Ondas pioram na Cacimba, mas estreia de tops como Gabriel Medina e Jessé Mendes eleva o nível do surf no segundo dia de Oi Hang Loose Pro

Por Fernando Guimarães

O segundo dia do Oi Hang Loose Pro Contest marcou a estreia de alguns dos principais cabeças de chave da competição, incluindo o atual bicampeão mundial, Gabriel Medina, nesta quarta (20), na Cacimba do Padre. Ao todo, foram corridas as cinco baterias remanescentes do round 1 a as doze primeiras do round 2. As ondas variaram de acordo com a maré e o mar alternou momentos mais e menos difíceis. Mas o dia em geral teve condições ainda mais complicadas que a de ontem — o evento chegou a ser paralisado por algumas horas. Entretanto, se não houve nenhuma nota 10 como a de Samuel Igo, as médias em geral foram mais altas, com uma leva de surfistas mais experientes e qualificados fazendo sua primeira aparição e já deixando uma marca.

O primeiro deles foi o próprio Medina, na bateria inaugural da segunda rodada. O local de Maresias só deslanchou nos dez minutos finais, quando encontrou e completou um bom tubo para a esquerda (e ainda espremeu um aéreo reverse no final). Só esta nota já resolveria sua situação, mas ele pareceu entrar em sintonia com o mar, e foi gradativamente aumentando os scores, até chegar aos 15,86 pontos, maior soma do dia até então.

Veja aqui: resultados detalhados do Oi Hang Loose Pro em Fernando de Noronha

O segundo colocado nessa bateria foi o local Patrick Tamberg, veterano de competições no circuito nacional e provavelmente o surfista que melhor conhece o pico entre todos os participantes do campeonato. E foi o próprio Patrick quem atestou a dificuldade do mar hoje. Em entrevista na cabine de transmissão depois de sair da água, confessou que a bancada estava irreconhecível e nem mesmo ele conseguiu identificar um trecho da praia em que as chances de pegar uma onda boa seriam mais sólidas.

Na terceira bateria, uma prévia do futuro do surf mundial. Mateus Herdy, Eithan Osborne e Imaikalani Devault — promessas do surf brasileiro, californiano e havaiano, respectivamente — duelaram na valas instáveis. Ironicamente, quem ficou em primeiro lugar foi o menos badalado do duelo, o também californiano Nolan Rapoza, quarto integrante da bateria 100% junior. Em vez de procurar as sessões mais cabulosas de cada onda, Herdy avançou em segundo lugar com um score baseado em aéreos bem feitos mas em sessões mais mansas.

Mas as condições não ajudavam. Ian Gouveia e o australiano Reef Heazlewood passaram na bateria seguinte ambos com somas na casa dos 7 pontos, e assim, depois de apenas quatro baterias, o evento foi paralisado.

IMagem aérea da Cacimba do Padre, em Fernando de Noronha, durante o Oi Hang Loose Por Contest

Quando as ondas não ajudam a transmissão, o diretor corta pra imagem aérea e fica tudo bem. reprodução/WSL

A decisão se mostrou acertada, e pouco tempo depois as condições já estavam bem melhores, com ondas mais emparedadas e picos um pouco mais definidos. E junto com a melhoras nas ondas, começaram a subir também as médias das baterias, assim como o nível do surf apresentado.

Logo na primeira bateria após a volta, o segundo top da elite mundial a entrar na água fez a melhor nota individual do dia. Jessé Mendes arrancou um nove dos juízes, e fez 15 pontos, redondo. Ele foi seguido por Tomas Hermes, que passou no sufoco mas avançou.

O português Miguel Blanco avançou logo depois de Jessé, e então o australiano Jack Robinson, que chegou a Noronha como líder do QS após vencer o Volcom Pipe Pro,  terminou eliminado logo em sua primeira. Ele perderá a primeira posição do ranking ao final deste evento, o primeiro de 6 mil pontos do ano.

A melhor bateria do dia foi a de Marcos Correa. Ele e os franceses Marc Lacomare e Jorgann Couzinet deram um show na Cacimba. Lacomare mostrou como se arrancar notas altas sem os tubos: atacando sem medo e com muita pressão todas as sessões mais críticas. Ultrapassou Medina e fez a melhor média do dia (16,03), deixando aberta a briga pelo segundo lugar. Couzinet apostou na progressão e, depois de um quase-acerto, completou um rodeo-clown. Mas a onda não era a grande e a manobra, apesar de muito técnica, não foi tão alta. A nota, 7,43, foi um décimo mais baixa que a de um ataque crítico de Marcos a uma onda da série, costurando manobra atrás de manobra com uma linha bonita de frontside. O brasileiro passou em segundo, com 14,57 na soma.

Jadson havia passado no duelo anterior, com emoção, subindo à segunda posição a poucos minutos do final — o peruano Tomas Tudela foi o primeiro. Na décima bateria, Miguel Pupo construiu um bom score e passou à próxima fase com relativa tranquilidade: ficou em segundo, atrás do power surf do marroquino Ramzi Boukhiam.

Nas últimas duas baterias desta quarta, destaque para a eliminação de Wiggolly Dantas e para a vitória de Cam Richards, americano da costa oeste dono de uma das principais candidatas a Onda do Inverno no Havaí, com uma bomba absurda em Pipeline.

Próxima chamada nesta quinta, com previsão de ondas maiores e melhores. Entram na água: Yago Dora, Peterson Crisanto, Deivid Silva, Alex Ribeiro, Frederico Morais, Italo Ferreira e muito mais. Acompanhe!