Taj Burrow foi um dos maiores ícones do surf mundial nos últimos 15 anos, mais ou menos. Apesar da torcida de muita gente (fora da Austrália, inclusive), o surfista mais progressivo do WCT no início dos anos 2000 se aposentou das competições sem o sonhado título mundial.

Com tempo de sobra, Taj experimentou coisas que pareciam simples mas para as quais ele não teve tempo durante a carreira como competidor: perseguir um swell perfeito na Indonésia, gravar uma participação em um filme (Cult of Freedom, assista aqui embaixo) sem se preocupar com o próximo evento da WSL, viajar para acampar com a família e editar um site de surf (no caso, da australiana Stab).

Foi na própria Stab que Taj publicou uma carta aberta, bem ao estilo da Players Tribune (lembra dos relatos de John John Florence e Adriano de Souza? Você pode ler os dois aqui e aqui), contando todas essas experiências, incluindo aquela que dá o título a essa matéria. Nós separamos e traduzimos alguns trechos, que você pode ler abaixo do vídeo.

“Quando me aposentei, meu objetivo era, primeiro, aproveitar a liberdade de não ter que cumprir mais a mesma rotina que dominou minha vida nas últimas duas décadas. Usar essa liberdade para fazer um bom surf, ir atrás de boas ondulações e estar na hora e no lugar certos para fazer umas boas sessões. Isso e ser pai. […]

Eu estava em casa e tinha um swell grande a caminho. Tinha chance de The Right quebrar bom, assim como North Point e Gnaraloo. E com certeza na Indo estaria bom. Eu sabia que eu queria ir para as Mentawai, mas normalmente viagens de barco exigem que você tenha se programado com antecedência. Então eu disparei várias mensagens no Instagram para alguns chefes de embarcações e para lugares em terra. 

O primeiro que me respondeu foi o cara que toma conta do resort em HT’s. Ao mesmo tempo, uma empresa que organiza trajetos de barco me disse que tinha um quarto livre em um dos barcos. […]

O barco buscou meu amigo Dave Fox e eu em HT’s. Quando subimos, demos de cara com 12 brasileiros lutadores de MMA faixa preta de jiu-jitsu. Simplesmente os caras maiores e mais assustadores que você pode imaginar, com orelha amassada de lutador e tudo mais. Quando subimos no barco e eles gritaram meu nome, “Taji Burrow”, com o sotaque brasileiro deles, eu e Dave pensamos, ‘meu Deus, onde a gente foi se meter. Isso é aterrorizante’. […]

No final das contas, os caras foram, de verdade, os maiores legends. Eram todos muito gente boa. Eram um pouco mais velhos que eu e estavam em um nível em que ficavam felizes em poder ver o meu surf, e isso os ajudou a surfar melhor.

Tivemos a melhor viagem de todas. Pegamos Macarronis muito bom. E era bom porque eles eram umas figuras que intimidavam à primeira vista, então todos os barcos nos evitavam. Foi perfeito.

Taj ainda conta outras histórias no texto, como sobre o recente rompimento do ligamento cruzado anterior de seu joelho – uma lesão que vai deixá-lo pelo menos seis meses sem entrar na água… Para ler tudo (em inglês), clique aqui

 


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