Primeiro dia de Oi Hang Loose Pro tem um mar difícil, confrontos inusitados — e emocionantes — e alguns tubos impressionantes na Cacimba do Padre

Por Fernando Guimarães

O Oi Hang Loose Pro começou nesta terça (19) com ondas de até seis pés e formação e condições do mar, em geral, difíceis. Os tradicionais tubos apareceram, embora estivesse um pouco difícil encontrá-los — diversas baterias foram vencidas principalmente por manobras. Mas quem achou, se deu bem. Como foi o caso do paraibano Samuel Igo, que havia acabado de arrancar uma nota nove, na quarta bateria do dia, quando entrou em um tubo de bom tamanho, percorreu bem deep um longo corredor salgado, saiu seco e tirou uma nota dez unânime (foto de capa). Com os 19 pontos, Igo fez a melhor média disparada e foi o grande destaque do primeiro dia.

Assista: Samuel Igo arranca primeira nota 10 do Oi Hang Loose Pro

Outro destaque foi o ubatubense Hizunomê Bettero. Escaldado por diversas participações em edições anteriores do campeonato em Noronha, Hizu soube fazer a leitura do mar e escolher as ondas certas na décima bateria do dia. Com direito a um bom tudo para a esquerda, fez a segunda melhor média desta terça, 14,44 pontos.

Em uma das melhores baterias do dia, o pernambucano Douglas Silva conseguiu uma virada na reta final de seu duelo contra os havaianos Mason Ho e Ian Gentil. Douglas achou alguns tubos rápidos e mostrou um bom arsenal de manobras de frontside na cacimba: em sua primeira boa nota, selou uma junção de tamanho considerável com um layback muito radical; na segunda, saiu da sombra para emendar uma rasgada soltando a rabeta no lip e mais uma porção de patadas no que restou da onda.

Douglas já havia sido um dos destaques do Red Nose Pro, no final do ano passado, na praia de Maresias, em São Sebastião, quando completou um impressionante aéreo rodando de backside e tirou o primeiro dez do campeonato. Em Noronha, superou um dos principais nomes do evento e mostrou seu melhor surf quando estava sob pressão, no final do duelo e precisando de nota.

Veja aqui: resultados detalhados do primeiro dia do Oi Hang Loose Pro

A vitória de Douglas Silva, surfista que (por enquanto) corre etapas regionais e com pontuação mais baixa do QS, sobre Mason Ho, um dos grandes nomes do surf internacional, foi apenas uma das baterias inusitadas do dia na Cacimba.

Em outra delas, o cearense Heitor Alves, ex-top do WCT e um dos mais experientes do evento, com 36 anos, se viu frente a frente com Ryan Kainalo, vinte e três anos mais novo. Junto a eles neste duelo, os paulistas Wesley Santos, atual campeão sul-americano da WSL (#NadaMudou), e Daniel Adisaka, outro dos grommets do evento. E o caçula do evento, aos 13 anos, quase conseguiu uma classificação histórica. Mas acabou tomando a virada do veterano Heitor, que busca retornar à elite após um hiato de seis anos. Ao seu lado, avançou o segundo mais velho do confronto, o ainda jovem Wesley.

De maneira geral, o dia ainda pareceu um ensaio do que deve ser o campeonato nos próximos dias, a partir desta quarta, quando entram em cena os principais cabeça de chave: Gabriel Medina, Italo Ferreira, Ian Gouveia e por aí vai.

Isso porque uma parte da estrutura, segundo a locução oficial do evento, ficou presa no aeroporto em Recife. Assim, houve pouquíssimas entrevistas após a bateria, e poucos vencedores de baterias puderam falar mais sobre as condições do mar, a emoção dos duelos, a experiência em Noronha em geral etc.

A próxima chamada será na quarta (20), às 7h da manhã, no horário de Brasília (oito da manhã em Fernando de Noronha). Acompanhe nossa cobertura e assista ao vivo aqui.