Eventos já foram cancelados por falta de ondas. Uma vez, por um ataque durante uma bateria (Mick, J-Bay, 2005). Ano passado, um tubarão apareceu no outside do Main Break durante uma bateria. O evento foi paralisado por alguns minutos e retornou logo na sequência.

O cancelamento de uma etapa devido à possibilidade de um ataque de tubarão é inédita na WSL e abre um precedente no mínimo confuso para boa parte das etapas do tour: J-Bay é cheio de tubarões, Bells sempre tem os seus e já foram registrados ataques no North Shore e na Gold Coast durante as temporadas das etapas. 

“Por mim eu surfaria com certeza. É isso que nós fazemos. Mas agora é hora de arrumar as coisas e voltar para casa”, disse Michel Bourez (WSL/Dunbar)

Nenhum surfista do circuito confrontou diretamente a WSL. Devem saber as consequências de expor opiniões de maneira radical. Além disso, trata-se de uma questão sensível (segurança) e de demonstrar respeito pela opinião de outros surfistas. Mas as reações, apesar de respeitosas quanto à decisão, foram bem divididas.

Muitos – principalmente os brasileiros, como Filipe, Ítalo e Gabriel – agradeceram o cancelamento. Mas grande parte dos tops discordou da escolha e preferia ter continuado a etapa, e isso ficou claro em publicações em redes sociais e entrevistas concedidas a diversos veículos. Confira:

Michel Bourez
“Claro que a segurança vem em primeiro lugar. Mas por mim eu surfaria com certeza. É isso que nós fazemos. Eles colocam muita segurança lá fora. Não teríamos 100% de certeza que nada aconteceria, mas ao mesmo tempo, quando você vê as coisas acontecendo, todos os locais indo surfar. Eles estão acostumados com isso. Eu só queria terminar direito esse campeonato, é para isso que viemos aqui, conseguir um bom resultado… Mas agora é hora de arrumar as coisas e ir embora.” (Woohoo)

Gabriel Medina
“Acho que tomaram a decisão certa. É uma onda que a gente sabe que tem o risco de aparecer tubarão. Já aconteceu em outros anos e eu fico feliz que tenham pensado em primeiro lugar na segurança dos atletas. Se eu pudesse, eu tiraria essa etapa”. (Woohoo)

Jordy Smith
“Temos que respeitar os outros surfistas e a decisão da WSL. Está feito. Estou triste, mas é só mais uma dessas coisas. Continuo amando West Australia”. (Stab)

Filipe Toledo
“Foi uma decisão difícil para a WSL, eles tinham poucas horas para pensar e decidir o que fazer, mas essa era uma decisão que eu já tinha tomado no mesmo dia, acho que não vale a pena esse risco todo. O psicológico já não é mais o mesmo para você entrar na água e decidir uma bateria. Acho que não vale a pena essa risco para disputar um título mundial. Entre os brasileiros, a gente conversou e estávamos todos mais ou menos no mesmo sentimento”. (Woohoo)

Conner Coffin
“Pessoalmente, estou acostumado a surfar com tubarões, já que onde nós moramos, em Santa Barbara, tem um monte de tubarões brancos. Na minha visão isso é o surf e é o que eu amo, e se for a minha de ir, será a minha vez, então eu estava preparado para continuar e concluir o campeonato aqui no oeste da Austrália. Isto dito, eu respeito completamente o fato de outros surfistas não se sentirem como eu e não quererem surfar.  Eu apoio 100% a decisão da WSL de não terminar o campeonato”. (Surfline)

Connor O’Leary
“Estou em uma casa com o Michael February e o Mikey Wright e nós estamos nos perguntando qual é o grande problema. Acho que por termos crescido surfando com tubarões, é meio difícil para nós ter a mesma perspectiva dos brasileiros, que não têm que lidar com essa questão dos tubarões normalmente” (Stab)

Ace Buchan
“Tubarões são algo que nós lidamos continuamente toda vez que surfamos, e nós aceitamos esse risco. Devido às circunstâncias de carcaças de baleias, vários ataques e aparições de tubarões, eu apoio totalmente a decisão da WSL de colocar a segurança em primeiro lugar”. (Surfline)

Stephanie Gilmore
“Como surfistas, nós aceitamos o risco toda vez que entramos no mar, e muitos de nós queriam terminar o campeonato aqui em Margaret River, mas a WSL tomou a decisão correta para nós. […] Honestamente, espero que a gente volte para o campeonato no ano que vem. Tem sido uma viagem selvagem e maravilhosa até agora!” (Instagram)

Owen Wright
“Pessoalmente, me sinto confortável com a decisão que a WSL tomou e também me sinto confortável em entrar na água com todos os jet-skis, drones e barcos-radares no lugar que nós surfamos. […] Eu e Mikey vamos ficar por mais uma semana aqui”. (Instagram)

Kael Walsh
“Isso é o surf, nós estamos lá no mar e é a casa deles, não podemos fazer muito quanto a isso. Mas com dois ataques eu meio que entendo a decisão da WSL. Sou um pouco contra porque é meu primeiro campeonato no CT e eu quero continuar surfando. [Ítalo e Gabriel] surfam no Brasil e não tem a mesma experiência com tubarões, enquanto alguém como o Jordy está acostumado a surfar com eles em J-Bay, igual a nós aqui na Austrália. Tubarões são uma parte normal do surf aqui”. (Stab)

Jack Robinson
“Eu não penso muito nisso para falar a verdade, nos tubarões e tudo mais. É o risco que corremos indo surfar. É bem decepcionante que eles [WSL] cancelaram, mas é uma decisão deles, foi o que eles sentiram”. (Woohoo)

Glenn Hall
“Os sentimentos ficaram divididos, porque cada um se sente de um jeito em relação aos tubarões”. (Stab)

Bronte Macaulay
“Com certeza a minha etapa favorita no circuito. É uma parte especial do mundo, com um litoral lindo como nenhum outro. Acho que o ataque de tubarão em Gracetown na segunda foi principalmente devido à baleia encalhada em Lefties (que foi retirada logo depois pelos pescadores). […] Estou realmente ansiosa para as edições do campeonato aqui nos próximos anos”. (Instagram)

Kolohe Andino
“Obrigado West Australia por outra grande viagem. Triste ter que terminar cedo. Te vejo no ano que vem!”(Instagram)


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