Comenta Cako na área! Começou! Começamos! Na verdade, já até acabou a primeira etapa, mas estamos de volta com mais uma temporada do melhor surfe competição do mundo. A abertura do “Championship Tour 2016”, divisão de elite da World Surf League (WSL), rolou novamente nas direitas perfeitas da Gold Coast. E tudo o que esperávamos não aconteceu! Vamos aos melhores momentos (ou piores, dependendo do ponto de vista) do Quiksilver Pro Gold Coast:

1. O grande vencedor foi o australiano Matt Wilkinson! A final foi contra o norte-americano Kolohe Andino. Um duelo sonolentoZZzzzzzzz e totalmente brochante, entre talvez o cara que surfou mais no critério e o que deu mais sorte. Agora, com certeza, não foram os que pegaram melhor. Não mesmo! Enquanto Kolohe repetiu manobras em demasia, fazendo exatamente a mesma linha o torneio inteiro (parecia campeonato de skate), o aussie se limitou a um surfe extremamente conservador, mas eficiente, com manobras bem fortes, no pocket e uma encaixada na outra. Tem um estilo esquisito com a base aberta. Sua afobação em linkar as manobras e radicalizar lembra muito o Jadson André, que a turma adora colocar pra baixo o tempo todo, embora seja até mais eficiente que o Wilko. Nenhum deles deve incomodar para o restante do ano, mas vai ser dureza assistir Bells tendo ele como dono da camiseta amarela. Espero que não dure muito tempo;

Assista aos highlights: 

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Filipinho carregado por pai e segurança após semi com Wilko

Filipinho carregado por pai e segurança após semi com Wilko

2. Os dois melhores foram Filipe Toledo (muito, mas muito superior!) e o alternate Stuart Kennedy. Enquanto pode, e isso durou até se machucar nas semifinais, o brasileiro atropelou todo mundo, inclusive os juízes. Surfou com muita inteligência, guardando as manobras aéreas para o final, usando bem o jogo de borda, trabalhando a prioridade… Mesmo quando a turma da caneta fez questão de segurar nota para ele, venceu a bateria contra Parko e foi o único a conseguir uma nota 10. Infelizmente, machucou o quadril, perdeu para Wilko (por muito pouco) e se ausentará de Bells e Margaret River. Do outro lado, Stu foi a grata surpresa. Não se intimidou, talvez por estar sem pressão, e foi derrotando um gigante – Slater, Medina e John John – atrás do outro, com performances modernas, cheia de variedade e velocidade. Gostei dele, pelo menos de frontside em pointbreak;

3. Além de ter sido horrível para a galera do Fantasy Surf (aquele joguinho da WSL que você escolhe um time com seus 8 surfistas favoritos para cada etapa, brinca e zoa com os amiguinhos e ainda pode ganhar Brownie do Luiz, se estiver na Liga do Comenta Cako), a queda precoce de boa parte dos principais favoritos foi ruim para o campeonato e para os entusiastas. Quem esperou (e eu me incluo nessa) disputas emocionantes entre nomes como Medina, Filipinho, Mineiro, Julian Wilson, John John, Mick Fanning e Kelly Slater, acabou tendo que se contentar com batalhas sem graça nenhuma, entre Ace Buchan, Kanoa Igarashi, Conner Coffin e os próprios Kolohe e Matt Wilkinson;

4. Agora, a parte ruim para nós! Durante todo o campeonato, os juízes passaram o recibo para a Tempestade Brasileira ou Brazilian Storm: “Esse ano, é melhor vocês atropelarem, porque na dúvida a preferência vai ser sempre dos australianos, americanos e havaianos”. A vitória do Conner sobre o Italo Ferreira, a do Adrian Buchan sobre o Wiggolly Dantas e algumas notas achatadas de um lado e esticadas do outro deixaram isso bem claro. O “claim” (aquela comemoração que os caras fazem depois de uma boa onda) do Ace no duelo com Guigui foi tão constrangedor que até o Martin Potter (sim, ele mesmo, que adora babar ovo dos gringos e diminuir os brasileiros), ficou sem graça. Além disso tudo, a contusão do Filipe e os resultados de Gabriel, Italo e Guigui servem de alerta se quisermos mais um caneco.

Não podemos mais vacilar e temos que ficar de olhos bem abertos. Estamos incomodando muito e um terceiro título consecutivo não virá pelo rádio e nem será televisionado;

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Tyler Wright derrotou Courtney Conlogue na final do Roxy Pro Gold Coast e começa o ano com a lycra amarela de líder do ranking. Foto: WSL

5. Por fim, uma menção às meninas. Pegaram algumas das melhores condições do mar e não decepcionaram. As semifinais e a final foram mais maneiras que o último duelo dos homens. Em ondas como a de Snapper Rocks, algumas delas já chamam bastante atenção, principalmente as Top 8 do ranking. Quando vi a Tyler Wright aquecendo, antes de sua disputa contra a Stephanie Gilmore (Linda! Como é bom te ver de volta ao Tour! Te amo!), tive certeza que o título seria dela. Muito sangue nos olhos! Para completar, acho que já deveriam existir duas janelas separadas: uma pros manos e outras pras minas.

E só para não deixar passar: o momento mais maneiro de toda a janela ficou por conta da campeã, que, logo após seu triunfo, correu para os braços do irmão Owen e os dois choraram copiosamente (vídeo abaixo)!

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Bônus 1:
Os dois campeões na Gold Coast, tanto no masculino, quanto no feminino, estão sendo treinados pelo Glenn Hall. O cara deve ser muito foda tecnicamente mesmo, porque pra chegar onde ele chegou só com aquele surfe…

 

Bônus 2: Kelly Slater decepcionou com a tentativa de inventar com aquela prancha, que mais parecia um barco. Julian Wilson foi mal demais em suas duas baterias. Não sei o que passou. O Jordy Smith, eu nem sei mais o que falar…

Bônus 3: Isso é apenas o começo! Faltam 10 etapas e tudo pode acontecer! Inclusive no Fantasy! Se você ainda não se inscreveu, clica aqui, se cadastra, monta teu time e entra lá na minha liga! Para quem quiser mais detalhes sobre tudo o que rolo nessa prova, clica aqui e me acompanha lá na página do Comenta Cako no FB.

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