WSL

Snapper em merrecas aqui

A maior das decepções dessa primeira etapa foram mesmo as ondas.

Depois do bombardeio de imagens espetaculares que vimos nas semanas que antecederam o Quik Pro, mostrando o nosso campeão mundial chegando antes de todo mundo, focado, como se ainda buscasse seu primeiro título, fica um tanto estranho ver o Super Bank com ondulação de vento, paredes quase deitadas e sem graça.

Esse campeonato sem tubos perde metade do impacto.

Para a WSL foi bom negocio, sem demora, sem espera e ainda lançaram as camisetas (AUS $ 65,00!!) dos surfistas mais populares.

Pena que não tinha a do Wilko à venda.

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Stu Kennedy. Crédito: WSL

Stu e a imprevisibilidade do Tour

Aprendemos nesse início de temporada que a imprevisibilidade que o World Tour quer vender existe de fato.

Eu não apostaria 10 centavos numa final entre Kolohe x Wilko.

O surfista do evento foi Stu Kennedy, aparentemente um surfista ordinário batalhando por um lugar ao sol no WQS, surfando com um modelo que Slater tinha testado 3 anos antes nesse mesmo evento, uma Tomo chapeada pelo também australiano Dan Thomson.

Nascido e criado em Lennox Heads, Stu teve sua chance de ouro quando a vaga foi criada pela ausência de Owen, Bede e Alejo.

Lennox pode até não ser a cópia fiel de Snapper, mas a semelhança existe e é mais que uma suposição.

Kennedy ganhou do Slater, Medina, John John e caiu numa bateria tão apertada quanto improvável contra um Kolohe cada vez mais curto. Parece que entra ano, sai ano, e Andino cisca mais e mais, deixando seus arcos curtos e sem tempero, mecânico e previsível até mesmo quando arrisca.

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Wilko. Mereceu? Crédito: WSL

Wilko mereceu?

Wilko usou sua maior arma de forma coerente, talvez pela primeira vez desde quando perdeu para Fanning nas quartas em 2013.

A base exageradamente aberta, o braço fazendo um terceiro ponto de apoio na volta e, como na bateria contra o Mineiro, uma primeira manobra com meia cavada, repetindo a rotina sem esforço, como faria Glen Hall se tivesse o talento do cabeludinho.

Se em 2015 a primeira etapa mostrou o melhor surfe do planeta naquele momento, esse ano deu a vez ao surfe burocrático de dois operários que aguardavam pela promoção.

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Palpite: Mineiro em Bells

É apenas um palpite, mas desde 2003 que os dois finalistas do Quik Pro não terminam entre os Top 8 no final do ano – Dean Morrison e Occy ficaram em 10º e 16º respectivamente. Dali pra frente, dos dois que fizeram a final da primeira etapa, pelo menos um chegou entre os 3 primeiros.

Arrisco dizer que é o caso.

Quem vai badalar o sino?

Mineiro, novamente, é minha aposta.

Qual é a sua?

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