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quarto dia em jeffrey’s

Por Julio Adler … e o vento soprava na direção correta, mas algo mais o incomodava. No fundo do seu sub-consciente uma vozinha sussurrava, esse mar não tá pra você, querido – diz que não. O inexperiente diretor de prova, Eric Stedman, mal podia se mover com os diabinhos azucrinando seus ouvidos, Faz logo! Bota esses caras logo na água! Os cobaias foram Damien Hobgood e Taylor Knox, dois dos caras que mais história tem aqui no pico. As ondas tinham subido o suficiente para não serem mais chamadas de ridículas, mas ainda estavam bem abaixo do que se pode chamar de espetacular. Um limbo da natureza, que na maioria dos lugares do mundo seria um dia para nunca mais esquecer. Falando em Limbo, muita gente encara agora o limbo da classificação, nem classificados, nem desclassificados. Knox é um desses. Na trigésima colocação, TK, o Capitão América tem mais tempo de serviços prestados à ASP que Medina tem de vida. Raoni em 28 também não está numa posição confortável e pode rodar se não acordar no Tahiti. Damien Hobgood fez uma bateria inteligente contra Taylor, apesar do surfezinho absolutamente lateral e conservador. Michel Bourez contra Raoni foi uma batalha dum homem só, Raoni x Raoni. Claro que Bourez fez a melhor média do dia, tal e coisa, mas como surfista ainda falta uma meia dúzia de qualidades para nos convencer que toda força que coloca em cima da prancha resulta em muito mais do que uma incrível linguagem corporal com pouquíssima conseqüência. Um Raoni completamente fora de sintonia com o mar mal pode reagir diante da fabulosa boa vontade dos juízes com o Tahitiano. Brett Simpson x Melling não era nenhum duelo de desesperados, Melling precisando, como no ano passado, de um bom resultado para sobreviver ao corte. Numa hora dessas, só se pensa no bendito corte. Temos dois tipos de surfista, o que já se garantiu e o que ainda não se garantiu. Dois grupos distintos. Simpo se garantiu, Melling não se garantiu. Venceu Melling por insistência. Heitor Alves foi paciente o suficiente para bater um Patrick Gudauskas embalado – tão embalado que passava varado pelas ondas sem fazer manobras! Heitor precisa desse resultado e vai pegar o melhor goofy do evento até agora, Ace Buchan. Vamos torcer pra que a sorte permaneça ao seu lado. Em seguida foi a vez do Kieren entrar na água… Um restinho de ondulação antes que a maré esvaziasse totalmente. Kieren atropelou o campeão mundial de 2001, Clifton James, duma forma cruel, surfando criminosamente antiquado e lento comparado ao melhor que temos na ASP. Perrow quando muito serve para nos orientar quanto ao valor da massa cinzenta diante do talento puro – não era o caso contra C.J. Surfistas medíocres são necessários para valorizarmos o sistema de competições como conhecemos. A ASP precisa de gente que possa humilhar publicamente os novos rapazes que chegam, cheios de si, donos do mundo, ao circuito. São como os pernas de pau no futebol que são capazes de jogadas estupendas numa Copa do Mundo, vide Josimar. Kieren Perrow é um Josimar. De Josimar pra Denilson, na disputa seguinte não houve disputa. Matt Wilkinson, de roupa de oncinha, declaradamente não conseguiu fazer uma manobra sequer em 10 dias de J. Bay. E continua. Mesmo assim foi não foi capaz de realizar uma única manobra decente. Davo, por outro lado, estava preocupado demais em sentir pena de si próprio ao invés de reagir e virar a bateria contra um Wilko abalado. Durante a ultima bateria da fase, Wilko x Davo, Perrow novamente se reuniu com a comissão (ou seria comichão?) técnica para decidir se a terceira fase ia ou não ia pra água. Num cantinho da sala de imprensa, um jornalista brasileiro não identificado acendia uma vela ajoelhado na esperança de ter toda tarde livre para surfar Jeffreys com apenas mais 16 surfistas. Ao anunciar a decisão, um grito gutural ecoou do canto da sala da imprensa, wooohhhhhoooo! E o tal brasileiro nunca mais foi visto depois de passar correndo com uma fome de 8 dias. Terceira fase de matar ou morrer Damien x Jadson – 2 a 2, tudo em 2010. Jadson levou no Gold Coast e na Zimba, Damien em Trestles e Pipe. Hora de desempatar. Heitor x Ace – 1 a 1, duas vezes na primeira fase. Primeira bateria direta entre os dois. Adriano x Alejo – 1 a 0 pro Mineiro. Pena que dois brasileiros tenham que surfar um contra o outro. Mineiro precisa da vitória pra consolidar sua liderança e Alejo ainda quer provar que não é cavalo paraguaio, ou melhor, argentino. Owen x Melling e Taj x Kerr – Aussies versus Aussies que estão por um fio da degola. Jordy x Travis – Dois Zaffas que vivem em mundos opostos, um quer ser campeão do mundo, o outro quer apenas continuar no circuito. Rezemos por surfe.

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