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Você deveria conhecer o campeão Pan-americano Mateus Sena

Mariana Broggi*
Direto do Panamá

Se por acaso você ainda não ouviu falar muito nesse nome, agora tome nota: Mateus Sena.

O potiguar de apenas 20 anos deu um verdadeiro show na 15ª edição do Pan-americano de Surf e levou para a casa a medalha de ouro da categoria shortboard masculina. O evento aconteceu na Praia Venao, no Panamá, entre os dias 7 e 13 de agosto.

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Ao lado dos ex-CT’s João Chianca e Deivid Silva, além de Messias Félix, o potiguar completou o time Brasil. Apesar de ser o mais novo entre eles, Mateus foi quem mais se destacou após ser o único a se classificar para a grande final e garantir o título para a bandeira verde e amarela.

“Esse campeonato é muito difícil, com vários atletas que já fizeram parte da elite e poder competir com esses caras que estão hoje onde eu também quero chegar, me ajudou a puxar o meu nível, porque eu sabia que teria que mostrar o meu melhor surf”, explica ele.

Na bateria decisiva, o brasileiro enfrentou os peruanos e integrantes do Challenger Series da WSL, Lucca Mesinas e Miguel Tudela, além do surfista do país anfitrião, Jean Gonzáles, que tinha a vantagem de conhecer muito bem a onda.

O panamenho abriu a bateria com a maior nota da disputa, um 9 pontos, mas Sena se manteve focado para buscar o resultado da virada. Após a buzina final, o brasileiro garantiu a vitória com o somatório de 13.76 contra 13.40 do surfista local Jeán Gonzáles que ficou com a prata. Os peruanos Lucca Mesinas e Miguel Tudela terminaram com o terceiro e quarto lugar, respectivamente.

Mateus Sena na final do PASA Games 2022
Mateus Sena na onda que lhe rendeu a virada – Foto: @philippemarsan1

Essa foi a terceira vez que Mateus Sena representou o Brasil em importantes competições por equipe, mas antes ele estava como amador. “Poder virar essa chavinha do surf profissional e estrear com o pé direito num campeonato dessa magnitude é incrível e eu nunca vou esquecer”, conta ele.

Sena se profissionalizou com 18 anos, porém teve que lidar com o hiato de competições devido a pandemia e só agora, aos 20, está começando a disputar como surfista profissional.

“Essa vitória é do Brasil e acho que isso acrescenta muito para o nosso país, porque vira os holofotes mais uma vez para a gente”, comemora Mateus. “A gente vinha com o surf brasileiro morto há algum tempo, porque não tinha um circuito nacional de fato e mesmo que sejamos uma das melhores nações do mundo, no Brasil era impossível se viver de surf”, explica.

A trajetória de Mateus Sena

Mateus começou a surfar desde muito pequeno, aos 3 anos de idade. Com seu primeiro campeonato com apenas 5 anos, ele já começou a tomar gosto pela competição, e algum tempo mais tarde sua família decidiu a investir de fato na sua evolução. “Quando eu tinha 10, 11 anos meus pais perceberam que eu tinha potencial para almejar objetivos grandes e foi quando a gente decidiu seguir em direção a carreira profissional”, relembra ele sobre seu início.

Como de praxe na maior parte das carreiras esportivas, os meninos e meninas que decidem se dedicar para estar entre os melhores do mundo, o fazem muito cedo, e precisam abrir mão de muitas fases do processo natural de crescimento para priorizar o sonho da profissão.

A decisão, entretanto, rendeu bons frutos e Mateus começou a vencer campeonatos de categoria de base. Entre elas, estão o título de campeão brasileiro sub 16 e sub 18 em 2018 e também o sétimo lugar no Mundial da ISA na categoria Mirim daquele mesmo ano.

Mas depois dessas boas conquistas, Mateus também teve de lidar com algumas frustrações. “Eu vivi uma fase não tão boa há alguns meses e eu não estava conseguindo mostrar quem realmente era o Mateus ali na água”, conta ele. “Passei por uma sequência de resultados ruins, sendo que dois anos antes eu também tinha perdido meu patrocínio principal, mas a verdade é que eu nunca deixei de acreditar e sei que tudo que vem é para me fortalecer”, conta ele.

Inevitavelmente, os resultados não tão positivos também acabaram por ser consequência dos desafios financeiros. “Eu estava competindo sem conseguir levar meu técnico, justamente porque não tinha grana para ir os dois, então ou viajava só eu ou não tinha o que fazer”, conta ele. “Muitos atletas se apegam na ideia que a gente não precisa depender de alguém fora da água, mas para mim sempre foi importante ter alguém comigo, porque eu realmente acho que duas cabeças pensam melhor do que uma”, conta ele que sempre teve seu pai, Eros Sena, como técnico.

A virada do jogo

O jogo, literalmente, virou há poucos meses, quando Mateus Sena foi o grande campeão da primeira etapa do Brasileiro Profissional, que aconteceu em Maceió e contou com 180 inscritos na categoria masculina.

Mateus Sena venceu a 1ª etapa do Brasileiro Profissional de Surf e levou um cheque de 30 mil reais para casa – Foto: Eros Sena

Após o título que rendeu o excelente posicionamento no ranking nacional, ele conquistou a classificação no Pan-americano de surf, além de outros frutos. “Depois da vitória na etapa do brasileiro eu fechei patrocínio com a Maresia [marca de surfwear] e agora também estou confiante que mais portas se abrirão com essa grande conquista no PASA”, conta ele.

Com maior investimento financeiro e, consequentemente, maior motivação, agora Mateus seguirá forte para as próximas etapas do Circuito Brasileiro de Surf, organizado pela CBSurf (Confederação Brasileira de Surf). “Agora vou seguir treinando dentro e fora da água para buscar meu grande objetivo desse ano, que é ser campeão brasileiro”, revela Mateus.

Um bom resultado no circuito Sul-americano da WSL também é uma de suas metas. “Eu também tenho o sonho de entrar para o CT [Championship Tour] e ser campeão mundial, mas tenho os pés no chão e sei que não devo pular as fases, então esse é um objetivo a longo prazo”, revela ele. “Eu to vivendo uma fase muito boa no brasileiro e agora completo isso com o título Pan-americano individual e também por equipes, por isso, agora vou desfrutar e aproveitar com muita humildade”, finaliza.

O Time Brasil garantiu o título Pan-americano com louvor e terminou a competição com 4 medalhas de ouro, 3 de prata, 1 de bronze e 3 de cobre, totalizando, assim, 11 medalhas. A nação vice-campeã foi o Perú, que alcançou um total de 4 medalhas, sendo 1 de ouro, 1 de prata e 2 de bronze.

*A repórter viajou ao Panamá a convite dos organizadores do evento.

 

 

 

 

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