Pacotes para a VIP Experiences that Journey Beyond das etapas de Austrália, Indonésia, Taiti e África do Sul do CT já estão à venda no site da WSL

Por Fernando Guimarães

Quanto você pagaria para acompanhar de perto, com muitas regalias, uma etapa do CT? Em 2018, a WSL chegou a anunciar um pacote VIP para assistir ao Oi Rio Pro, com direito a drinks, petiscos e um meet & greet com os tops — no português brasileiro, a famosa tietagem. A repercussão foi mista, mas, com muitas críticas, o produto foi abandonado sem maiores explicações.

Em 2019, porém, a WSL voltou com a ideia, agora com um modelo consolidado de pacotes para fãs acompanharem as etapas o mais perto possível de seus ídolos.

Veja também: “De Volta”, de Lucas Silveira, vai prender sua respiração por 25 minutos. Assista!

Batizado como VIP Experiences that Journey Beyond, o projeto já abriu as vendas de pacotes para as etapas de Gold Coast, Bells Beach, Margaret River, Keramas, Jeffrey’s Bay e Tahiti.

Os mais baratos são os passes diários para os eventos da perna australiana, ao preço de 299 dólares australianos (cerca de 800 reais) cada. Eles incluem uma espécie de “arquibancada” de luxo, com vista privilegiada para as ondas, comidas e bebidas ao longo do dia e a tietagem aos atletas.

Os mais caros passam dos 30 mil reais (13 mil dólares australianos para Keramas,  em Bali — na foto de capa — e 10 mil dólares americanos para o Tahiti) e incluem hospedagem em hotéis de luxo durante todo o período de espera para realização do evento, refeições especiais e passeios por atrações turísticas locais. A etapa de Teahupoo, por sinal, não oferece a opção do pacote diário. Mas existe um pacote para duas pessoas.

A WSL tenta diversificar sua fonte de renda, melhorar os prospectos financeiros do circuito e ao mesmo tempo popularizar um tipo de relação com público consumidor que é comum em quase todos os outros esportes mas que é — ou era, até agora — impossível no surf.

Para saber mais sobre as mordomias oferecidas em cada pacote e, quem sabe, adquirir um, entre aqui.

Futuro promissor vs. SurfCore

O questionamento que vem à tona é, evitando assumir qualquer tipo de premissa: quem estaria disposto a pagar essa grana para se aproximar do surf profissional? Ou, que seja, para estabelecer essa relação fã-ídolo? Que pessoas esses pacotes irão atrair para o centro do surf competitivo? Talvez surfistas cheios da grana (acima da média), a fim de pegar umas ondas no Tahiti ou na África do Sul, ao mesmo tempo em que podem conhecer seus ídolos em um ambiente mais seguro — e menos horizontal — que a praia?

“Excluindo-se a hipótese de um apocalíptico colapso sócio-industrial de proporções globais, uma versão do surf  completamente domesticada e amigável a grandes corporações nunca mais conseguirá retomar o que perdeu”, escreveu Matt Warshaw no prefácio da grande tiração de sarro misturada com sessão de terapia que é o livro Cocaine & Surfing, de Chas Smith.

É difícil não identificar ideias como esta, da WSL, com a versão do surf que Warshaw teme tornar-se realidade. Mas o surf profissional precisa vender seu peixe de alguma forma.

Os tempos são outros e a análise de Warshaw perdeu o bonde? Ou o destino do surf competitivo é voltar à sua configuração mais relaxada, como nos tempos de ASP, e até antes?

Talvez haja um meio termo. E o ano de 2019, com sua primeira venda de pacotes VIP Experiences that Journey Beyond, pode começar a oferecer respostas.