Surf nas Olimpíadas: uma conexão antiga

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Um ícone do espírito Aloha adorado pelos havaianos e venerado por entusiastas da cultura do surf no mundo, o surfista havaiano Duke Kahanamoku foi considerado o Michael Phelps de seu tempo. Talvez você não saiba, mas, surf e Olimpíadas já estão conectados há mais de 100 anos e Duke é certamente o grande protagonista desse entrelace.

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Confira mais detalhes abaixo:

Em 24 de agosto de 1890, nasceu Duke Paoa Kahanamoku, filho de havaianos nativos.  Duke cresceu em Waikiki, um bairro de Honolulu, Havaí, onde floresceu sua paixão pelo mar e por esportes aquáticos – que também contagiou seu cinco irmãos mais novos, especialmente Samuel. Aos 4 anos, seu pai o ensinou a nadar de um jeito ancestral: “Entre na água e sobreviva”.

Aos 20 anos, o então desconhecido Duke participou do encontro de nadadores da União Atlética Amadora (AAU). Em sua primeira competição formal, quebrou dois recordes no nado livre: o americano de 50 jardas e o mundial de 100 jardas. No entanto, a organização estadunidense não reconheceu os feitos.

“A AAU  de Nova York pensou que os juízes de Honolulu mediram o percurso incorretamente e que não sabiam usar o cronômetro”, escreveu Sandra Kimberley Hall, amiga de Kahanamoku e autora da biografia ‘Duke: A Great Hawaiian’.

Com o descrédito da AAU, os havaianos decidiram juntar dinheiro para mandar Duke aos Estados Unidos, para treinar com a equipe olímpica americana e competir nos Jogos de 1912 em Estocolmo, na Suécia.

Duke, que media 1,85 m de altura, tinha 86 kg e mãos e pés enormes, foi para as Olimpíadas e conquistou a medalha de ouro nos 100 metros nado livre, com direito a outro recorde mundial. Além disso, faturou a prata nos 200 metros da mesma categoria.

Duke nas Olimpíadas, na Antuérpia, Bélgica. Foto: Reprodução

Oito anos depois, as glórias olímpicas de Kahanamoku se multiplicaram. Nos Jogos da Antuérpia, Bélgica, ele superou seu próprio tempo e vestiu a medalha de ouro nos 100 e nos 300 metros nado livre. Duke manteve o ritmo na Olimpíada seguinte, em Paris, na França, quando tinha 34 anos.

O americano Johnny Weissmuller o venceu nos 100 metros livres e foi a grande sensação ao bater Duke, que, conhecido como “peixe-humano”, ficou com a prata, seguido por seu irmão Samuel, bronze.

Duke com o seu pranchão de madeira, shapeado por ele mesmo. Foto: Reprodução

Depois daquele e de outros dois ouros e duas pratas em três edições dos Jogos Olímpicos, o havaiano fez de suas glórias olímpicas vitrine para mostrar o surf ao mundo, um esporte que até então era menosprezado.

Por isso Duke recebeu o apelido de pai do surf moderno. Adorado no Havaí, Duke virou celebridade, amigo das celebridades, fez filmes em Hollywood e viajou o mundo fazendo exibições de natação e surf.

Em 1932, foi eleito xerife de Honolulu, e se manteve no cargo por 29 anos. Depois disso, Duke passou a recepcionar atores de Hollywood, atletas famosos e políticos importantes que desembarcavam no Hawaii.

“Nós treinamos juntos nos Jogos Olímpicos, e ele [Duke] me deu toda a confiança do mundo. Ele queria me assistir treinando, tomava conta de mim, me fazia voltar e trabalhar. Era como um irmão mais velho. Mas, sabe de uma coisa engraçada, ele nunca se preocupou consigo mesmo. A única coisa que queria era ter certeza de que os Estados Unidos conquistassem as três primeiras posições nas Olimpíadas. E nós conseguimos.”
–  Johnny Weissmuller 

No vídeo abaixo, você vai saber mais detalhes da trajetória deste surfista que se tornou atleta olímpico e se consagrou como embaixador unânime do verdadeiro espírito Aloha – Duke Kahanamoku, o pai do surf moderno:

Crédito: Legends From The Pacific / YouTube


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