Após dois eventos de testes e quase três anos de expectativas, a piscina de ondas de Kelly Slater finalmente receberá uma etapa do Circuito Mundial de Surf, a partir desta quinta (6), às 13 horas (horário de Brasília).

O Surf Ranch Pro é o oitavo evento do calendário da elite da World Surf League (WSL) em 2018 e funcionará em um formato completamente diferente dos demais campeonatos de surf.

Assista ao Surf Ranch Pro ao vivo
Veja como funciona a piscina de ondas do Surf Ranch (vídeo)

Entenda a competição na piscina

Nas etapas tradicionais, o campeonato é organizado em baterias de dois ou três atletas. Eles vão para a água por um período pré-determinado de tempo (35 ou 40 minutos, dependendo das condições do mar) e podem pegar até 15 ondas. Cada surfista soma as duas melhores ondas, e quem tiver a melhor média avança à próxima rodada.

No Surf Ranch Pro, não haverá baterias. Com as ondas são idênticas umas às outras, cada surfista terá a oportunidade de surfar seis ondas – três para a esquerda, três para a direita. Serão somadas a melhor esquerda e a melhor direita de cada, e as médias vão para um ranking unificado. Ao final da primeira rodada, quando todos tiverem surfado suas seis ondas, os oito surfistas com as melhores médias avançam à fase final, que será neste domingo. Na final, o mesmo formato se repete.

 

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#Tournotes: @john_john_florence on the #SurfRanchPro Pres. By @Hurley | Video by @peterkingphoto

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Outra novidade possibilitada pela piscina de ondas é a programação exata da hora em que cada atleta irá surfar. Sem depender do oceano, os horários de cada surfista nos dois primeiros dias já foram divulgados com extrema precisão. Por exemplo: Gabriel Medina vai surfar sua primeira onda na sexta, às 21h48. Oito minutos depois, às 21h56, será a vez de Filipe Toledo, atual líder do ranking, fazer sua estreia na piscina.

Tecnologia gera polêmica no surf

A piscina de ondas não é uma unanimidade no surf. Muito ao contrário: a mídia internacional, sobretudo, demonstrou enorme ceticismo quanto a um possível futuro do esporte em ondas artificiais, e muitos surfistas também já fizeram o mesmo.

A Founders Cups, um evento de testes que aconteceu em maio deste ano, dividiu opiniões. Por um lado, conseguiu o primeiro contrato da história do surf profissional com a CBS, um dos maiores canais de televisão dos Estados Unidos. Por outro, o mecanismo gerador de ondas falhou e o evento ficou paralisado por algumas horas.

Além disso, a perfeição mecânica das ondas é um ponto considerado entediante por muitas pessoas. Na semana da Founders Cup, um outro empreendimento roubou a atenção do mundo do surf: uma piscina de ondas artificiais em Waco, Texas, capaz de produzir em série ondas mais curtas e em diferentes configurações (veja abaixo). O contraste acabou sendo negativo para o rancho de Slater e da WSL.

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O fato de ser realizado em uma dependência particular também permite a cobrança de ingressos para o público, outra forma que a WSL vem estudando para incrementar sua renda. A ideia também não repercutiu muito bem entre o público tradicional, acostumado a assistir o campeonato nas areias de qualquer praia ou até mesmo a dividir as ondas com os surfistas profissionais nos intervalos das competições.

Apesar disso, é quase certo que o Surf Ranch – e possivelmente outras ondas artificiais – veio para ficar. Como a onda aritificial será melhor ajustada para o surf competitivo – e vice-versa – é algo que começaremos a saber a partir das 13h desta quinta.